Financial Times
As principais economias do mundo intensificaram os esforços para se proteger de um grande ataque cibernético contra o setor financeiro e os mercados globais. Para isso, planejam realizar exercícios de emergência em meio à crescente preocupação com os riscos apresentados por modelos avançados de lucidez sintético.
Ministros das Finanças do G7 discutiram nesta semana, em Bangkok, a realização de simulações e exercícios de mesa para preparar respostas a futuros ataques. Durante a reunião anual do FMI (Fundo Monetário Internacional), autoridades governamentais e executivos de bancos reunidos na Tailândia manifestaram preocupação crescente com os chamados riscos desconhecidos, cujas dimensões ainda não são compreendidas.
Banqueiros e autoridades governamentais reuniram-se na Tailândia para o encontro anual do FMI
–
Lillian Suwanrumpha – 16.out.26/AFP
“Os vice-ministros das Finanças do G7 vinham discutindo a teoria de realizar exercícios de mesa sobre IA avançada”, afirmou a ministra das Finanças do Japão, Satsuki Katayama. Segundo ela, o grupo concordou em realizar as simulações.
A decisão do G7 de simular cenários de ataque e testar a capacidade de resposta ocorre em meio a apelos por maior cooperação internacional para enfrentar a crescente ameaço cibernética.
Nas últimas semanas, o presidente da Coreia do Sul afirmou possuir indícios de que modelos de IA foram usados em ataques a bancos. Já a Poder de Conduta Financeira do Reino Uno alertou que modelos avançados de lucidez sintético estavam identificando falhas de segurança cibernética mais rapidamente do que as empresas de serviços financeiros conseguiam corrigi-las.
“Estamos todos olhando para a mesma caixa-preta. Vemos os riscos, mas uma vez que mourejar com eles? Se alguns países possuem a tecnologia, mas o mundo inteiro pode ser vítima dela, a cooperação internacional é muito importante. É isso que desculpa inquietação”, afirmou Eelco Heinen, ministro das Finanças dos Países Baixos.
O FMI iniciou sua reunião anual nesta semana destacando o transgressão cibernético potencializado pela lucidez sintético uma vez que uma das três principais ameaças percebidas à segurança financeira. Em seu principal relatório sobre segurança financeira global, publicado na terça-feira (13), a instituição alertou que os modelos de IA estavam se tornando ferramentas poderosas para viabilizar ataques cibernéticos, que poderiam se transformar em uma natividade de risco sistêmico.
“Incidentes cibernéticos graves podem zarpar a crédito nos mercados e interromper infraestruturas e operações essenciais dos mercados financeiros”, afirmou o relatório do FMI.
Os exercícios propostos, que podem envolver bancos comerciais, consistiriam em simulações elaboradas por diferentes autoridades financeiras dos países do G7, segundo um funcionário que participou da reunião dos ministros das Finanças.
Os resultados serviriam para testar a eficiência dos planos de emergência já existentes dos governos para enfrentar grandes ataques cibernéticos e identificar falhas, acrescentou a natividade.
Autoridades e executivos de superior escalão de bancos reunidos em Bangkok alertaram, em conversas reservadas, para a ameaço sem precedentes representada por ataques cibernéticos. Eles também manifestaram preocupação crescente de que os sistemas financeiros mundiais talvez não estejam preparados para uma ofensiva potencializada pela lucidez sintético.
“Nenhum banqueiro quer sugerir que uma crise está prestes a ocorrer, por isso a linguagem ainda é cautelosa. Mas acho que as pessoas do setor estão muito concentradas nos riscos desconhecidos da IA e, naturalmente, isso é bastante terrífico”, afirmou o principal responsável pela gestão de riscos de um banco do Oriente Médio.
Uma pessoa familiarizada com as discussões comparou o treino de mesa a um teste em simulador de voo, no qual pilotos treinam suas respostas a situações de emergência. Os cenários podem incluir o uso de IA para ampliar a eficiência de um ataque cibernético e a inclusão de infraestruturas relacionadas à lucidez sintético entre os alvos, disse a natividade.
Caio Ferreira, vice-chefe da ramificação de estudo de mercados globais do FMI, afirmou que a ameaço cibernética à segurança financeira está aumentando.
Segundo ele, a digitalização crescente e disseminada amplia a chamada “superfície de ataque”, ou seja, o conjunto de pontos vulneráveis que hackers podem explorar. Ou por outra, a submissão cada vez maior dos mercados financeiros em relação a prestadores de serviços terceirizados concentra riscos em determinados pontos da infraestrutura. Uma interrupção nesses nós poderia ter consequências sistêmicas.
A ameaço vem tanto de criminosos cibernéticos quanto de agentes estatais.
“Isso pode se tornar muito, muito difícil. Se você simplesmente interromper alguns desses prestadores de serviços essenciais e os serviços financeiros ficarem paralisados por qualquer tempo […] mesmo sem perdas financeiras materiais, a perda de crédito pode, por si só, se transformar em um evento sistêmico”, afirmou Ferreira.
O FMI alertou que modelos de lucidez sintético mais avançados estão tornando a resguardo cibernética mais difícil. A instituição destacou, em privado, a redução do pausa entre a divulgação de vulnerabilidades de segurança e a exploração dessas falhas por invasores.
Em 2026, em mais de 70% dos casos, a exploração ocorreu, em média, antes da divulgação da vulnerabilidade ou no mesmo dia. O percentual representa um aumento de 20 pontos percentuais em relação a 2025 e supera a taxa de tapume de 20% registrada em 2018.
Durante as reuniões em Bangkok, o FSB (Juízo de Firmeza Financeira) discutiu com ministros maneiras de mourejar com os riscos sistêmicos associados à lucidez sintético.
Andrew Bailey, presidente do Banco da Inglaterra e do FSB, afirmou que os reguladores intensificaram o ritmo e a intensidade dos trabalhos sobre o tema. Ele defendeu a ampliação dos testes de modelos de IA e a adoção de padrões de segurança mais rigorosos.





