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Feito de Piu o coloca no olimpo de recordistas brasileiros
Esporte

Feito de Piu o coloca no olimpo de recordistas brasileiros – 28/08/2026 – Esporte

Um pouco com todo jeito de ter sido inédito, ou quase, viu-se nesta quinta-feira (27) nos sites de veículos de informação de grande sentença no Brasil: manchete para o atletismo pátrio.

Alison dos Santos, o Piu, bateu o recorde mundial dos 400 metros com barreiras ao lucrar a prova da lanço de Zurique (Suíça) da Liga Diamante, que é o giro mundial do atletismo.

Uma notícia inesperada, merecedora sim do melhor destaque provável na prensa, por algumas horas que fossem, na privação de um ocorrência espalhafatoso –não havia zero naquele momento. Até demorou para “a ficha desabar” nos veículos.

Por que é tão importante assim para nós, brasileiros, Piu ter corrido a intervalo dos 400 m com barreiras em 45s80, baixando em 14 centésimos a melhor marca anterior, do norueguês Karsten Warholm, vencedor olímpico com ela nas Olimpíadas de Tóquio, em 2021?

Antes da resposta, um parágrafo para informar que Warholm, que foi prata nos Jogos de Paris, dois anos detrás, estava na prova na Suíça, chegando em segundo lugar, muito detrás do brasílio. Marcou 46s69, quase um segundo mais lento. Parece pouco, mas é uma intervalo enorme, um corpo de diferença.

Antes de Piu, colocavam-se nos dedos de uma mão os recordistas mundiais do Brasil no atletismo, que é o esporte mais transcendente das Olimpíadas, o número um. Está presente desde os Jogos da Antiguidade, na Grécia Antiga –a era moderna instaurou-se em 1896.

Adhemar Ferreira da Silva, duas vezes ouro em Olimpíadas (Helsinque-1952 e Melbourne-1956), considerado com folga o maior expoente do Brasil no atletismo, quebrou o recorde mundial do salto triplo cinco vezes, uma delas para triunfar na Finlândia 74 anos detrás.

São também triplistas outros três recordistas brasileiros: Nelson Prudêncio (1968), João Carlos de Oliveira, o João do Pulo (1975), e Esmeralda de Jesus (1986). O quinto dedo da mão pertence a Ronaldo da Costa, que registrou a melhor marca da maratona (42,195 km) em 1998. Essa conquista de Ronaldo é provável que tenha sido chamada principal de sites não esportivos, pois a era da internet já vigorava.

Passaram-se quase 28 anos para que a segunda mão pudesse dar a um dedo de recorde, graças a Piu. Com mais passadas que os triplistas e menos que o maratonista. Com a junção de corrida e saltos (dez barreiras de 91,4 cm de profundeza). Com o ineditismo de ser em uma prova de pista (o salto triplo é de campo, e a maratona, de rua).

O que Piu fez, em termos mundiais, é uma façanha. O Brasil, historicamente o país do futebol, potência no vôlei e que atualmente orgulha-se das ginásticas (artística e rítmica), quase sempre foi figurante no atletismo, a estrela maior das Olimpíadas.

Com suas mais de 40 modalidades, o atletismo personifica o lema olímpico (“mais rápido, mais cimeira, mais possante”), que tem uma vácuo: falta o “mais longe”, onde se encaixariam os triplistas. Piu encaixa-se no “mais rápido”. Atingiu, porquê pouquíssimos compatriotas, um olimpo.

Ressalte-se que Piu, apesar de parecer novidade, porque o atletismo pátrio pouco aparece no noticiário – faltam vitórias, o que gera desinteresse da mídia–, não é.

Aos 26 anos, o paulista de São Joaquim da Barra (382 km ao setentrião de São Paulo) soma duas medalhas olímpicas, em Tóquio e em Paris. Ambas de bronze.

Com elas, já ocupava dedo da nossa segunda mão em outro ranking. Outros cinco brasileiros têm duas láureas em competições individuais em Jogos: os paulistas Adhemar (dois ouros), Prudêncio (uma prata, um bronze), João do Pulo (dois bronzes) e Thiago Braz (salto com vara, um ouro e um bronze), e o brasiliense Joaquim Cruz (800 m, um ouro e uma prata).

Piu –sobrenome recebido aos 14 anos por se assemelhar fisicamente a outro desportista que treinava no mesmo lugar e que era assim chamado– já é. Pode ser mais?

No horizonte próximo, o primeiro duelo é mostrar que o recorde não foi um casualidade. Passar e pular porquê nunca, prova em seguida prova, para estabelecer marca detrás de marca. Edwin Moses, mito dos EUA, nos anos 1970 e 1980, cravou quatro vezes o melhor tempo do mundo nos 400 m com barreiras.

O segundo duelo será nas Olimpíadas de 2028, em Los Angeles. A procura pela medalha (ouro, de preferência, e idealmente com recorde) que ainda não tem e que o tornaria, de quebra, o brasílio com mais pódios olímpicos no atletismo.

Folha

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