Uma retrato feita sem qualquer pretensão artística além do registro do cotidiano ganhou, 17 anos depois, um dos maiores reconhecimentos da publicidade mundial.
A campanha Sinfonia da Pujança, criada a partir de uma teoria nascida de uma imagem do fotojornalista Paulo Pinto, conquistou neste ano o Leão de Ouro no Festival Internacional de Originalidade de Cannes, na França.
Considerado o prêmio mais importante da indústria global da notícia e da publicidade, o Festival de Cannes Lions reúne anualmente milhares de campanhas de dezenas de países. O Leão de Ouro está entre as principais distinções do evento e reconhece trabalhos de superioridade criativa, capazes de transformar ideias em impacto cultural, social ou mercadológico.
A origem da história remonta a agosto de 2009, quando Paulo fotografou pássaros pousados sobre fios elétricos em Santana do Livramento, no Rio Grande do Sul, sua cidade natal. Na era, ele passava férias na cidade, embora já morasse em São Paulo desde a dez de 1990, onde construiu uma sólida curso no fotojornalismo.
Ao longo de mais de três décadas de profissão, trabalhou em alguns dos principais veículos de prensa do país, registrando acontecimentos marcantes da vida política, social, econômica e cultural brasileira. Seu trabalho lhe rendeu diversos prêmios nacionais e reconhecimento pela sensibilidade do olhar documental.
Naquele dia, porém, não havia qualquer taxa próprio. Depois do almoço, acompanhou a mãe até a moradia do vizinho, publicado por nutrir diariamente os pássaros da região. Foi ela quem chamou sua atenção para a quantidade de aves alinhadas sobre os fios.
Dias depois, a imagem publicada em jornal chamou a atenção do músico, compositor e publicitário Jarbas Agnelli, que enxergou nos cinco fios uma taxa músico e transformou a posição das aves em notas.
“Eu olhei para cima e pensei: parece uma partitura músico. Não entendo de música, portanto ficou somente nessa sensação. Fiz centenas de fotos e escolhi aquela sem imaginar que, anos depois, ela realmente se transformaria em música”, recorda Paulo Pinto.
Quatro dias em seguida a publicação da retrato, ele recebeu um e-mail inesperado.
“Era o Jarbas dizendo que tinha recortado a foto do jornal, levado para o piano e formado uma música usando a posição dos pássaros porquê notas. Fiquei emocionado. Uma retrato virar música já é um tanto inopinado.”
Ao responder à mensagem, Paulo enviou ao compositor a imagem original, em subida solução. Poucos minutos depois, recebeu novidade resposta.
“Ele escreveu: ‘Tem mais passarinhos cá. Tem mais notas. Vou voltar para o piano’. Meia hora depois, mandou a versão definitiva.”
A formação, intitulada Birds on the Wires, rapidamente ganhou repercussão internacional. Publicado no YouTube ainda em 2009, o vídeo alcançou mais de um milhão de visualizações em poucos dias, tornou-se um dos conteúdos mais vistos da plataforma naquele período e, no ano seguinte, foi selecionado para apresentações promovidas pela Instauração Guggenheim, incluindo uma realização com músicos da Juilliard School, em Novidade York.
Em 2024, Jarbas Agnelli procurou novamente o fotógrafo com uma proposta dissemelhante: transformar a teoria original em uma sinfonia. A invitação da Associação Brasileira de Distribuidores de Pujança Elétrica (Abradee), o compositor reuniu centenas de fotografias de pássaros sobre fios enviadas por fotógrafos de várias regiões do país.
Murado de 60 imagens passaram a integrar a partitura da Sinfonia da Pujança, campanha criada para mostrar a convívio entre as aves e as redes elétricas e que, neste ano, recebeu o Leão de Ouro em Cannes, reconhecimento outorgado às campanhas consideradas referência mundial em originalidade e inovação.
Paulo participou novamente do projeto com fotografias produzidas no mesmo sítio onde tudo começou: “Voltamos para Santana do Livramento. Minha mãe já havia falecido. O vizinho que alimentava os passarinhos também. Era o mesmo lugar, mas outra história. Aquela retrato ganhou uma dimensão que ninguém poderia imaginar.”
A notícia da premiação chegou por mensagem enviada por Jarbas diretamente de Cannes: “Ele escreveu somente: ‘Estamos em Cannes. Acabamos de lucrar o Leão de Ouro’. Eu nunca imaginei que uma retrato feita na frente da moradia da minha mãe pudesse chegar tão longe.”
“As pessoas procuram cenas extraordinárias, mas muitas vezes elas estão nas coisas mais simples. Todo mundo via aqueles passarinhos. Eu vi uma retrato. O Jarbas viu uma melodia. Cada um completou o olhar do outro.”
Para Paulo, o significado daquela retrato ficou ainda mais evidente anos depois, quando voltou a Santana do Livramento para dar perenidade ao projeto e já não encontrou a mesma cena diante da moradia onde tudo começou:
“Quando voltei, não havia mais os passarinhos nos fios. Foi aí que entendi que eles tinham ido para o mundo. E foi exatamente isso que aconteceu. Aqueles pássaros saíram dali e viajaram pelo planeta por meio da retrato, da música e, agora, da sinfonia. Aquele momento registrado em 2009 deixou de ser somente uma cena do cotidiano para lucrar novos significados e perceber pessoas em diferentes países. No término das contas, os passarinhos realmente voaram.”








