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Ingrid Guimarães equipara lançamento a campanha política 02/09/2026
Celebridades Cultura

Ingrid Guimarães equipara lançamento a campanha política – 02/09/2026 – Ilustrada

Ingrid Guimarães se mostra preocupada no meio da entrevista a levante jornal. “Patranha? Você está brincando?”, diz, ao deslindar, por meio da reportagem, que o último filme do Varão-Aranha, ainda em edital, havia ultrapassado “Vingadores: Ultimato” nas bilheterias brasileiras e ameaçava se tornar o maior sucesso do país —dias antes de sua comédia “Minha Melhor Amiga” chegar aos cinemas, nesta quinta-feira (3).

Uma das atrizes que mais pleiteia espaço nas telonas para comédias nacionais, Guimarães afirma que, se a luta no pretérito era desigual, agora está pior. “A gente divulga filme porquê campanha política”, diz. “Estamos sempre entre um varão que explode, um bicho que voa, um Varão-Aranha, bilhões de dólares. Antes, a gente enfrentava esses caras. Hoje não dá mais.”

Ao lado dela, a também humorista Mônica Martelli tenta pacificar o clima. “Não fala disso agora, ela já está tensa cá”, pede ela, fazendo piada com a frase de receio no rosto da outra.

Atriz que mais levou público aos cinemas neste século, Guimarães tem um traumatismo muito específico com os filmes da Marvel. Há sete anos, ela usou numerário próprio para lançar “De Pernas pro Ar 3”, mas se revoltou ao ver a comédia sumir das salas para dar lugar a “Vingadores: Ultimato” —justamente o longa agora superado pelo aracnídeo.

O caso se tornou simbólico na luta pela lei da Quota de Tela, que obriga as exibidoras a reservar segmento da programação para produções nacionais, mecanismo expirado no governo de Jair Bolsonaro, em 2021.

Embora a medida tenha sido retomada pelo presidente Lula, do PT, há dois anos, Guimarães tem motivo para ainda permanecer aflita com blockbusters.

A Folha mostrou em maio que a rede Cinemark, líder de mercado no país, vinha exibindo mais de século vezes ao dia, somente no estado de São Paulo, uma animação brasileira de 2024. As sessões, quase completamente vazias, eram programadas majoritariamente em horários porquê 11h e meio-dia para satisfazer mais rapidamente a meta estabelecida pela Quota de Tela.

Guimarães diz que “a Quota de Tela não é um obséquio”, e que casos porquê levante mostram que a classe “precisa batalhar para que se regularize”.

Outras exibidoras, porquê Cinesystem e Cinépolis, fizeram um pouco parecido —embora em volume menos alarmante—, usando de viela principalmente filmes infantojuvenis, tradicionalmente mais curtos.

Na prática, as maiores redes de cinema do país encontraram uma brecha na lei da Quota de Tela e vêm concentrando sessões de filmes nacionais em horários de baixa demanda, para satisfazer a obrigação, mas ainda manter os horários de maior procura disponíveis para produções de maior apelo mercantil —porquê o novo “Varão-Aranha: Um Novo Dia”, que domina as salas do país há mais de um mês.

Guimarães e Martelli aproveitam a força mercantil que construíram para tentar vender seu peixe diretamente aos líderes das exibidoras. A Paris Filmes, que distribui “Minha Melhor Amiga”, organizou uma sessão para representantes da Cinemark, Kinoplex e Cinépolis, que, segundo reportagem do FilmeB, se declararam dispostos a apostar de verdade no filme.

“Sabe quando se filipeta na rua? Nessa sarau, eu e Mônica ficamos uma hora e meia em pé e falamos com donos de cinema do Brasil todo”, conta Guimarães. “A gente pede ‘vamos botar o filme em horário bom?’. Falamos de um por um. É porquê guerra de político.”

Embora defenda uma retomada completa do cinema vernáculo, nunca restaurado da pandemia, Guimarães diz que é “super pé no pavimento” e que será difícil ver filmes nacionais formando aqueles públicos robustos de cinco, às vezes quase 10 milhões de espectadores, porquê alguns conseguiram no pretérito.

Foi o caso de “Minha Mãe É uma Peça 3”, de 2019, protagonizado pelo ator Paulo Gustavo, que levou murado de 9 milhões de pessoas às telonas e se tornou o filme de maior arrecadação da história no país.

A comédia é dirigida por Susana Garcia, que emplacou também os sucessos “Minha Vida em Marte”, com Martelli e Gustavo, e “Minha Mana e Eu”, primeiro filme a somar 1 milhão de espectadores depois a pandemia. Agora, ela dirige o novo “Minha Melhor Amiga”, que marca a estreia de Guimarães e Martelli juntas nos cinemas.

Para tentar entender desempenho semelhante dos hits anteriores, diretora e protagonistas decidiram repuxar “Minha Melhor Amiga” de maio para setembro para fugir da luta com blockbusters porquê “O Diabo Veste Prada 2” e a cinebiografia de Michael Jackson, que estrearam naquele mês.

Outra aposta do trio foi repetir uma estratégia de marketing adotada há anos por Garcia —levar ao título do filme a vocábulo “minha” seguida de um termo que se refira a uma relação afetiva. Segundo a diretora, que vem testando a fórmula em seus últimos filmes, isso ajuda a fazer o testemunha pensar que tem de ver o filme com alguém querido —e, assim, vendem-se mais ingressos.

Para levante longa, a teoria é que o público vá aos cinemas com amigos do peito. Na história, a jornalista bem-sucedida Júlia, vivida por Martelli, está cansada dos homens que conhece, e convence sua melhor amiga, Clara, papel de Guimarães a viajar até Portugal para olvidar os problemas no matrimónio. Lá, além de visitarem as filhas que fazem intercâmbio, elas vão repensar os seus medos e as suas vontades.

As personagens refletem também o que Martelli, de 58 anos, e Guimarães, que tem 54, querem para si —uma vida com menos concessões.

Ambas celebram protagonizar um filme que elas próprias produziram e escreveram —com a ajuda de outros roteiristas—, e dirigido por outra mulher, também de 54 anos.

“Isso é novo. Antes, eram os homens que escreviam os nossos desejos, olha que loucura”, diz Martelli. “Eu, com 50 anos, me apaixonei de novo. Com 50 anos, me vi comprando calcinha para poder… Sabe? Antes, as mulheres achavam que essa temporada era o final da vida, mas é verosímil reescrever isso.”

Martelli e Guimarães construíram suas carreiras sobretudo na comédia e se tornaram, com Paulo Gustavo, os principais nomes do gênero no cinema dos últimos anos. As duas, que acumulam trabalhos na televisão e no teatro, se conheceram nos bastidores de um humorístico da TV Mundo nos anos 1990.

A história de “Minha Mana e Eu” é inspirada em viagens internacionais que Martelli e Guimarães fizeram e renderam vídeos engraçados nas redes. Isso, porém, fez segmento do público mostrar que, embora com boas intenções, o filme segmento de uma premissa um tanto específica, provável para mulheres ricas e privilegiadas.

Mas Guimarães e Martelli rebatem e dizem que a mensagem segue valendo para qualquer mulher, tenha ela muito ou pouco numerário.

“Independentemente do que se faz, meu paixão, você vai sentir pânico da separação, pânico de se envolver, pânico de perder a filha. Tudo isso acontece com qualquer mulher, em qualquer lugar, de qualquer classe social”, afirma Martelli.

Folha

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