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Livro alerta para colapso da razão sob o algoritmo
Tecnologia

Livro alerta para colapso da razão sob o algoritmo – 13/05/2026 – Economia

Democracia, liberdade, legitimidade e justiça ainda funcionam porquê pilares do Estado e do recta contemporâneo no oração. No cotidiano prosaico da vida real, porém, tornaram-se conchas ocas. Não são reconhecidas pelo cidadão geral. Porquê revivê-los?

Assim se resume a provocação —e principalmente a angústia— do livro “Lusco-fusco da Razão Ocidental – A Crise do Recta em Tempos de Domínio das Redes e da Lucidez Sintético”, que será lançado em São Paulo nesta quinta-feira (14).

Dada a trajetória, o responsável José Andrés Lopes da Costa até poderia ter redigido um manual em juridiquês. Professor e jurisconsulto nas áreas de recta tributário, bancário e de mercado de capitais, já publicou livros técnicos. Nesse caso, porém, preferiu destrinchar dilemas. Desenvolveu um experiência filosófico franco e um tanto perturbador sobre os dias que seguem.

Costa alerta para a seriedade de uma ruptura criada pelo envelhecimento originário das instituições. Uma espécie de “caos dos princípios”, porquê ele descreve.

“Sob o pretexto de realizar a justiça, o poder aprendeu a infringir à lei. Sob o pretexto de proteger a sociedade, aprendeu a punir sem norma. Sob o pretexto de servir ao muito geral, aprendeu a servir-se de si. O resultado é um mundo em que o recta já não limita o poder, somente o justifica.”

A rescisão do mundo porquê o conhecemos, explica o responsável, não chega a ser um problema em si. Ao longo dos capítulos, Costa demonstra porquê a lesma do desenvolvimento intelectual e jurídico se estendeu por séculos, até solidificar o raciocínio mais elaborado de hoje. Fica simples que ápices costumam ser seguidos de derrocadas —que abrem espaço para um novo salto. A construção ocorre em ciclos.

Ele lembra, por exemplo, que a Grécia trocou o oráculo pela razão, mas depois subverteu o debate pelo domínio do oração. Roma foi além da força da punhal e fundamentou a lei, mas, ao final, o regramento do Predomínio perdeu legitimidade. O cristianismo transformou a Igreja em tradutor de lei divina, mas o Iluminismo restituiu a ciência e o Estado aos homens.

O perturbador nesse início de século 21, alerta Costa, é o nunca antes visto —mas depressa— convívio com a máquina que pensa, uma interação com consequências ainda imprevisíveis, mas que já sinaliza riscos.

“As redes sociais foram apresentadas porquê herdeiras do ideal ateniense de participação. Prometeram entregar ao cidadão o poder de falar diretamente, sem intermediários. A utopia era de transparência e proximidade. Mas o que se construiu foi o contrário, ou seja, um sistema que mede tudo o que é dito e transforma cada sentença em oferecido, cada emoção em mercadoria”, afirma Costa no livro.

“O algoritmo não procura o melhor argumento, mas o teor que retém o olhar por mais tempo. Assim, a política deixou de ser arte de persuadir pela razão e tornou-se indústria de conquistar pela emoção.”

Costa não se opõe à tecnologia, pelo contrário. Entende que seus avanços fazem segmento de mais um ciclo. Mas questiona o ato de delegar poder a ela. Defende a urgência de humanização do ideário do dedo e que estejamos devidamente preparados para esse convívio.

Em um posfácio, ele chega a detalhar ambientes porquê OpenClaw e Moltbook, onde IAs autônomas não interagem com humanos, mas na relação entre elas demonstram ter todas as imperfeições de seus criadores.

As reflexões do texto também recorrem a Albert Camus, Hannah Arendt, Friedrich Nietzsche e outros filósofos que pensaram seu tempo e além. Cita, por exemplo, John Stuart Mill, que há mais de 200 anos, ainda na revolução industrial da máquina a vapor, muito definiu o duelo das redes sociais nos dias de hoje: “A liberdade depende da capacidade de resistir à coerção da opinião e à tirania da maioria, pois a verdadeira autonomia nasce da consciência e não da unanimidade”.

Em síntese, é verosímil manifestar que Costa lembra o indispensável um tanto esquecido: democracia demanda argumentação e não pode ser prisioneira de cliques.

Prudência e moderação, bases da justiça, não devem ceder aos poucos caracteres exigidos por uma velocidade emocional, mas acéfala. O algoritmo, movido por métricas de engajamento, sempre favorece a pataratice que indigna em detrimento da verdade que esclarece. Que mundo queremos?

Ao final, o responsável propõe uma esperança racional. “As palavras com que começamos —democracia, liberdade, justiça, paridade— podem restabelecer a mesocarpo. Elas não morreram. Estão somente à espera de quem as pronuncie com responsabilidade.”

Folha

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