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Flip 2026 é a maior da história, e estrutura preocupa
Celebridades Cultura

Flip 2026 é a maior da história, e estrutura preocupa – 26/07/2026 – Ilustrada

É solene —a Flip 2026 reuniu o maior público de sua história, uma suspeita que já rondava quem caminhava pelas ruas de Paraty desde a última quarta-feira, quando a sarau começou. Foram 40 milénio visitantes no festival literário deste ano, 5 milénio a mais que na edição anterior, segundo os dados da prefeitura.

Se o número denota um inegável sucesso, também alerta para uma preocupação cada vez mais aguda entre os organizadores —porquê fazer uma sarau tão grande, num núcleo histórico com capacidade limitada, continuar aprazível para o seu público?

Enfim, conversar com leitores que visitavam Paraty era ouvir, ao lado de elogios admirados por autores, reclamações constantes sobre as filas e desorganização.

Paraty vira uma espécie de meca dos fãs de literatura nos dias de julho em que a sarau costuma suceder —e a variedade de autores e mesas, agora, é maior do que nunca. Houve um recorde de 46 casas parceiras, com programação paralela à principal, e a estimativa do diretor artístico da Flip, Mauro Munhoz, era que houvesse quase milénio eventos programados para os cinco dias.

Em conversa com jornalistas no fecho, neste domingo (26), outra questão ainda veio à tona, aquilo que os organizadores chamaram de “casas piratas”, que montam programação sem firmar parceria com a Associação Vivenda Azul, responsável pela Flip.

A educadora Belita Cermelli, que dirige o programa educativo do festival, expressou preocupação com filas mal administradas e “situações que podem ser perigosas”, no contexto de um evento que “sempre priorizou a vantagem técnica”. Citou o tumulto numa mesa que reuniu a ministra Cármen Lúcia, a escritora Conceição Evaristo e a jornalista Míriam Leitão, neste sábado (25).

Na ocasião, pessoas que esperaram mais de três horas não conseguiram entrar no sítio onde o evento aconteceria, a pousada Porto Imperial, com capacidade limitada a respeito de 40 pessoas.

Munhoz, o diretor da Flip, se apressou para expressar que o evento, intitulado Brasil de Histórias, não era uma morada parceira. “Ela não entrou no sistema da Flip. É um paradoxal isso”, reclamou.

A programação foi feita pelo conduto Querido Mundo, que respondeu a reclamações nas redes dizendo que “a procura realmente superou as expectativas” e lamentou a frustração dos leitores.

Para além desse incidente específico, o caso pede uma reflexão sobre a sustentabilidade do espaçoso sistema de casas paralelas da Flip, que viraram quase um padrão de negócio próprio, operado por editoras, livrarias e instituições congregadas. Há, por exemplo, autores que pagam para reservar espaços, contando que a visibilidade valerá a pena.

Se a profusão de parcerias pode ser atrativa para o público, Cermelli diz que as “casas piratas” jogam “contra o ecossistema necessário para que a Flip continue”.

“As pessoas percebem quais casas parceiras respeitam a cidade e a precedência da programação principal. E as outras estão em velhos paradigmas que não param mais em pé”, afirmou Munhoz.

Ele lembra ainda dos acordos de sustentabilidade exigidos em contrato para realizar o evento.

Rita Palmeira, que assumiu a curadoria do festival pela primeira vez, diz que não há risco de a programação do resto da cidade obliterar a atenção ao palco principal —a razão pela qual as pessoas vêm a Paraty é a Flip, por fim, não as casas parceiras.

Houve arestas a serem aparadas nessa relação, conforme contou a curadora. Ficou “sabendo pela prensa” que o Sesc traria para sua morada a americana Angela Davis, ícone do ativismo mundial. Procurou a instituição oferecendo que a mesa acontecesse no palco do telão por receios

com “a segurança da plateia”.

“Fizemos reuniões, houve negociação, e eles acharam melhor fazer por conta própria”, afirmou. A mesa lotou o espaço do Sesc Caborê, com capacidade de 700 pessoas, sem ocorrências graves.

Enquanto isso, no palco principal —que abriga no supremo 499 visitantes—, a britânica Zadie Smith fazia uma das palestras mais aguardadas desta edição do festival porquê o nome mais vistoso do elenco de Palmeira, que privilegiou autores premiados, mas menos famosos.

Houve muitos acertos. A grande revelação talvez tenha sido o cardeal português José Tolentino de Mendonça, que não só fez uma mesa de eminente nível com o poeta mineiro Edimilson de Almeida Pereira, mas celebrou uma missa com bastante repercussão no primeiro dia de Flip.

Tolentino ficou entre os dez autores mais vendidos, e outros escritores que se beneficiaram da boa performance em suas mesas para popularizar livros foram o guatemalteco Eduardo Halfon e a ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federalista.

A magistrada protagonizou o maior evento do palco principal da Flip —o público chegou a subir na ponte para ver o telão que exibia sua palestra. A ministra também amealhou um assédio surpreendente nas ruas de Paraty —mesmo acompanhada de seguranças, não conseguia caminhar nas ruas sem parar para tirar

selfies e ouvir gritos elogiosos.

Sua fala, que misturou piadas com a resguardo contumaz da participação popular na política, adiantou outro oração bastante presente na programação deste ano, o feminista. O tom apareceu, em diferentes matizes, em mesas porquê a da angolana Ana Paula Tavares e a que reuniu a franco-mauriciana Nathacha Appanah com a baiana Bethânia Pires Amaro.

Bethânia também personificou o bom momento da literatura brasileira selado no evento, que teve ingressos concorridos para a mesa que juntou Andréa del Fuego, de “A Pediatra”, e Paulliny Tort, da revelação “Os Imortais”. As três autoras saem dsta dição da Flip mais sedimentadas porquê nomes de

proa da cena literária pátrio.

A mesa do imortal Milton Hatoum, outra das mais aguardadas, acabou prejudicada pela pouquidade física de seu companheiro de conversa, o líbio-americano Hisham Matar —que participou por vídeo, impedido de viajar por uma emergência familiar. A tecnologia truncou um debate que, ao vivo, seria mais originário.

Falando nisso, a transmissão na tenda do telão foi o maior claro de reclamações de quem acompanhou as mesas. O espaço, voltado a democratizar o chegada a uma programação com ingressos salgados, a R$ 140, já tem menos assentos que em anos anteriores, com 400 cadeiras.

Neste ano, o áudio teve mais ruídos, a tela travou em algumas mesas e a transmissão da tradução simultânea sobrepôs a voz original dos autores estrangeiros, dificultando a vida de quem assistiu à programação por lá.

Ali foi onde mais se sentiu o golpe de orçamento da Flip, que viu sua verba desabar 48% em relação ao ano pretérito, com patrocinadores acuados por eleições e incertezas no cenário mundial, segundo a direção da sarau.

Aí está a incoerência. A Flip cresce cada vez mais em popularidade, oferecendo um leque maior de programação de qualidade aos leitores. Mas a estrutura do evento e da cidade não acompanham o ritmo. A ver porquê essa conta vai fechar daqui para a frente, nas próximas edições.

FLIPOU

Inconstância das casas parceiras

Leque de opções de programação para leitores nunca foi tão vasto

Cármen Lúcia

Ministra do STF foi tietada nas ruas e ovacionada na palestra mais enxurro

Angela Davis

Maior nome da Flip, ativista reuniu público imenso na Vivenda do Sesc

Autoras brasileiras

Andréa del Fuego, Bethânia Pires Amaro e Paulliny Tort se destacaram

José Tolentino de Mendonça

Poeta e cardeal português emocionou porquê a maior revelação da Flip

FLOPOU

Problemas no telão

Ruídos, travamentos e tradução simultânea foram reclamações constantes

Enel

Paraty ficou sem luz na noite de quinta, um problema familiar à população sítio

Lotação nas ruas

Meio histórico tem dificuldade de acoitar dezenas de milhares de visitantes

Desorganização das filas

Várias casas parceiras com espaço pequeno deixaram leitores esperando perdidos

Preços

Subida demanda tornou ainda mais difícil fazer repasto com bom custo-benefício

Folha

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