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Influenciador faz pegadinhas com o ChatGPT e viraliza 16/07/2026
Tecnologia

Influenciador faz pegadinhas com o ChatGPT e viraliza – 16/07/2026 – Economia

Se segmento do trabalho dos humoristas é rir da rostro de figuras públicas, não é de surpreender que a vidraça da vez seja um personagem que passou a fazer segmento da vida das pessoas nos últimos anos: o ChatGPT.

O protótipo de linguagem da OpenAI é o claro de um influenciador e humorista chamado Matt Husk (@husk.irl), que explodiu no último mês no TikTok e no Instagram. Todos os dias, Husk submete o serviço de voz do ChatGPT a testes simples —não só para mostrar uma vez que o robô erra, mas também uma vez que garante que está claro.

As situações são criativas. Em uma das que mais repercutiu, Husk pede ao robô que cronometre uma corrida sua. O influenciador não sai do lugar, dois segundos depois avisa que já voltou, e o chatbot crava: demorou 10 minutos e 12 segundos.

Em outra, Husk pede ao ChatGPT que faça um “beatbox” enquanto rima por cima da batida. O protótipo de linguagem se embanana quando o influenciador começa a trovar, porque está programado para responder ao interlocutor.

É o contra-senso das situações que faz o testemunha rir. “Meu Deus, pisei em areia movediça!”, diz o influenciador em um dos quadros. O robô responde com deboche: “Você está afundando em areia movediça imaginária!”.

O ChatGPT está na maioria absoluta dos vídeos, mas vez ou outra surge qualquer outro protótipo. No YouTube, ele chega a flertar com uma mulher virtual gerada por IA, fingindo que os dois estão em um restaurante —a vergonha alheia é de doer.

O que tem chamado atenção não é tanto o número de seguidores de Husk nas redes sociais (621 milénio no TikTok e quase 900 milénio no Instagram), mas o engajamento de seus vídeos. Segundo dados levantados pelo site Axios, a taxa de engajamento de perfis uma vez que o de Husk no Instagram costuma ser de menos de 1%. Os do humorista, porém, com frequência ultrapassam os 10%. E alguns posts recentes ficaram na fita de 35% a 55%.

Husk nasceu no Maine e vive em New Hampshire, nos Estados Unidos. Ao contrário de outros influenciadores, ele não fala muito da própria vida em seus conteúdos —mas contou algumas histórias em uma entrevista recente ao podcast Tom and D.

O influenciador já fazia perguntas e pedidos bizarros ao ChatGPT há muito tempo, mas em privado. Um dia, resolveu filmar uma vez que o robô reagiria a uma explosão nuclear e publicou o vídeo no TikTok; no dia seguinte, a postagem já tinha mais de 100 milénio visualizações. Husk viu ali que tinha desvelado um novo formato de humor.

O tom quase inexpressivo do influenciador, em contraste com o estilo prestativo do robô, contribui para a perdão dos vídeos. É uma vez que se Husk tivesse criado um personagem sob medida para irritar o ChatGPT, que, no entanto, nunca deixa seu ar cordial e próximo do servil.

O sucesso do vídeo da corrida gerou uma resposta até de Sam Altman, o CEO da OpenAI. Numa entrevista ao podcast Mostly Human, o executivo reagiu ao vídeo da falsa corrida de Husk, dizendo que esse é um problema espargido e o protótipo de voz ainda não tem a capacidade de cronometrar zero, mas que há planos de incluir essa habilidade no serviço em qualquer momento.

Críticos têm indigitado uma vez que problema não o roupa de o robô ser incapaz de cronometrar um pouco, mas mentir que é capaz de fazê-lo. E teimar no erro mesmo quando é questionado.

Num vídeo feito em sequência, Husk pergunta ao chatbot se ele consegue configurar um cronômetro e, diante da resposta positiva, resolve mostrar ao robô a entrevista de Altman dizendo o contrário —mesmo assim, o ChatGPT insiste que é sim capaz dessa habilidade, para portanto errar a escrutinação outra vez.

Husk ainda insiste na piada e fala que um dos dois está mentindo. O robô responde que só pode ter alguma confusão.

As piadas de Husk acabam revelando um pouco mais profundo, ao explicitar um dos principais paradoxos no desenvolvimento da perceptibilidade sintético. O mundo nunca teve modelos tão avançados, que se saem tão muito nas principais métricas de avaliação; mas, ao mesmo tempo, podem ser incapazes de realizar tarefas simples, uma vez que ver as horas.

“Isso é inerente ao mecanismo de treinamento e funcionamento dos modelos, mas está melhorando rápido com os modelos de raciocínio”, diz o professor da PUC-SP Diogo Cortiz, doutor em Tecnologias da Perceptibilidade e Design Do dedo.

“Conforme as pessoas usam a IA, elas vão percebendo as limitações. Esse influenciador viraliza por conseguir encontrar falhas muito específicas. Esses deslizes podem nos ajudar a refletir e colocar o pé no freio, ver que essa tecnologia tem limitações.”

Os pesquisadores de IA chegam a usar a frase “jagged frontier” (fronteira irregular) para definir esse paradoxo. O termo, popularizado por pesquisadores da Universidade Harvard e do Boston Consulting Group no item “Navigating the Jagged Technological Frontier” (2023), serve para manifestar que a fronteira da IA não avança de um jeito uniforme.

Alguns analistas chegam mesmo a manifestar que vivemos não a era da AGI (sintético general intelligence), que seria superior à humana, mas da AJI (sintético jagged intelligence), ou perceptibilidade irregular. Pode ser até uma pedra no exposição das empresas que prometem uma tecnologia que supere a humanidade —mas que é engraçado, isso é.



Folha

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