Marilyn Monroe completaria século anos no dia 1º de junho. O marco não é exclusivamente uma data no calendário da nostalgia —é ocasião para uma ressurreição documental.
O público terá aproximação agora, pela primeira vez, a um material que ultrapassa o valor decorativo —a íntegra de última entrevista da atriz e imagens de sua derradeira sessão de fotos. Os materiais, que serão publicados em livro, revelam uma Marilyn sem o filtro dos estúdios.
Em São Paulo, as imagens estarão expostas no Museu da Imagem e do Som, o MIS, em maio, e serão acompanhadas de sessões de seus filmes, a partir do mês seguinte. A mostra vai compilar o registro bruto de uma mulher que tentava, pela primeira vez, ser dona da própria narrativa.
Na primavera de 1962, Marilyn mudou-se para a única mansão que realmente foi sua. Localizada na Fifth Helena Drive, em Brentwood, Los Angeles, a residência em estilo hacienda representava independência.
Aos 36 anos, ela não era mais a jovem moldada pelo sistema de Hollywood, mas uma artista madura, consciente de seu valor e de sua voz. Ali, detrás daqueles muros, ela tentava resgatar Norma Jeane Mortenson.
Nesse contexto, ela decidiu falar com Richard Meryman, editor da revista Life, e posar para o fotógrafo Allan Grant. O objetivo era simples, falar diretamente ao público americano, ignorando as fofocas e as pressões dos estúdios.
O encontro ocorreu em 7 de julho de 1962. Naquelas quatro horas gravadas em fita, Marilyn falou sobre notabilidade, numerário, privacidade e as contradições de ser adorada e criticada simultaneamente.
As fotografias que acompanham a entrevista foram tiradas dentro daquela mansão. Foi a única sessão profissional realizada no refúgio de Marilyn. Grant a fotografou em 12 rolos de filme, produzindo mais de 400 imagens.
Ele não era um fotógrafo generalidade de celebridades. Veterano da Life desde o termo da Segunda Guerra Mundial, Grant havia documentado testes de bombas atômicas no deserto de Nevada e o único voo do Spruce Goose do aviador Howard Hughes. Ele sabia uma vez que tomar a relevância de um evento histórico.
A história desses negativos é um capítulo à segmento. Em 1967, Grant perguntou a um editor da Life o que fariam com as fotos de Marilyn, morta cinco anos antes. A resposta foi o descaso. “Ninguém se importa mais com ela.”
Grant sabia que o editor estava incorrecto. Ele adquiriu os negativos e todos os direitos autorais, guardando o registro em um cofre em sua mansão. Durante décadas, licenciou exclusivamente uma pequena segmento do material, protegendo a intimidade daquele dia. Somente em 2024 sua família decidiu compartilhar o ror completo com o mundo.
Para entender a relevância dessa entrevista, é preciso olhar para o que cercava Marilyn. Os anos de 1961 e 1962 foram de colapso para a estrela hollywoodiana. Começou com o divórcio do dramaturgo Arthur Miller e a estreia de “Os Desajustados”.
O filme, escrito por Miller para Marilyn, tornou-se um epitáfio. Foi o último trabalho dela e de Clark Gable. O set, no deserto de Nevada, foi um tortura. Marilyn sentia que Miller usava sua dor real para cevar a personagem. E Gable, por sua vez, morreu dez dias depois o termo das filmagens. A viúva dele culpou o estresse pelos atrasos de Marilyn pelo ataque cardíaco que o matou.
A saúde dela estava em frangalhos. Internações por problemas na vesícula, endometriose e um incidente traumático na clínica psiquiátrica Payne Whitney, onde foi mantida em uma quartinho acolchoada, minaram sua resistência.
Joe DiMaggio, o ex-marido, foi quem a resgatou da clínica. Marilyn dependia de barbitúricos para suportar a rotina. Em maio de 1962, ela cantou o famoso “Happy Birthday” para o presidente John F. Kennedy. O vestido de cristais era uma segunda pele, mas a performance marcou o início de seu isolamento político. Ela havia se tornado uma “persona non grata” para o clã Kennedy.
Marilyn não estava exclusivamente sob a luz dos refletores; estava sob a mira do FBI. O dossiê de J. Edgar Hoover sobre a atriz acumulava mais de século páginas. Ela era vista uma vez que uma ameaço à segurança pátrio devido às suas ligações com intelectuais de esquerda e figuras uma vez que Frederick Vanderbilt Field, um herdeiro exilado no México com conexões comunistas.
Sua mansão em Brentwood estava grampeada. Agências federais e privadas monitoravam seus passos, temendo que sua instabilidade emocional revelasse segredos ouvidos nas alcovas do poder. Os relatórios descreviam seu estado mental com frieza burocrática, tratando a maior estrela do mundo uma vez que um risco estatístico. Marilyn vivia em um aquário vigiado por homens que temiam sua liberdade.
O livro “Marilyn: The Lost Photographs – The Last Interview”, a ser lançado em maio, traz a transcrição completa das quatro horas de conversa. Marilyn foi direta. Sobre a notabilidade, disse que era “passageira e, supra de tudo, um fardo”. “Você não imagina as coisas desagradáveis que ouço. As pessoas acham que têm o recta de vir até você e expressar qualquer coisa. É invasivo, para expressar o mínimo.”
Sobre sua posição na indústria, foi cortante. “Eu sou uma mercadoria? Não me vejo assim, mas tenho certeza de que uma certa corporação me enxerga exatamente desse jeito.” Ela se referia à 20th Century Fox, hoje 20th Century Studios, que a havia exonerado de seu último filme, “Something’s Got to Give”, alegando falta de profissionalismo.
Marilyn também revisitou sua puerícia difícil, passada em orfanatos e lares adotivos, e explicou uma vez que isso moldou sua urgência de ser namorada pelo público. “Se sou uma estrela, foi o povo quem me fez assim. Não foi nenhum estúdio, nem pessoa alguma. Foi o público”, afirmou. Ela defendia a teoria de que a arte vem da sexualidade procedente e lamentava que tantas pessoas tentassem esmigalhar esse presente.
O projeto de restauração desse material foi um trabalho de anos. O áudio original foi restaurado e limpo, permitindo que a voz de Marilyn surja sem interferências. Chris Flannery, um dos cabeças do projeto, relata a emoção que sentiu.
“Ouvir sua voz surdir claramente das fitas, enquanto via o círculo completo de imagens da sessão, foi um momento de arrepios. É a sensação de que um pouco vasqueiro e verdadeiro sobreviveu virgem.”
As fotos de Allan Grant revelam uma Marilyn dissemelhante daquela dos filmes. Ela aparece pensativa, gentil, autoconsciente e, curiosamente, à vontade em sua novidade mansão. Ela estava tentando retomar as rédeas da própria vida. O item resultante da entrevista foi publicado em 3 de agosto de 1962, com o título “Marilyn: Em suas próprias palavras”. Ela aprovou cada risca e cada imagem.
A ironia do orientação foi cruel. Dois dias depois a publicação da revista Life, em 5 de agosto de 1962, Marilyn Monroe foi encontrada morta em seu quarto. Um frasco vazio do barbitúrico Nembutal pôs termo à sua vida aos 36 anos. A versão solene apontou provável suicídio, mas as lacunas daquela madrugada em Brentwood continuam a cevar teorias da conspiração.
Na ingresso de sua residência, havia um azulejo com a letreiro “cursum perficio”, ou “terminei minha jornada”. Aos século anos, porém, Marilyn Monroe prova que sua história permanece ensejo.
O material inédito que chega ao MIS e às livrarias permite que, pela primeira vez, o público não exclusivamente a veja, mas a ouça. É o encontro definitivo com a mulher que Hollywood tentou reduzir a um resultado, mas que a história transformou em um mito eterno.
