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Manuela Dias ilumina presença de mulheres na Independência 18/07/2026
Celebridades Cultura

Manuela Dias ilumina presença de mulheres na Independência – 18/07/2026 – Ilustrada

No ritmo ritmado do cordel, com a marca da oralidade da tradição nordestina, as mulheres são protagonistas das lutas que consolidaram a Independência do Brasil. Empunham crucifixos, erguem espingardas e castigam os oponentes com o calor das folhas de cansanção.

Em “Heroínas da Independência, a escritora e roteirista Manuela Dias transforma em versos as trajetórias de Maria Quitéria, Maria Felipa e Joana Angélica, mulheres que personificam a participação popular nas lutas pela emancipação do Brasil, que se estenderam na Bahia até 2 de julho de 1823.

O livro publicado pela editora Voante será lançado às 15h deste sábado (18) na livraria Terreno Libris, em Salvador, e no sábado seguinte (25) em São Paulo. A obra foi desenvolvida a partir da pesquisa para um longa-metragem de Manuela Dias em parceria com o ator e diretor Antônio Pitanga.

Na Bahia, as marcas do 2 de julho são profundas. O historiador Ubiratan Castro de Araújo costumava relembrar uma frase generalidade no século 19, sempre repetida em tom solene. “Maior que o Dois de Julho? Só Deus!”, diziam os baianos ao exaltar a grandeza da data.

Nascente pedaço importante da história, mas, por décadas permaneceu nas notas de rodapé dos livros didáticos em uma historiografia construída a partir do Grito do Ipiranga, tendo d. Pedro 1º porquê protagonista e o 7 de setembro porquê data-símbolo da conquista da independência.

O objetivo do livro e o filme, diz Manuela Dias, é restaurar a história de uma conquista da independência que zero teve de pacífica e foi marcada por lutas com poderoso participação popular.

A autora afirma que houve um apagamento da participação nordestina, feminina e negra na construção da Independência, com consequências que ultrapassam o campo da historiografia.

“Quem controla o pretérito, a narrativa do pretérito, é quem aponta as nossas setas para o horizonte. Saber que nós, povo, mulheres, nordestinos, participamos de uma guerra que resultou na Independência do nosso país é muito poder. E é por isso que tiram esse poder da gente”, afirma Manuela Dias à Folha.

O cordel tem porquê fio condutor as trajetórias da alferes Maria Quitéria de Jesus, da superiora Joana Angélica de Jesus e da marisqueira Maria Felipa de Oliveira, além de outras mulheres que participaram o processo de Independência, caso da imperatriz Maria Leopoldina.

Joana Angélica tinha 60 anos em fevereiro de 1822, quando os portugueses invadiram o convento da Lapa, em Salvador, em procura de rebeldes baianos. A matriz tentou impedir a ingresso dos soldados no claustro, mas eles avançaram e mataram a religiosa com a lâmina afiada de uma baioneta.

“Sempre muito arguta / Nunca foi psique bélica / Mas entra de vez pra luta”, escreve no cordel Dias, que sustenta que a matriz tinha consciência do papel que desempenhava ao homiziar os rebeldes, afastando dela um papel de vítima involuntária da guerra.

Maria Quitéria é outra personagem instigante apresentada no livro. Proveniente de São José das Itapororocas, região que hoje um província de Feira de Santana, ela ignorou as convenções da idade, fugiu para Catarata e vestiu-se de varão para se relacionar na guerra.

Foi invenção mulher por seus superiores, mas permaneceu nas tropas por suas habilidades no manejo de armas. Depois da guerra, em agosto de 1823, foi condecorada por d. Pedro e teve sua história descrita em um relato de viagem da britânica Maria Graham.

Já Maria Felipa representa a participação das mulheres negras nas lutas pela independência. Mesmo sem registros documentais definitivos sobre sua atuação na guerra, sua história permaneceu na memória verbal do povo da Ilhota de Itaparica, atravessando gerações por dois séculos.

A história conta de Maria Felipa organizou um tropa de mulheres insulanas, conhecidas porquê “vedetas”, para vigiar a movimentação dos navios portugueses. Um dos episódios mais conhecidos aponta que elas formaram um cerco e lutaram com facas e ramos de cansanção, folha que culpa queimaduras na pele.

Dias afirma que encontrou obras que colocavam em incerteza a própria existência da guerreira itaparicana. Mas vê porquê ponto de viradela em sua pesquisa a leitura de “Maria Felipa de Oliveira”, da historiadora Eny Kleyde Vasconcelos.

A pesquisa acabou se tornando uma peça médio do projeto sobre as heroínas da Independência. Manuela conta que encontrou um vasqueiro réplica do livro em um sebo, ficou impressionada com o trabalho e decidiu saber a historiadora.

Do encontro nasceu a teoria de republicar a obra, que foi reeditada pela Voante e também será lançada neste sábado em Salvador. Dias descreve a novidade edição porquê forma preservar essa memória: “É uma mulher contando a história de uma mulher que conta a história de uma mulher.”

A escolha do cordel porquê linguagem surgiu de maneira espontânea. A autora diz que nunca havia escrito um texto do gênero, mas percebeu que a musicalidade da tradição popular era a melhor forma de narrar aquelas histórias.

Paralelamente ao lançamento do livro, segue em desenvolvimento o roteiro do longa de ficção sobre a Independência, em parceria com Antônio Pitanga. Ainda não há previsão para o início das filmagens.

A escritora, que tem a romance “Vale Tudo” e o filme “Malês” entre seus trabalhos mais recentes, vê um interesse crescente do público em saber em os personagens da história brasileira, sobretudo aqueles que ficaram à margem.

“É impossível narrar a história do Brasil sem sublinhar a valia do Nordeste, da Bahia, das mulheres, dos indígenas e dos negros. Essa história é nossa e a gente precisa contá-la.”

Folha

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