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Guerra Israel Hamas divide meio artístico com censura 18/05/2026
Celebridades Cultura

Guerra Israel-Hamas divide meio artístico com censura – 18/05/2026 – Ilustrada

Da Bienal de Veneza ao festival Eurovision, passando por Hollywood e grandes shows, a cultura se intensificou, nos últimos anos, porquê o palco de uma série de cancelamentos detonados pela guerra Israel-Hamas e pelos conflitos no Irã e no Líbano.

De um lado, artistas têm sofrido ameaças e retaliações por se posicionarem contra o governo israelense, pressionados por grupos políticos que julgam porquê antissemita a sátira ao Estado judeu. De outro, a presença de Israel em importantes eventos despertou uma vaga de aversão e boicotes a nomes ligados ao país.

Um dos episódios mais recentes envolveu a repúdio do júri da Bienal de Veneza em seguida o colegiado anunciar que não premiaria artistas de países com líderes acusados de crimes contra a humanidade, uma indireta à Rússia e a Israel. Em repúdio à participação dos países, tapume de 20 nações fecharam seus pavilhões.

Críticos ao cancelamento de Israel viram uma discriminação, já que muitos artistas saíram em resguardo de Khaled Sabsabi, representante da Austrália, criminado de supostamente exaltar o Hezbollah num trabalho macróbio.

Já o estatuário israelense Belu-Simion Fainaru, representante do país, celebrou a repúdio do júri. “Sou um artista e tenho os mesmos direitos, e não posso ser julgado por pertencer a um país ou raça”, disse ao jornal The New York Times. Foi um comportamento dissemelhante do de sua conterrânea Ruth Patir, que, há dois anos, condicionou a preâmbulo do pavilhão pátrio a um cessar-fogo em Gaza.

Na última semana, foi a vez de Espanha, Islândia, Irlanda, Países Baixos e Eslovênia se retirarem da 70ª edição do Eurovision, em protesto contra a participação de Israel. Sobre a decisão, o premiê espanhol Pedro Sánchez disse ter persuasão de que seu país está “do lado evidente da história”.

Para Carlos Reiss, diretor do Museu do Sacrifício de Curitiba, a estratégia é injusta. “O boicote é uma forma de responsabilização coletiva, o que reforça o apagamento de diferenças internas e normaliza preconceitos”, afirma.

Esse estado de alerta fermenta há pelo menos quatro anos. Em 2022, um incidente emblemático foi a remoção de um pintura do coletivo Taring Padi, criminado de antissemitismo na Documenta de Kassel por representações estereotipadas. O caso levou à geração de códigos de conduta que agora são usados para monitorar e, em alguns casos, restringir trabalhos críticos a Israel no meio.

Naquele ano, o artista judeu David Reeb teve uma pintura sua removida de uma exposição coletiva em Israel, sob querela de antissemitismo. Segundo a curadora brasileira Daniela Labra, hoje em Berlim, os casos pioraram com o início da guerra em Gaza, em outubro de 2023. “Não que você posta alguma coisa de pedestal à desculpa Palestina, porque corre o risco de perder os fundos [privados]”, ela afirma.

No mês seguinte ao início do conflito, a artista judia sul-africana Candice Breitz teve uma exposição cancelada na Alemanha. Já no fronte hollywoodiano, a mexicana Melissa Barrera foi demitida do elenco de “Pânico 7” em seguida publicar mensagens pró-Palestina.

Em março de 2024, o debate foi amplificado no Oscar, quando o cineasta Jonathan Glazer foi premiado por “Zona de Interesse”, sobre o cotidiano de uma família nazista que vive vizinha a um campo de extermínio.

“Estamos cá porquê pessoas que refutam que o seu judaísmo e o Sacrifício sejam sequestrados por uma ocupação que levou muitas pessoas inocentes ao conflito, sejam os israelenses vítimas do 7 de outubro ou [os palestinos] do ataque em Gaza”, afirmou —e foi execrado por grupos pró-Israel.

O caso ecoou a cerimônia de 1978, quando Vanessa Redgrave foi repreendida por produzir o documentário “The Palestinian”. Na quadra, a organização radical Liga de Resguardo Judaica impediu sessões do filme em cinemas e pressionou para que Redgrave fosse demitida pela Fox.

Ao agradecer o Oscar por “Julia”, a atriz criticou “grupos de sionistas raivosos”. Na hora, ela foi repreendida pelo roteirista Paddy Chayefsky, ovacionado pela plateia; nos anos seguintes, sofreu repudiação de produtores.

O incidente é lembrado em “Hollywood and Israel”, livro no qual o acadêmico britânico Tony Shaw e o israelense Giora Goodman analisam porquê Hollywood ajudou a produzir uma imagem positiva de Israel. O movimento aconteceu nas telas e também nos bastidores, com pressões políticas e relações diplomáticas informais.

“A influência de executivos pró-Israel e diplomatas israelenses, por vezes trabalhando em simetria, tem um papel importante na geração de filmes e programas de TV em Hollywood sobre Israel, sionismo e árabes ao longo das décadas”, afirma Tony Shaw. O ponto é quebradiço, lembra o perito, e é preciso ter zelo para não desabar no exposição antissemita e em teorias conspiratórias.

“Países e comunidades árabes também querem influenciar a mídia e Hollywood, mas não têm a mesma associação histórica”, diz Shaw, lembrando que a instauração da maioria dos grandes estúdios se deveu a imigrantes judeus, nas décadas de 1910 e 1920.

“Grupos pró-Israel são secção de uma história maior. Devemos explorar francamente as associações dos judeus americanos com Israel, sem declarar que todos os judeus apoiam Israel”, diz o responsável.

No ano pretérito, rappers do grupo irlandês Kneecap tiveram seus vistos americanos revogados em seguida criticarem a crise na Palestina no palco do Coachella. Meses depois, foi a vez do festival de música Sónar, em Barcelona, suportar boicotes por ter envolvimento com a empresa de investimentos KKR, que financia companhias israelenses de segurança do dedo e fábricas de armamentos.

Ações porquê essas são coordenadas pelo movimento Boicote, Desinvestimento e Sanções, o BDS, que visa pressionar a desocupação de territórios palestinos. A campanha afirma não discriminar indivíduos, a menos que sejam representantes oficiais do Estado, mas o cenário gera situações nebulosas. Mesmo cineastas críticos ao governo podem ser barrados em festivais se utilizarem verba do país em suas produções.

“Nunca conseguiria financiar o meu filme com moeda israelense hoje”, afirma Netalie Braun, diretora de “Shooting”, sobre os bastidores das propagandas de guerra do Tropa israelense. O documentário teve sessões atacadas por grupos de direita na Universidade de Tel Aviv.

Outro caso envolveu o cineasta israelense Nadav Lapid. Criticado pelo ministro da Cultura de Israel por seu filme mais recente “Yes”, de 2025, ele não deve mais conseguir financiamento do país. “Nos meus filmes, eu sacudo a consciência dos israelenses, até que não consigam mais desviar o olhar”, diz o diretor. “Tenho sorte de fazer filmes com o moeda europeu. O problema é o susto das instituições de lá.”

Em fevereiro deste ano, a diretora do Festival de Berlim, Tricia Tuttle, quase foi demitida pelo ministro da Cultura teuto por suposto antissemitismo —isso porque apareceu, numa foto, com a equipe de um filme palestino, ainda que ela tenha defendido uma posição de neutralidade no evento.

Já no início de maio, o premiê do Reino Uno, Keir Starmer, acusou o Parecer de Artes britânico de financiar artistas que supostamente promovem o ódio contra judeus.

Uma pesquisa do ano pretérito da PEN America indicou que doadores e membros de conselhos pressionam diretores de museus americanos a evitarem conteúdos relacionados à Palestina. A obtenção de uma obra de Nan Goldin pela Galeria de Arte de Ontário, no Canadá, foi barrada, em janeiro, pelo parecer devido ao ativismo da fotógrafa.

Especialistas têm alertado para a instrumentalização do antissemitismo. “O problema é que críticas radicais a Israel não podem ser feitas sob risco de serem tratadas porquê antissemitismo”, diz Michel Gherman, coordenador do Núcleo Interdisciplinar de Estudos Judaicos da Universidade Federalista do Rio de Janeiro.

Fernando Lottenberg, jurisperito e mentor da Organização dos Estados Americanos, vê exceções. “Quando se transforma em um tanto que nega o recta de Israel de viver porquê um Estado, que nega o recta dos judeus de se autodeterminarem porquê um povo, que exige que Israel se comporte porquê um padrão que não é exigido de nenhum outro país”, diz.

Gherman, porém, alerta que o processo de geração de Israel tem suas próprias especificidades, e, por isso, diz ser oriundo que sejam feitas exigências diferentes.

A discussão reverbera em Brasília. Neste ano, a deputada federalista Tabata Amaral, do PSB, propôs um projeto de lei que pretende criminalizar discursos contrários à existência do Estado de Israel ou que o comparam com regimes de apartheid.

Nos Estados Unidos, esse mecanismo já existe, devido a um decreto de Donald Trump que incluiu o antissemitismo nas proteções dos direitos civis, proibindo a discriminação com base em raça, cor ou origem pátrio em programas que recebam recursos federais.

A lei usa a definição de antissemitismo elaborada pela Federação Internacional para a Memória do Sacrifício, a IHRA. O grupo condena manifestações que tratam Israel porquê um empreendimento racista ou que comparam as políticas israelenses às de regimes fascistas.

“É uma pena que a discussão sobre a IHRA esteja desvirtuada. A definição não quer qualificar ou criminalizar ações e manifestações pontuais porquê antissemitas, ou seja, tornar-se vinculante juridicamente. Para isso, existe um busto lítico”, afirma Carlos Reiss, do Museu do Sacrifício de Curitiba.

Organizações que monitoram a liberdade de prensa também mostraram preocupação, em abril, com a compra da Warner pela Paramount, que tornaria David Ellison um dos maiores empresários de mídia no país —seu pai, Larry, é próximo de Binyamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel.

Em meio a esse debate, chamou a atenção o silêncio sobre temas políticos no palco do Oscar deste ano, conforme a premiação ocorria em meio ao estouro da guerra de Israel e Estados Unidos contra o Irã.

“Cineastas ‘sérios’ sabem quando permanecer em silêncio. Essa prudência aumenta conforme o cinema se torna um campo mais vulnerável”, diz Nadav Lapid. “Não entendo quando decidiram odiar a teoria de debater. E que exista somente uma versão e que essas pessoas são anjos e os outros, demônios. Artisticamente, é um sinistro.”

Polêmicas nos últimos anos

2023

  • Roger Waters, ex-Pink Floyd, tem shows cancelados na Alemanha em seguida críticas a Israel no palco
  • Melissa Barrera é demitida do elenco de ‘Pânico 7’ por concordar a Palestina
  • Museu teuto cancela mostra da artista judia sul-africana Candice Breitz por ‘declarações controversas’ sobre Gaza

2024

2025

  • Rappers do Kneecap têm vistos americanos revogados em seguida criticarem Israel no festival Coachella
  • Margem Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo tem show interrompido em seguida mostrar a bandeira palestina no palco
  • Shows do israelense Dudu Tassa com Jonny Greenwood são cancelados por pressão de grupos pró-Palestina em seguida proclamação de passagem por Tel Aviv

2026

  • Javier Bardem, Susan Saradon e a atriz judia Hannah Einbinder dizem ter dificuldades em Hollywood em seguida se manifestarem pela Palestina
  • Diretora do Festival de Berlim quase é demitida por suposto antissemitismo
  • Mubi perde assinantes por envolvimento com fundo associado a investimentos em empresas de Israel
  • Na Bienal de Veneza, o júri renuncia em protesto contra Rússia e Israel, e tapume de 20 países fecham os seus pavilhões
  • Países porquê Espanha e Irlanda deixam o festival Eurovision em boicote a Israel

Folha

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