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Feira Naturebas destaca biodiversidade em vinhos naturais 27/06/2026
Celebridades Cultura

Feira Naturebas destaca biodiversidade em vinhos naturais – 27/06/2026 – Passeios


São Paulo


Se a Europa construiu sua tradição de vinicultura em torno das uvas, produtores brasileiros querem mostrar porquê a jabuticaba, o caju e o açaí podem produzir bebidas de características próprias.

É um dos panoramas vistos na Feira Naturebas, que acontece neste sábado (27) e domingo (28), no Meio Cultural Tendal da Lapa, zona oeste de São Paulo, com produtores de vinhos naturais, orgânicos, biodinâmicos e outros fermentados artesanais.


Seleção de vinhos apresentados pela vinícola biodinâmica Finca Cosmos, do argentino Raimundo Laugero, em Mendoza


Ana Bottallo/Folhapress

Mais do que uma vitrine de rótulos, o evento acompanha uma transformação no mercado. O interesse por bebidas produzidas com menor mediação tem atraído consumidores mais jovens e ampliado o espaço para pequenos produtores. Ao mesmo tempo, cresce a procura por fermentados elaborados com ingredientes brasileiros e técnicas inspiradas em saberes tradicionais.

“Quando os produtores pesquisam sobre outros fermentados, eles não estão abandonando a uva, estão resgatando uma cultura nutrir que existia antes da colonização”, diz Lis Cereja, nutricionista e criadora da feira. O evento nasceu há 13 anos dentro de seu restaurante com somente 20 expositores, e hoje reúne 180 produtores de mais de 14 países, com expectativa de receber até 2.500 visitantes.

“Há 20 anos, quando eu iniciei esse processo, falar de vinho oriundo era visto porquê loucura. Hoje parece estranho que reduzir desperdícios e levedar frutas excedentes de forma oriundo ainda seja encarado porquê um tanto revolucionário”, diz.

Ao primeiro gole, a experiência de provar vinhos naturais e biodinâmicos pode surpreender, já que não têm aditivos e processos de correção de acidez que caracterizam os vinhos comerciais. Isso, inclusive, é foco de debate entre os produtores, já que não há legislação específica que trate de vinhos naturais no país. Explorar bebidas feitas a partir de outros insumos brasileiros é ainda mais difícil.

O par Fernando Carvalhaes, 47, e Leonardo Andrade, 33, sócios-fundadores da Companhia dos Fermentados, está há dez anos nessa jornada. Eles tentam mostrar aos consumidores nacionais que é verosímil, sim, ter excelentes bebidas feitas a partir das frutas que fazem secção da nossa memória afetiva. “Não vamos deixar de produzir vinho de uva. Mas também queremos dar uma chance para a cultura e para a biodiversidade brasileiras”, diz Carvalhaes, que é também físico e professor.

O tema do desperdício é medial em quem foca a levedação oriundo, uma vez que muitas das frutas com excedente de produção no país —entre elas, o caju— acabam perdidas. É por isso que cada vez mais produtores buscam inserção nesse mercado. “O movimento nunca foi só sobre vinho. É sobre lavradio e resgate das raízes locais”, diz Cereja.

A mesma lógica aparece na Florisa Vinhos da Amazônia, do Acre, produtora de fermentados com frutas amazônicas, porquê o açaí e o cupuaçu. Ali, além da levedação oriundo, existe também o tempo da natureza, por isso os rótulos são produzidos de seis em seis meses, conta Marcos Vieira, por trás da marca.

O noção de confederar a produção oriundo com o ecossistema, aliás, ganha um novo nome e peso. São os vinhos biodinâmicos, seguindo a filosofia do austríaco Rudolf Steiner. A teoria não é somente a origem orgânica dos insumos e a mediação mínima, mas também a geração de um envolvente em que vegetalidade e animais possam crescer de maneira a se conectar com a terreno, o solo, o ar e tudo mais que faz secção do planeta.

“A biodinâmica é muito mais do que uma técnica agrícola. É uma forma de entender a herdade porquê um organização vivo e produzir provisões que mantenham a conexão entre a terreno e quem a cultiva”, diz o prateado Raimundo Laugero, 54, da Finca Cosmos, em Mendoza.

A própria história de muitos produtores ali é recebida pelo público que procura uma maior conexão entre a lavradio familiar e o consumo. Na vinícola gaúcha Cantina Mincanero, da família de mesmo nome, Caio, 46, fotógrafo e um dos sócios, conta que as pessoas voltam detrás dos rótulos preferidos —ele usa fotografias tiradas por ele mesmo ou fotos antigas de família nas garrafas—, mas que isso nem sempre é verosímil por culpa da produção efêmera. “O vinho oriundo ensina que cada safra é dissemelhante. Não faz sentido esperar exatamente o mesmo vinho todos os anos”, afirma.

Além de vinhos, a feira reúne também produtores de queijos, geleias, cafés, chocolates e outros produtos associados à lavradio sustentável e ao consumo de pequena graduação.

Se no universo da sustento há uma tendência em se distanciar de produtos ultraprocessados e industrializados, essa também é a expectativa do público com os fermentados naturais, afirma a anestesista Natália Medeiros, 39, visitante pela quarta vez do evento. Ela estava acompanhada de seu marido, Augusto Buarque, 38, e sua bebê de somente um ano, Lina.

“A gente procura vinhos naturais pela ideologia que existe por trás deles. Estamos em um processo de mudança de São Paulo para o interno justamente para aprender mais sobre lavradio familiar, logo faz sentido consumir produtos que seguem essa mesma lógica”, diz Medeiros.

Mas, Cereja, a criadora da feira, vê com preocupação um mercado que cresce em torno de uma estratégia de marketing. Enfim, ser oriundo não é o mesmo que ser saudável. “Quando o movimento cresce, ele também corre o risco de se superficializar. Isso nunca foi sobre um rótulo bonito na garrafa. É uma discussão sobre modos de produção e consumo mais sustentáveis.”



Folha

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