Margareth Menezes ignora Barretos e distancia o sertanejo – 21/08/2026 – Gustavo Alonso
A cantora Margareth Menezes tornou-se a 20ª ministra da Cultura da história do Brasil em 1º de janeiro de 2023, empossada no primeiro dia do terceiro procuração do presidente Lula. Já se vão quase quatro anos de governo petista e até hoje a ministra não visitou a Sarau do Peão de Barretos, o maior evento sertanejo do Brasil desde o término dos anos 1980.
É na redondel do evento, cuja edição mais recente começou nesta quinta, que os melhores peões buscam acirradamente lucrar a montaria, pois a repercussão pátrio, e até internacional, é gigantesca.
Por sua vez, os cantores sertanejos têm no palco de Barretos o ponto culminante da curso. Levante ano, Gusttavo Lima foi escolhido legado da sarau, título que já adotou uma vez que seu sobrenome na curso. É a terceira vez que ele ocupa o missão rotativo.
Menezes, em seu período na vida pública, demonstrou um profundo desdém pela Sarau de Barretos, assim uma vez que o presidente Lula. A ministra-cantora tem origem músico no axé baiano dos anos 1980 e tem muito mais intimidade com as manifestações artísticas de determinada esquerda de classe média progressista, urbana e identitária. O mundo sertanejo passa longe do seu radar.
É compreensível que o presidente Lula tenha pânico de pisar na redondel de Barretos, pois corre o risco de uma vaia monumental. Justamente por isso, a ministra deveria ocupar leste lugar e erigir pontes.
Um ministro tem que ser, entre outras coisas, um braço do governo que procura dialogar com grupos específicos, blindando o patrão sumo. É provável que Menezes também fosse vaiada, mas ela demonstraria vontade de conversar com a cultura sertaneja.
Essa deveria ter sido a bandeira número um do governo no campo da cultura. Mas o terceiro procuração de Lula manteve a retórica histórica do petismo de repúdio infantil à revelação popular-massiva sertaneja, entregando-a de bandeja ao pescoço bolsonarista.
Margareth Menezes parece reproduzir uma visão de cultura muito alinhada às piores linhas do petismo: aquela que procura estigmatizar, ignorar e implodir qualquer tentativa de diálogo, sempre culpando um inimigo alhures, real ou imaginário. Aliás, qual o grande legado da ministra neste primeiro procuração? É difícil proferir, assim uma vez que em vários outros setores do governo.
E não se pode proferir que a ministra não goste de uma sarau. Menezes esteve na 56ª edição do Festival do Boi de Parintins, em junho de 2023, no primeiro ano de procuração. Ela bateu ponto no maior bumbódromo do país, marcando esteio à revelação amazonense, reconhecida uma vez que patrimônio cultural.
Os festejos de São João mais importantes do país também receberam a visitante dela, com uma visitante ao São João de Caruaru em junho do ano pretérito. Ela foi recebida na estação ferroviária pelo prefeito da cidade, conheceu manifestações tradicionais, uma vez que bandas de pífano e quadrilhas, e elogiou a grande estrutura da sarau no Recinto de Eventos Luiz Lua Gonzaga.
No ano anterior, ela havia visitado o São João de Chã Grande, na Paraíba. Ela conheceu o tradicional Parque do Povo e reforçou a influência da valorização das raízes do forró e da cultura popular nordestina.
São João e Carnaval, estas são as festas preferidas de Margareth Menezes. No ano pretérito, ela desfilou pela Mangueira no sambódromo do Rio de Janeiro, celebrando o enredo que homenageou as raízes baianas da escola.
Sua empolgação foi tamanha que ela cometeu uma gafe antirrepublicana. Um ministro em procuração não deveria desfilar por uma escola de samba em competição. Não pega muito com as outras escolas e deturpa o simbolismo da isonomia federalista.
Em sua Salvador natal, sua visitante gerou maiores complicadores, ao misturar valores republicanos e empresariais. Levante ano o Ministério Público pediu a investigação da ministra da Cultura por justificação de sua participação em um conjunto carnavalesco promovido por uma empresa com projetos aprovados pela Lei Rouanet.
De convénio com o órgão, mesmo com o aval da Percentagem de Moral Pública para que a ministra fizesse apresentações pagas, sem uso de verbas federais, a contratação efetuada por uma entidade com interesses diretos no próprio ministério poderia caracterizar conflito de interesses. Além da prefeitura soteropolitana, a cidade de Fortaleza também contratou a ministra-cantora nos mesmos problemáticos moldes.
Enfim, o que a não visitante da ministra a Barretos, ainda mais em ano eleitoral, diz sobre o governo petista? Que o mundo sertanejo não é uma cultura legítima aos olhos de nossas esquerdas hegemônicas. É um tiro no pé de quem se diz democrata e simples às diferenças.
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