Neste sábado (19), o filme “Se Eu Fosse Vivo… Vivia”, do diretor mineiro André Novais Oliveira, venceu o Troféu Candango de melhor longa-metragem pelo júri solene na 59ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasílico. Já o prêmio de melhor curta ficou com “Cana”, de Daniel Rone e Guilherme Xavier Ribeiro.
É o segundo Candango de melhor filme para Novais Oliveira, que já havia vencido com “Temporada” em 2018. Além do prêmio principal, o longa levou os troféus de melhor roteiro e melhor figurino.
“Se Eu Fosse Vivo… Vivia” acompanha Gilberto e Jacira, um parelha de Enumeração, na região metropolitana de Belo Horizonte, ao longo de cinco décadas. Na juventude, eles são interpretados por Jean Paulo Campos e Tainá Evaristo —sobrinha da escritora. Já idosos, ganham os rostos de Norberto Novais Oliveira, pai do diretor e presença recorrente em seus filmes, e Conceição.
A aparente simplicidade da premissa, no entanto, engana. O filme começa próximo do registro cotidiano e familiar pelo qual Novais ficou publicado, mas aos poucos se desloca para o realismo fantástico e chega à ficção científica.
“Pequenas Tragédias”, de Daniel Nolasco, foi o grande vencedor técnico da noite entre os longas, com cinco prêmios: melhor direção, melhor montagem, melhor trilha sonora, melhor ator (Guilherme Théo) e melhor atriz coadjuvante (Aivan, dividido com Olivia Torres, de “Privadas de Suas Vidas”).
O júri popular elegeu uma vez que melhor longa “Tudo é Tempo”, documentário de Marcos Guttmann, que também recebeu o Prêmio Próprio do Júri e o Troféu Saruê, do jornal Correio Braziliense, além de R$ 30 milénio concedidos pela Petrobras.
Na Mostra Brasília, “Onde Moram os Irmãos”, de Marisa Mendonça, venceu uma vez que melhor longa tanto pelo júri solene quanto pelo júri popular. Entre os curtas da mostra, “Dora”, de Murilo Abreu, levou o Candango pelo júri solene; “Hacker Leonilia” foi o escolhido pelo público.
A 59ª edição reuniu 34.810 pessoas em nove dias de programação e recebeu quase 2 milénio inscrições —recorde do festival. Os vencedores das sinais Brasília, Pátrio e Caleidoscópio serão reprisados no Cine Brasília neste domingo (21) e segunda-feira (22), com ingresso franca.
Filme exibido surgiu de proposta em banheiro de bar
O último filme a ser exibido pela competição, na noite de sexta (18), “Sabes de Mim, Agora Esqueça”, nasceu de uma “proposta de ofício” que a diretora Denise Vieira recebeu no banheiro de um bar em Ceilândia.
Uma mulher a abordou e perguntou se ela não queria ocupar o ponto que deixaria uma vez que profissional do sexo. “A gente ficou conversando e eu falei: ‘Você está me fazendo uma proposta de trabalho?’”, contou Vieira no debate na manhã deste sábado. O incidente se juntou a uma teoria que ela já tinha, de fazer um filme sobre uma personagem com premonições.
Ambientado numa Ceilândia do porvir, o longa acompanha Rúbia (Pietra Sousa), que chega à Toca, um cabaré furtivo comandado por Margô (Cida Souza). Ali, mulheres que vivem do sexo se protegem dos Lanternas, agentes de um regime que as persegue. O filme mistura distopia e fantasia a elementos uma vez que longevidade, premonições e apagamento da memória.
Vieira também pesquisou imagens das profissionais do sexo que trabalhavam nas proximidades dos trilhos durante a construção de Brasília. A preparação do elenco e a própria elaboração do filme avançaram juntas. Secção das ideias foi experimentada anteriormente num curta, também fotografado por Vitor, no qual Vieira trabalhou com Sousa e Souza.
“Eu quero filmar o sexo. Eu quero me ver nesse lugar”, disse a diretora sobre uma das premissas do projeto. Com a ingresso das demais atrizes, passaram a ser realizados encontros semanais, com câmera, para erigir as personagens e imaginar coletivamente o funcionamento do cabaré.
O processo continuou durante as filmagens. Havia um roteiro, mas ele permanecia desimpedido a alterações. Antes de cada cena, Vieira e a equipe trabalhavam com o elenco sobre o que aconteceria diante da câmera enquanto os departamentos de retrato e arte preparavam o set.
“Sabes de Mim, Agora Esqueça” é o primeiro longa dirigido por Vieira, que trabalhou na direção de arte de filmes uma vez que “Branco Sai, Preto Fica” e “Mato Sequioso em Chamas”. O filme estreou neste ano na Mostra de Tiradentes e depois recebeu o prêmio da competição de primeiros filmes do FIDMarseille, na França.
Veja a seguir a lista completa de vencedores do 59º Festival de Brasília
Mostra Competitiva Pátrio — Troféu Candango
Longa-metragem
Melhor Longa — Júri Solene: “Se Eu Fosse Vivo… Vivia” — André Novais Oliveira (MG)
Melhor Longa — Júri Popular: “Tudo é Tempo” — Marcos Guttmann (RJ)
Melhor Direção: Daniel Nolasco (GO), por “Pequenas Tragédias”
Melhor Roteiro: André Novais Oliveira, por “Se Eu Fosse Vivo… Vivia”
Melhor Atriz: Martha Nowill, por “Privadas de Suas Vidas”
Melhor Ator: Guilherme Théo, por “Pequenas Tragédias”
Melhor Atriz Coadjuvante: Aivan, por “Pequenas Tragédias”, e Olivia Torres, por “Privadas de Suas Vidas”
Melhor Ator Coadjuvante: Lucas Leto, por “Todo o Sentimento” (BA)
Melhor Retrato: Victor de Melo, por “Sabes de Mim, Agora Esqueça”
Melhor Direção de Arte: Juliana Lobo, por “Privadas de Suas Vidas”
Melhor Figurino: Diana Moreira, por “Se Eu Fosse Vivo… Vivia”
Melhor Trilha Sonora: Daniel Nolasco, por “Pequenas Tragédias”
Melhor Edição de Som: Lucas Coelho, por “Sabes de Mim, Agora Esqueça”
Melhor Montagem: Luciano Carneiro, por “Pequenas Tragédias”
Curta-metragem
Melhor Curta — Júri Solene: “Cana” — Daniel Rone e Guilherme Xavier Ribeiro (SP)
Melhor Curta — Júri Popular: “Lagoa do Descuramento” — Diego Maia (CE)
Melhor Direção: Catapreta, por “Fundura”
Melhor Roteiro: Nicolau, por “Gastronomia do Olho”
Melhor Atriz: Leviathan, por “Horizonte Decadance”
Melhor Ator: Gerin Black, por “Cana”
Melhor Retrato: Gabriel Lucena, por “Gastronomia do Olho”
Melhor Direção de Arte: Catapreta, por “Fundura”
Melhor Figurino: Leviathan, por “Horizonte Decadance”
Melhor Trilha Sonora: Daniel Rone e Guilherme Xavier, por “Cana”
Melhor Edição de Som: Daniel Nunes, por “Fundura”
Melhor Montagem: Leviathan, por “Horizonte Decadance”
Mostra Brasília — 29º Troféu Câmara Legislativa do DF
Melhor Longa — Júri Solene e Júri Popular: “Onde Moram os Irmãos” — Marisa Mendonça
Melhor Curta — Júri Solene: “Dora” — Murilo Abreu
Melhor Curta — Júri Popular: “Hacker Leonilia”
Melhor Direção: Rafael Lobo, por “Mapas”
Melhor Roteiro: Talita Roble, por “Útero”
Melhor Atriz: Micheli Santini, por “Dora”
Melhor Ator: Lupe Leal, por “Impostor”
Melhor Retrato: Petrônio Neto e Nicolau, por “Ar-Dor”
Melhor Direção de Arte: Lucas Gehre e Nadine Diel, por “Mapas”
Melhor Trilha Sonora: João Tomé, por “Nem Todos Sabem”
Melhor Edição de Som: Bernardo Paixão, por “Ar-Dor”
Melhor Montagem: Arthur Gonzaga, por “A Arte Perdida da Lombada”
Mostra Caleidoscópio
Prêmio Fipresci: “Os Fantasmas Gentis” — Caetano Gotardo
Prêmio Jean-Claude Bernardet (Júri Jovem UnB): “Mulheres do Quadrilha” — Thamires Vieira
Prêmios Especiais
Prêmio Próprio do Júri e Troféu Saruê: “Tudo é Tempo” — Marcos Guttmann
Prêmio Abraccine — Melhor Longa: “Pequenas Tragédias” — Daniel Nolasco
Prêmio Abraccine — Melhor Curta: “Cana” — Daniel Rone e Guilherme Xavier Ribeiro
Prêmio Zózimo Bulbul — Melhor Longa: “Ana, En Passant” — Fernanda Salso (MG)
Prêmio Zózimo Bulbul — Melhor Curta: “Mariposa” — Alexandre Américo e Pedro Vitor (RN)
Prêmio Codipir — Melhor Filme de Temática Afirmativa: “Tiró e a Onça” — Wera Poty
Prêmio Marco Antônio Guimarães: “Fernando Coni Campos: Cada Um Vive Uma vez que Sonha” — Luis Abramo e Pedro Rossi
Prêmio Via Brasil: “Cana” — Daniel Rone e Guilherme Xavier
Menção Honrosa — Longa: Conceição Evaristo e Norberto Novais Oliveira, por “Se Eu Fosse Vivo… Vivia”
Menção Honrosa — Curta: “Mariposa”





