Flup 2026 começa com Ana Maria Gonçalves e Djamila Ribeiro – 24/09/2026 – Ilustrada
A 16ª edição da Sarau Literária das Periferias, a Flup, começou homenageando Ana Maria Gonçalves, escritora e a primeira mulher negra a se tornar imortal da Liceu Brasileira de Letras, a ABL.
Reunindo diversos nomes importantes da cultura e da literatura, o evento terá convidados uma vez que Conceição Evaristo, Kimberlé Crenshaw e Gilberto Gil. O evento começou nesta quarta-feira (23) e se estende até domingo (27), no núcleo do Rio de Janeiro.
A orifício da Flup contou a Guerra da Memória, que reuniu 700 estudantes de dez escolas da rede pública nas atividades de geração por meio da literatura e das memórias de seus territórios. Também teve um momento de tomar a bênção das mais velhas, em uma prática antigo realizada pela rezadeira Nicinha.
Já na mesa “As filhas das filhas das filhas”, a autora de “Um Defeito de Cor” e a filósofa Djamila Ribeiro, colunista da Folha, discutiram pautas uma vez que mestiçagem, trabalho doméstico e saúde das mulheres negras, com mediação da historiadora Angélica Ferrarez.
O objetivo da conversa foi debater as trajetórias de mulheres negras, partindo da relação entre os personagens Vó Antônia, que Djamila abordou no livro “Cartas para Minha Avó”, e Kehinde, protagonista fictícia do romance da imortal da ABL.
“‘Um Defeito de Cor’ foi a minha ensino, o meu letramento racial”, disse a autora. “Foi por meio desse livro que entendi a história, a vivência de mulheres e quais são os tentáculos da escravidão que apanham a gente cá em vários lugares. Foi um livro de autoconhecimento para mim e para muita gente que aprendeu sua história por meio dele.”
“Foi um livro que me curou, me trouxe volta pra honrar esse lugar”, afirmou Djamila sobre sua obra. “O lugar do zelo uma vez que esteio. De poder olhar para essa ancestralidade feminina que foi tão importante quanto meu pai.”
Gonçalves disse confiar no poder das mulheres negras. “Tem aquela frase famosa da Angela Davis de que, quando uma mulher negra se movimenta, toda a sociedade é obrigada a se movimentar com ela. O movimento de transfixar espaço para a gente nesses lugares já é um espaço de fazer a sociedade se movimentar”, disse a homenageada sobre seu pioneirismo na ABL.
“A literatura pode individualizar as pessoas, dando nome a uma trajetória e uma história, para que não fiquem somente generalizadas. Não são somente ‘os escravizados’; é uma pessoa que tem um nome, que tem uma existência e um lugar social no mundo”, acrescentou a imortal.
Ao término do evento, houve a entrega do Prêmio Na Palma da Mão, com o objetivo de reconhecer as rodas de samba e novos talentos. A Flup tem curadoria de Mame-Fatou Niang, profissional em literatura, identidade, raça e questões pós-coloniais na França contemporânea.
O festival está dividido em alguns espaços do núcleo do Rio. A programação literária aborda temas uma vez que racismo, memória, gênero, diáspora e ancestralidade no Teatro Carlos Gomes. A rossio Tiradentes e o Salão Guarani recebem performances teatrais e manifestações de cultura negra e periférica, incluindo encontros de afoxés, rodas de samba, festival de acarajé e batalhas de slam.
A programação do festival se estende até domingo. No dia 24, haverá mesas que reúnem diferentes gerações e perspectivas sobre literatura, cinema, direitos e questões raciais em que Conceição Evaristo se encontra com Cidinha da Silva. No mesmo dia, ocorre a entrega do Prêmio João e Júlia do Rio de crônicas.
No dia 25, o evento reúne nomes uma vez que Elisa Lucinda e Cida Bento para discutir o pensamento e a produção cultural negra. À noite, as jornalistas Flávia Oliveira e Isabela Reis, mãe e filha, fazem uma edição ao vivo do podcast Angu de Grilo.
No sábado (26), a programação inclui uma mesa com a americana Kimberlé Crenshaw, uma das idealizadoras do concepção de interseccionalidade, que será entrevistada por Ana Maria Gonçalves e Jurema Werneck. Os músicos Gilberto Gil e Duquesa também falam no mesmo dia.
Para fechar a edição deste ano, no domingo (27), Linn da Quebrada e Vita Pereira se encontram no Teatro Carlos Gomes. Na Terreiro Tiradentes, o Encontro de Rimas reúne jovens de diferentes territórios periféricos do Rio para uma disputa de versos autorais e repentista.
Haverá também Guerra do Passinho, de barbeiros e até campeonato de altinha, atividade esportiva muito generalidade nas praias dos Rio. No último dia, também há uma programação mais voltada ao público infantil, com a mediação Caixa de Brinquedos.





