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Livro analisa artes gráficas da editora José Olympio 18/08/2026
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Livro analisa artes gráficas da editora José Olympio – 18/08/2026 – Ilustrada

Nascido em Batatais, no interno de São Paulo, José Olympio ainda não tinha completado 18 anos quando conseguiu um serviço na seção de livros da tradicional Moradia Garraux, na capital paulista. No final da dezena de 1910, era o encarregado de limpar as estantes, entre outros serviços.

Tomou sabor pela vida de livreiro e virou balconista. Em 1931, abriu sua própria loja na cidade e, no ano seguinte, editou seu primeiro livro. Surgia a Livraria José Olympio Editora.

Transferiu o negócio para o Rio de Janeiro, onde ampliou o número de publicações. As vendas cresciam, o prestígio também. Em 1937, o Anuário Brasílico de Literatura, uma publicação voltada para o mercado editorial, referiu-se a José Olympio uma vez que “o maior editor vernáculo”.

Entre os primeiros autores da editora, estavam Rachel de Queiroz e José Lins do Rego. Mais tarde, Carlos Drummond de Andrade, Graciliano Ramos, Guimarães Rosa, Jorge Querido e um longo etc. Não há uma vez que pensar na literatura do país no século 20 sem considerar a José Olympio, mansão que hoje integra o grupo Record.

A reunião dos principais romancistas, poetas e cronistas da segunda temporada do modernismo brasílico consagrou a editora, mas não só. Havia, desde o início do projeto, um desvelo gráfico incomum para a era. As capas da José Olympio se tornaram “o símbolo da renovação incorporada ao sabor do público”, escreveu o crítico Antonio Candido em 1989.

Os projetos visuais das três primeiras décadas dessa trajetória são o tema do recém-lançado “Padrões e Variações – Artes Gráficas na Livraria José Olympio Editora”, da editora e designer Carla Fernanda Fontana. Ao longo de cinco anos, ela pesquisou quase 2.500 edições, além de documentos e reportagens sobre essas publicações.

Além do livro, uma exposição na Livraria Brasiliana Guita e José Mindlin (BBM), na USP, apresenta uma seleção de capas, ilustrações, esboços e artes-finais. A curadoria também é de Fontana.

Um dos protagonistas do livro e da mostra da BBM é o artista paraibano Tomás Santa Rosa, que foi do Nordeste para o Rio de Janeiro, portanto capital do país, em um trajectória semelhante ao de diversos autores do catálogo da editora.

Santa Rosa ficou muito associado ao universo gráfico da José Olympio graças ao requinte visual das suas criações e à presença uniforme nas capas –nos 22 anos em que esteve ligado à editora, preparou quase 300 layouts.

“Ele soube transcrever visualmente a literatura daquela era. Era próximo de todos esses escritores, eles conviviam no Rio”, diz Fontana. Entre seus amigos, estavam Lins do Rego e Jorge Querido.

Em “Roteiro de Arte”, livro de 1952, Santa Rosa indicou uma vez que seria uma toga ideal. Deveria ter “um título sóbrio, legível, muito distribuído de modo a ocultar o espaço visual com perspicuidade e propriedade”. Abominava o “variegado gritante”.

Alguns achados da pesquisa redimensionam a produção de Santa Rosa. Fontana constatou que pelo menos 11 capas, até portanto de autoria desconhecida, foram desenhadas pelo artista, uma peroração alcançada pelo aproximação a recibos com prestação de serviços.

Entre elas, estão as de “O Conde e o Passarinho”, de Rubem Braga, de 1936, e “Evidente Esfinge”, de Drummond, de 1951.

Fontana detalha as marcas do estilo de Santa Rosa e os projetos em que se envolveu. Mostra, por outro lado, que outros artistas contribuíram para a identidade visual da José Olympio, em peculiar Luis Jardim, Raul Brito, G. Bloow e Poty –todos eles, além de Santa Rosa, são contemplados na exposição.

Embora seja responsável de mais de 300 capas da editora, o pernambucano Jardim é pouco lembrado, mesmo entre aqueles que estudam o design gráfico no país. Ele criou, por exemplo, as capas de “Quinteiro do Ar”, de Drummond, de 1954, e de “Primeiras Estórias”, de Rosa, de 1962.

Além das capas, a pesquisadora se deteve nos livros ilustrados do catálogo da José Olympio. Nessa seara, tanto o livro quanto a exposição ressaltam a coleção dedicada às obras completas de Dostoiévski, que começou em 1944.

Além de Santa Rosa e Jardim, o projeto teve participação de artistas uma vez que Oswaldo Goeldi, Danilo di Prete, Marcelo Grassmann e Livio Abramo.

Folha

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