MoMA reverencia arte anticolonialista de Wifredo Lam 21/03/2026

MoMA reverencia arte anticolonialista de Wifredo Lam – 21/03/2026 – Ilustrada

Celebridades Cultura

O Museu de Arte Moderna de Novidade York, o MoMA, está enfim pagando uma dívida, reconhecida pela própria instituição. Quase 90 anos em seguida se tornar o primeiro museu no mundo a comprar uma obra de Wifredo Lam, a instituição brinda o surrealista cubano com uma ampla exposição em Manhattan.

Nascido e criado em Cuba na região de Sagua la Grande, macróbio coração da indústria açucareira, Lam era rebento de pai chinês e mãe congolesa-cubana, uma legado que parecia pré-anunciar o caráter transnacional e diverso que marcaria toda a sua vida. Foi estudar na Espanha em 1923, onde pensava originalmente ser um pintor de retratos, até que o curso da vida pessoal —e do mundo— o transformou.

Lam viveu o eclodir da Guerra Social Espanhola nos anos 1930 e se juntou à luta contra o fascismo de Franco, que sairia vitorioso. Chegou a tolerar intoxicação químico no processo de produção de munições e, durante o tratamento, produziu a obra que hoje, talvez, seja “sua enunciação política mais clara”, segundo Beverly Adams, a curadora para América Latina no MoMA.

“La Guerra Social”, de 1937, um guache feito em dois papéis unidos e sobrepostos em uma tela, parecia marcar o despertar político de toda uma obra que se debruçaria direta ou indiretamente em temas uma vez que libertação, anticolonialismo e emancipação dos povos.

Da Espanha, foi a Paris, onde se aproximou de amigos e parceiros intelectuais de toda uma vida, uma vez que o poeta surrealista galicismo André Breton e o pintor espanhol Pablo Picasso, expoentes do surrealismo, movimento ao qual Lam se juntaria.

Com a ocupação nazista de Paris, exilou-se na caribenha Martinica antes de voltar para a Cuba natal, em mais um mergulho na veras caribenha que marcaria seu trabalho.

A primeira obra de Lam a constar em um museu foi “Mother and Child”, mãe e rebento, adquirida pelo MoMA em 1939, uma homenagem do pintor à sua primeira esposa e rebento que morreram de tuberculose.

Em 1945, o museu adquiriu “La Jungla”, que foi criada entre 1942 e 1943, e é considerada a mais conhecida obra de Lam. Com uma plantação de cana uma vez que tecido de fundo, a pintura mistura máscaras africanas, longas pernas e pés, em uma clara referência à escravidão e ao processo extrativista em Cuba.

“A primeira coisa que muitos escravos em Martinica faziam quando conseguiam um pouco de verba era se vestir de branco, usando sapatos desconfortáveis e coisas do tipo. Não sei se meu pai sabia disso, mas o roupa de ele retratar esses pés grandes pode ser uma forma de reivindicar a própria identidade, ter orgulho dela”, diz Eskil Lam, um dos filhos do pintor e responsável por seu espólio, a quem sobrou a agridoce tarefa de desvendar a obra do pai quatro décadas em seguida sua morte.

Por anos, “La Jungla” ficou exposta no lobby do MoMA, desconectada de outras exposições. E hoje o próprio museu reconhece a dívida criada. “A titubeação inicial do museu em colocar ‘La Jungla’ em suas galerias levou à incapacidade de reconhecer sua verdadeira natureza e de consentir sua profunda transformação da pintura ocidental”, diz a instituição no extenso catálogo que apresenta a exposição.

São dilemas que a obra toda de Lam carregou, diz Eskil, numa videochamada, de Paris. “Ele não pertencia a nenhuma escola em privado ou a nenhuma pátria. Parece que sempre foi visto quase inteiramente sob a perspectiva de Picasso, ou Max Ernst, uma vez que um surrealista. É uma vez que se ele não tivesse o recta de viver por si só.”

“Acho que é alguma coisa generalidade a artistas que não são da Europa ou do Oeste em universal. Os críticos são incapazes de olhar além do artista em si; eles precisam colocá-lo em uma categoria, e as únicas categorias que conhecem são as europeias ou americanas.”

Porquê qualificar Lam, portanto? Eskil o descreve uma vez que, “mais do que zero, um anticolonialista”. A curadora Beverly Adams, uma vez que “um artista transnacional”. Ao final de sua vida, o próprio Lam disse querer retratar a formosura da cultura e do povo preto.

No exterior, Lam colheu suas maiores referências teóricas na ebulição de um movimento antirracista. Era colega de Aimé Césaire, o “evangelista da negritude”, poeta nascido em Martinica que defendia as raízes africanas, muito presentes nas obras de Lam. Césaire versava sobre a libertação do povo preto e o choque por ver sua terreno natal degradada pela vexame e pela pobreza. Seria semelhante à reflexão que Lam teria ao retornar a Cuba em 1941 e se estabelecer na ilhota em seguida quase duas décadas fora.

Se era oriundo de Sagua la Grande, região predominada pela presença de chineses —uma vez que seu pai, um senhor de poucas palavras na recordação do neto Eskil—, pelo solos férteis para o sistema de plantation e pela potente presença da santería, no retorno Lam foi para a capital Havana. Ali, produziu massivamente. Uma de suas obras inaugurais do retorno foi justamente “La Jungla”.

Lam apoiou a Revolução Cubana de 1959. Incomodou-se ao ver todo o seu estúdio e as suas obras apropriados pelo regime, mas não reclamou publicamente, “pois não queria fomentar alvoroço porque desejava concordar a revolução, e as pinturas eram para o povo cubano, finalmente”, segundo Eskil.

A família tenta restabelecer as dezenas ou centenas de obras de Lam sob posse do regime comunista, muitas expostas no Museu de Belas Artes Vernáculo de Havana, “mas é quase impossível encontrar alguém que aceite conversar”.

A curadora Beverly Adams chegou a viajar a Havana para tentar negociações no processo de montagem da exposição. Não fala em detalhes sobre o processo por temas de sigilo, mas diz que, uma vez que Lam produzia muitas peças semelhantes em um volume frenético de trabalho, “é verosímil encontrar em outras partes peças análogas às que seguem em Cuba”.

Eskil critica o roupa de, desde meados dos anos 1990, algumas das obras que haviam sido apropriadas pelo regime terem curiosamente aparecido no mercado de arte de Miami, o maior enclave da diáspora cubana no mundo. “Achamos que as pinturas que não estão no museu não deveriam estar no mercado de Miami, mas os cubanos se recusam a entrar em discussão.”

Já idoso e senil, Lam começou a se desiludir com a revolução, em próprio no momento em que houve a crise dos Marielitos, êxodo em tamanho de murado de mais de século milénio cubanos para os Estados Unidos em 1980. Mas sua desilusão não foi tornada pública.

No terceiro andejar do MoMA, na sala agora dedicada ao caribenho anti-colonialista, a legado africana e profundamente intelectual marca todas as salas da exposição, que segue risca cronológica.

A religião também está presente. Segmento dos trabalhos de Lam foi ocupada pelas “mulheres cavalo”, figuras híbridas que misturam formas humanas e animais relacionadas à cultura afro-cubana e simbolizam a possessão místico, em que divindades estão presentes nos devotos, memória profunda da influência de religiões de matriz africana na puerícia do pintor.

Folha

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