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Jogo de estreia do Brasil na Copa ocorre em reduto
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Jogo de estreia do Brasil na Copa ocorre em reduto de brasileiros nos EUA – 11/06/2026 – Esporte

O vestuário de a estreia do Brasil na Despensa do Mundo neste sábado (13) ocorrer no MetLife Stadium, no estado de Novidade Jersey, criou uma coincidência: a largada da seleção será justamente naquele que é um reduto de imigrantes brasileiros nos Estados Unidos.

Há décadas Novidade Jersey, ao lado de Novidade York, tem reunido uma das mais importantes e volumosas diásporas brasileiras no país.

São imigrantes nascidos principalmente em Minas Gerais, um histórico polo de êxodo para os EUA, que criaram seus comércios e (literalmente) pintaram a região de verdejante e amarelo.

Em partes de Newark, cidade de 325 milénio habitantes que reúne a comunidade, é mais fácil escutar o português do que o inglês; ali, a língua solene americana é dispensável para sobreviver ao dia a dia.

O clima por vezes se assemelha ao de uma cidade do interno: muitos dentro da comunidade brasileira se conhecem.

Vera Andrade, 62, a “Verinha” do Hair Brazil, uma loja de mega hair com apliques de cabelo indiano que as americanas compram online, vive há 33 anos em Newark depois que deixou Guanhães, no interno de Minas.

Ela administra a loja, faz faxina para fora uma vez por semana e ainda organiza um brechó com as roupas doadas pelas patroas. Se preciso, também trabalha porquê manicure e depiladora. Conhece um por um na vizinhança e cada estabelecimento brasiliano.

Alguns dos institutos de pesquisa mais confiáveis nos EUA, porquê o Migration Policy Institute, dizem que hoje Novidade Jersey é o quarto estado dos EUA com mais brasileiros, em seguida Flórida, Massachusetts e Califórnia. Estimam que entre 55 milénio e 60 milénio brasileiros estejam ali, a uma hora de trem de Manhattan.

Mas fontes diplomáticas do Brasil dizem à reportagem que há um espaçoso desvio nos dados oficiais. Seriam, para os serviços consulares, em torno de 200 milénio brasileiros em Novidade Jersey.

A diáspora brasileira está concentrada na Costa Leste americana, com em torno de 1,5 milhão de imigrantes ali distribuídos.

Clima de Despensa

Se nas ruas da cidade de Novidade York ainda é difícil sentir o clima da Despensa do Mundo, em Newark o cenário é outro.

Ainda que muitos desses imigrantes não devam comparecer ao MetLife oferecido os preços abusivos dos ingressos (no mercado paralelo a ingresso para a estreia do Brasil saía por no mínimo US$ 1.200 nestes dias que antecedem o jogo), eles já se organizam para testemunhar juntos em lar e nos restaurantes.

A cidade estima que 200 milénio pessoas devem passar por ali no término de semana.

Novidade Jersey é um estado, em si, marcado pela transmigração. Em torno de um quarto de toda a população é formada por pessoas nascidas em outros países, e entre as dez principais nacionalidades está o Brasil.

Os produtos brasileiros estão por todo lado, e são consumidos não exclusivamente pelos brasileiros, mas por outras comunidades, em próprio as demais latinas que ali convivem.

Nos mercadinhos ali chamados de empórios, a caixa de paçoca, os sacos de pão de queijo congelados e os esmaltes de marcas brasileiras chamam a atenção muito posicionados. Mas os queridinhos, diz uma vendedora, são o bombom Ouro Branco e o arroz Tio João, originário de Pelotas (RS).

Em lojas de roupa logo ao lado, os biquínis no estilo brasiliano, muitos fio-dental, saem por US$ 50. A camiseta da seleção brasileira, por US$ 79,99. Fora da quadra de Despensa, as camisetas de time mais vendidas são as do Cruzeiro e do Atlético Mineiro, mais uma prova acumulada de que os mineiros são os líderes da transmigração brasileira para o país.

Em prateleiras ao lado, mais produtos de estética, com destaque para os body splash da WePink, marca da influenciadora Virgínia.

Falando a própria língua

Mas por que tantos brasileiros escolhem Novidade Jersey para viver?

Ao longo dos séculos 19 e 20, a cidade de Newark se tornou um importante polo industrial na Costa Leste americana, com produção de pele e cerveja e por estar cercada de rodovias importantes para o escoamento de produtos.

Imigrantes portugueses passaram a se estabelecer ali, criando uma espécie de enclave linguístico que, décadas depois, permitiu aos brasileiros se estabelecerem já com a certeza de que ao menos a língua eles saberiam velejar com tranquilidade.

Inúmeras pesquisas nos EUA mostram que etnia e língua são fatores-chave para facilitar que um recém-chegado imigrante encontre trabalho e consiga sociabilizar no país.

Os imigrantes brasileiros chegaram majoritariamente em seguida 2010 e têm uma média de 40 anos; muitos são homens, que migraram em procura de trabalho para enviar remessas a suas famílias no Brasil e, eventualmente, voltar ao país para edificar suas casas. Mas há diversos outros perfis, porquê pessoas que estão na cidade há quase 40 anos.

Comunicando-se em português a todo o momento, muitos desses imigrantes dizem que é reconfortante poder falar a própria língua em seguida enfrentar tantos desafios na novidade vida no exterior.

“Cá, se você entrar nas lojas falando inglês, vai é passar vergonha”, diz uma negociante que prefere não ter seu nome publicado porque ainda está esperando a estudo de seu pedido de asilo no país e teme ter a solicitação prejudicada.

Pavor do ICE

Esse tema, aliás, tem mudado a dinâmica sítio, afetando a vida pessoal e profissional dos imigrantes.

“O pessoal agora está com temor de trespassar, antes as ruas cá ficavam cheias”, diz Verinha. A vendedora mineira de mega hair possui o Green Card. Mas dois de seus irmãos que seguem nos EUA em situação irregular já estão com passagem comprada para voltar ao Brasil em dezembro deste ano em seguida décadas no país. Com temor de serem deportados, decidiram voltar voluntariamente, um tipo de história que exclusivamente se multiplica.

Vendedores relataram à reportagem que as ações do ICE, a polícia migratória americana, nas ruas de Newark têm ocorrido quase que diariamente. Os brasileiros trancam as portas dos comércios com temor de que os agentes se aproximem e muitas vezes mudam as escalas de trabalho para que colegas ainda irregulares não estejam presentes nos horários de maior ação dos agentes.

José Moreira, 59, originário de Ipatinga (MG), possui cinco restaurantes na região, entre eles uma churrascaria ocasião desde 1992. Ele vive em Newark há 37 anos, e conta que hoje seu público é formado por murado de 35% brasileiros e 30% americanos, além de uma terceira fração preenchida pelos latinos.

O rodízio é a maior procura de todos. Logo ali ao lado, anualmente, realiza-se o Brazilian Day, um mega festival com milhares de pessoas. Na edição de 2022, a principal atração foi o cantor baiano Léo Santana. Na última, de 2024, a também baiana Solange Almeida.

“As detenções afetam o nosso trabalho”, diz Moreira, que afirma que 20% do lucro universal dos restaurantes caiu por conta da novidade dinâmica de transmigração linha-dura estabelecida pelo governo de Donald Trump para promover a deportação de imigrantes em situação irregular. Muitos evitam deixar suas casas (e, portanto, ir aos comércios) com temor de serem pegos nas ruas.

Não muito longe de onde está concentrada a comunidade brasileira em Newark está a Delaney Hall, prisão onde são detidos imigrantes em Novidade Jersey. Em torno de 20 a 30 brasileiros costumam estar ali detidos semanalmente por processos migratórios.

Nas últimas semanas, uma série de protestos foi realizada nos periferia da prisão para questionar a requisito dos detentos e, em último proporção, a política migratória de Trump operacionalizada pelo ICE. Ao volta de 4% de todos os imigrantes detidos no país são brasileiros.

“[A Copa do Mundo] era para ser um momento de muita celebração, mas a gente ainda não consegue sentir isso”, diz à reportagem Rodrigo de Godoi, presidente da Mantena, uma ONG sítio que trabalha com os imigrantes brasileiros. “Muitos dos negócios passam por momento difícil, muitas famílias estão escondidas. É uma ferida que está ocasião”.

Folha

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