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Lançamentos às vésperas da Copa veem futebol além do campo
Celebridades Cultura

Lançamentos às vésperas da Copa veem futebol além do campo – 13/06/2026 – Ilustrada

É ano de Despensa do Mundo e, no Brasil, o futebol entra nas conversas, na rotina e também nos livros. Em meio ao clima de arquibancada, várias obras chegam ao mercado investigando o país em torno da globo.

Quando lançou “As Regras”, uma autoficção narrada de Despensa em Despensa, Lilian Sais ouviu de amigos que leriam o romance “apesar de não gostar de futebol”. A reação resgata um velho estereótipo brasiliano de que literatura e futebol habitariam universos opostos —um no campo da intelectualidade e outro na cultura popular.

Na contramão, a Feira do Livro aparece porquê exemplo bem-humorado, promovendo desde o ano pretérito partidas amistosas entre escritores e escritoras que desafiam essa lógica de mundos separados.

A maneira mais óbvia de aproximá-los, no entanto, é escrevendo sobre futebol. E às vésperas de uma edição da Despensa do Mundo que desperta o desinteresse de 54% da população brasileira —maior percentual desde que o Datafolha começou a fazer essa pesquisa, em 1994— a resposta pode estar nos livros.

Veja aquém obras lançadas nos meses que antecedem a Despensa do Mundo de 2026 e que exploram a dimensão emocional do evento.

‘Guia Solene da Despensa do Mundo da FIFA 2026’, de Keir Radnedge

Planeta; R$ 99,90 (128 págs.)

Uma leitura boa para ter à disposição ao longo do campeonato é esse guia escrito pelo jornalista britânico Keir Radnedge. O livro contém curiosidades sobre a globo e os mascotes oficiais, informações sobre as cidades-sede, estádios e seleções, apresentação dos maiores craques da competição, imagens históricas e estatísticas. Ao final, uma tábua permite ao leitor preencher e escoltar os resultados dos jogos.

‘Guia da Despensa: Nequice de Cobertura’, de Caíto Mainier, Daniel Furlan e Pedro Leite

Record; R$ 69,90 (200 págs.)

Esse é um guia menos técnico e mais bem-humorado. Munidos de comentários ácidos, os autores –conhecidos pelo programa de YouTube “Nequice de Cobertura”– apresentam e julgam cada uma das 48 seleções concorrentes. Entre as notações reservadas ao Brasil, há a seguinte: “Não vamos jogar contra o Brasil de 1970. E mesmo se jogássemos, faríamos jogo duro, porque a geração de 1970 é formada por octogenários ou por atletas já falecidos, mas muito melhores que os atuais”.

‘As Regras’, de Lilian Sais

DBA; R$ 76,90 (144 págs.)

Através das Copas do Mundo, Lilian Sais faz um retrato íntimo de sua família e acaba retratando diversos lares brasileiros. A estrutura é familiar: o pai é um torcedor enamorado e a família se reúne diante da TV para testemunhar ao Mundial de quatro em quatro anos. Ao revisitar a relação com o pai já morto, a autora levanta questões sobre seu próprio vínculo com o futebol.

‘Ontem Vi Meu Pai Chorar’, de Luiza Romão

Quelônio; R$ 74 (48 págs.)

Voltado a crianças, esse é mais um livro sobre uma filha que tem a relação com o pai permeada pelo futebol. Na obra de Luiza Romão, ambientada nos tempos em que os jogos ainda eram acompanhados pelo rádio, uma moça vê o pai chorar pela primeira vez posteriormente a guião de seu time. Intrigada por aquela emoção tão intensa, ela começa a se aventurar naquele universo para entender o que existe por trás de tanta paixão.

‘Camisa Onze’, de Vanessa Reis

Verus; R$ 69,90 (350 págs.)

Outro relacionamento atravessado pelo futebol é narrado nesse romance de Vanessa Reis. Os protagonistas de “Camisa Onze” são Ana Romário e Bebeto. Eles cresceram assistindo a Copas do Mundo juntos e se reencontram mais velhos, quando ela é uma zagueira famosa e ele, um fisioterapeuta esportivo.

‘Onar ’82’, de José Roberto de Castro Neves

Intrínseca; R$ 79,90 (224 págs.)

Na trama, pai e rebento pertencem a mundos diferentes –o mais velho é um comentarista esportivo que dedica a maior segmento de seu tempo a testemunhar jogos, enquanto o mais novo é do mundo do teatro e das artes. Seu encontro acontece na Despensa de 1982, quando o pai enfermo é zelo pelo rebento e eles assistem juntos aos jogos daquela seleção que, apesar de ter perdido, é tida por muitos porquê a melhor de todos os tempos.

‘O Grande Livro dos Craques’

Outro Planeta; R$ 109,90 (224 págs.)

Essa coletânea de craques lembra não só os nomes que marcaram o esporte, mas também os momentos que protagonizaram. De Pelé, Sócrates e Marta a Lionel Messi, Megan Rapinoe e Mohamed Salah, o livro narra histórias de superação e vitória de diferentes épocas e partes do mundo. Cada uma das figuras é ilustrada por Rodrigo Andrade.

‘Futebol Lado B’, de Ariel Palacios

Orbe Livros; R$ 74,90 (312 págs.)

Ariel Palacios não tenta explicar o futebol, mas observá-lo em toda a sua dificuldade. Nesse livro, ele mostra porquê o esporte é mais do que acontece no campo. O futebol, segundo o responsável, é um fenômeno contraditório capaz de unir multidões enquanto também espelha intolerâncias presentes na sociedade.

‘As Copas de Nelson Rodrigues’, organizado por Caco Coelho e Crica Rodrigues

Novidade Fronteira; R$ 199,90 (632 págs.)

Outro que olhava o futebol para além da globo era Nelson Rodrigues –o historiógrafo preferia observar quem corria detrás dela. Dividida em três volumes, essa coleção organizada por Caco Coelho e Crica Rodrigues reúne crônicas do responsável sobre as Copas de 1958 a 1970, narrando a conquista do tricampeonato a partir das arquibancadas.

‘Saudades do que Nunca Fomos: Brasileiros e o Futebol’, de Fabio Luis Barbosa dos Santos

Elefante; R$ 66 (160 págs.)

Desafiando a velha máxima de que futebol e política não se discutem, Fabio Luis Barbosa dos Santos une as duas coisas em um debate só e mostra porquê as mudanças no esporte estão ligadas às transformações políticas. Segundo o responsável, a recuperação do estilo que fez o futebol brasiliano único só é verosímil com a mudança da veras fora de campo.

‘A Terreno É Redonda’, de Jamil Chade e Milly Lacombe

Nós; R$ 70 (176 págs.)

Além de política, esse livro discute também identidade, violência e afeto através do futebol. Os jornalistas Jamil Chade e Milly Lacombe discutem o espaço do esporte em um mundo que parece prestes a implodir e de uma Despensa do Mundo nos Estados Unidos, país que perpetra grande segmento dessa tensão global.

Álbum Despensa do Mundo 2026

Panini; R$ 24,90 (112 págs.)

Editado todos os anos pela Panini. O álbum da Despensa do Mundo é livro, item de colecionador, pedaço da história e motivo de socialização. A edição deste ano é a maior da história, fazendo jus à maior Despensa da história, que pela primeira vez terá 48 seleções na corrida pela taça.

Folha

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