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Langston Hughes expõe a hipocrisia dos aliados brancos 24/05/2026
Celebridades Cultura

Langston Hughes expõe a hipocrisia dos aliados brancos – 24/05/2026 – Ilustrada

Foi Langston Hughes quem disse uma vez que preferiria morar numa quitinete no Harlem do que numa mansão em Westchester, dimensão superior de Novidade York.

“Coisa de Gente Branca” é sua florilégio de contos, publicada originalmente nos Estados Unidos em 1934, que acaba de lucrar uma edição pela Zahar e integra a novidade Coleção Harlem Renaissance.

Além do projeto gráfico caprichado, conta com a tradução precisa de José Roberto O’Shea e texto de apresentação de Mário Medeiros, em que o pesquisador contextualiza a obra do responsável à luz de sua recepção nos círculos intelectuais negros brasileiros.

Hughes foi um dos escritores mais prolíficos de sua geração, além de um dos maiores nomes da Renascença do Harlem, o movimento cultural que galvanizou a classe intelectual e artística negra dos Estados Unidos entre o final dos anos 1910 e meados da dezena de 1930.

Os contos da florilégio haviam sido publicados em sua maioria em veículos de prestígio, porquê Esquire e The American Mercury, e o lançamento desse material em livro lhes deu enfim a honra literária que já era merecida.

Hughes é o historiador mais agudo da condescendência branca e dos efeitos do mecenato branco nas artes e na cultura negra. Trocando em miúdos, Hughes teve que decorrer para que Jordan Peele pudesse voar.

O responsável nasceu numa família pobre do Kentucky e, até se tornar poeta e ensaísta, jogou nas 11. Trabalhou na marinha mercante, escreveu peças de teatro e cobriu a Guerra Social Espanhola para a prelo negra americana.

Seu pai abandonou a família e o país porque tinha ambições pessoais no México. Sua partida foi um baque irreparável, não unicamente sentimental, mas sobretudo financeiro. O garoto foi criado pela avó, uma mulher potente e politizada, dos quais primeiro marido havia sido assassinado por uma milícia escravocrata durante uma revolta libertador.

Hughes tinha um entendimento peculiar da política de sua quadra e uma sensibilidade muito cautelosa diante do papel social que ocupava. Evitava fazer críticas públicas a outros escritores negros, porque acreditava que esse era o tipo de coisa que minava a credibilidade de uma classe intelectual e artística ainda incipiente nos Estados Unidos.

Não foi sem alguma tristeza que acompanhou os ataques de James Baldwin e Ralph Ellison, os principais nomes da geração que o sucedeu, a outros autores negros, por um sem-número de polêmicas literárias que lhe pareciam fúteis e inapropriadas.

Ellison, que era um gênio, mas também podia ser um alpinista social desvergonhado, fez com Hughes o mesmo que havia feito anos antes com Richard Wright —usou e abusou de seus contatos e capital social, mas, tão logo sentiu que não precisava mais deles, os descartou e passou a atacá-los publicamente.

Já Baldwin se irritava com o traje de que Hughes, preto e gay porquê ele, tivesse optado por ser humilde quanto à própria sexualidade. Resenhando uma vez um livro dele, Baldwin abriu o texto com essa tijolada: “Sempre que o leio fico maravilhado com sua capacidade literária, mas deprimido com o traje de que a tenha usado tão mal”.

“Coisa de Gente Branca” é um livro sobre inadequação social e existencial. É sobretudo cético diante das tentativas de amizade dos brancos. O responsável tem olhos atentos aos limites da “política de respeitabilidade”: os esforços de assimilação dos negros, por meio do decoro e dos bons costumes, em uma sociedade disfuncional e marcada pela hipocrisia.

Esse ceticismo não surgiu do zero. No início da curso, Hughes teve contato com uma galera branca vagamente progressista, que se colocava num projecto moral mais ressaltado que o de sua contraparte racista e filistina.

Não obstante, era uma gente que adotava formas sutis de controle, às vezes material, muitas vezes simbólico, dos escritores e artistas negros que subvencionavam e aplaudiam nos salões chiques da quadra. “Coisa de Gente Branca” é uma ripada elegante nessa turma.

Foi uma obra de vanguarda em 1934, que mantém o mesmo frescor em 2026. Aliás, talvez tenha adquirido ainda mais urgência hoje, oferecido o contexto racial multíplice atual.

Hughes nunca chuta o cachorro morto do racismo mais truculento e óbvio. Não ataca, por exemplo, o sulista hipotético, com a bandeira dos Confederados tatuada no braço e aquela coisa toda. Seu intuito é mais corajoso, frágil e até contraintuitivo: a hipocrisia de quem se diz coligado.

Folha

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