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Morre Edgar Morin, importante filósofo francês, aos 104 29/05/2026
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Morre Edgar Morin, importante filósofo francês, aos 104 – 29/05/2026 – Ilustrada

Morreu, nesta sexta-feira (29), Edgar Morin, aos 104 anos, um dos maiores pensadores do século 20, proprietário de uma vasta obra que abordou diferentes áreas em dezenas de livros.

A notícia foi confirmada por dois pesquisadores com relação pessoal com Morin, Nelson Vallejo-Gomez e Alfredo Pena-Vega.

Em 1942, com 21 anos de idade, ao se engajar na Resistência na França ocupada por tropas da Alemanha nazista, Edgar Nahoum ainda não tinha em seus planos a elaboração de uma filosofia integradora das diversas áreas compartimentadas do conhecimento, aproximando temas uma vez que a ciência, a política e o meio envolvente.

Formado em recta, história e geografia pela Sorbonne, em Paris, o jovem Edgar já havia se filiado em 1941 ao PCF, o Partido Comunista Gálico. Em 1943, já no comando de ataques contra os invasores alemães, passou a usar o pseudônimo Morin, que ele acabou adotando para sempre.

Com esse sobrenome, ele se tornou mundialmente famoso uma vez que filósofo, sociólogo e responsável de muro de 70 livros. Sua obra inclui desde trabalhos de grande profundidade analítica, uma vez que “O Método”, em seis volumes (1981-2008), a títulos voltados também para o público não especializado, uma vez que “Ciência com Consciência”, de 1982.

Morin nasceu em Paris em 21 de julho de 1921, rebento do tratante Vidal Nahoum e de sua mulher Luna Beressi, ambos judeus da tradição sefardita, que se originou na Península Ibérica na Idade Média e se estendeu para o setentrião da África. O par se mudara de sua cidade natal Tessalônica, na Grécia, para Marselha, na França, e depois para a capital francesa.

Luna morre vítima de uma lesão cardíaca em junho de 1931, um mês antes de Edgar completar dez anos. O rebento único do par passa a ser criado pelo pai e pela tia materna Corinne, que, apesar de sua origem religiosa judaica, não deram ao garoto formação religiosa.

A morte da mãe tão cedo durante a puerícia do garoto o influenciou profundamente. A estrear por fazê-lo minuir essa perda, refugiando-se nos estudos com formalidade.

Em 1938, sob a inquietação da Europa com a anexação da Tchecoslováquia pela Alemanha, que em 1936 já havia incorporado a Áustria, o jovem, aos 17 anos, já na Sorbonne, se aproxima do Partido Frontista, que era uma coalizão antifascista formada dois anos antes.

Em 1940, com a invasão da França, ele se muda com sua família para a cidade portuária mediterrânea de Toulouse, na região sudeste do país, onde se estabeleceu o governo dirigido por colaboracionistas franceses. Lá a situação dos judeus foi, por qualquer tempo, menos perigosa do que na extensão que passou a ser administrada diretamente pelos alemães.

Em sua rápida permanência em Toulouse, o jovem teve uma novidade influência em sua formação pessoal. Ele passou a ter contato com refugiados da Guerra Social Espanhola (1936-1939), na qual o governo foi derrubado pelos militares rebeldes liderados pelo general Francisco Franco e apoiados pela Alemanha, governada por Adolf Hitler, e pela Itália, que estava sob o regime fascista de Benito Mussolini.

Esse convívio já na puberdade com militantes socialistas e comunistas foi o ponto de partida para o jovem judeu de origem sefardita estrear a solidificar seu ateísmo e também a escolher uma vez que sua prioridade política a luta para livrar a Europa e o mundo do transe do nazismo e do fascismo.

Depois do retorno a Paris para concluir seus estudos, Edgar mergulha na clandestinidade em sua atuação na Resistência, onde lutou ao lado de líderes socialistas, entre eles o porvir presidente francesismo François Mitterrand (1916-1996).

Em junho de 1944, às vésperas do chamado Dia D, quando houve o grande desembarque de tropas dos aliados norte-americanos e britânicos em praias da Normandia, no oeste da França, Morin intensificou sua atuação nas operações de sabotagem contra os alemães, que se estenderam até a Libertação de Paris no mesmo ano.

Ao final da guerra, em 1945, Morin se casou com a socióloga Violette Chapellaubeau, que fora sua colega na Sorbonne. Incorporado ao Tropa da França com a patente de tenente, ele segue para a Alemanha com as tropas aliadas que temporariamente ocuparam o país derrotado.

Morin se desligou do Tropa no ano seguinte, quando publicou seu primeiro livro, “O Ano Zero da Alemanha”, no qual descreveu a situação da população do país derrotado na guerra.

A obra labareda a atenção de Michel Thorez, secretário-geral do PCF e membro do parecer de ministros do governo francesismo, que o convida para grafar na revista Les Lettres Françaises, que havia sido criada durante a ocupação alemã.

Em 1947, morando em Vanves, nos periferia de Paris, o par tem sua primeira filha, Irène. No ano seguinte nasce a segunda, Violette.

Foi durante essa aproximação maior com as lideranças do PCF que Morin começou a questionar a influência exercida entre os comunistas franceses pelo líder soviético Josef Stálin. Além de não tolerar o centralismo burocrático das decisões partidárias, avesso a questionamentos, o jovem plumitivo percebia sua atividade intelectual esbarrar sempre em temas sensíveis para o partido.

Um ano depois de se alongar do PCF em 1949, Morin começa a trabalhar uma vez que pesquisador em sociologia no CNRS, o Parecer Pátrio de Pesquisas Científicas. O invitação viera do sociólogo Georges Friedmann, teve espeque de alguns professores, entre eles o filósofo Maurice Merleau-Ponty, que estava se tornando cada vez mais crítico em relação ao marxismo e também mais próximo de Morin.

Em 1951, quando publica seu livro “O Varão e a Morte”, com uma longa reflexão sobre a existência humana inspirada pela experiência com a perda de sua mãe, Morin acabou sendo excluído do PCF em seguida um cláusula seu ser publicado pela revista Novel Observateur, criticando o stalinismo.

Começa uma temporada de intensa convívio com intelectuais uma vez que Marguerite Duras e Albert Camus, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura de 1957.

Em 1956, junto com o semiólogo e crítico de arte Roland Barthes e de outros pensadores, Morin é um dos fundadores da revista de filosofia política “Arguments”. Publicada até 1962, seu foco era o pensamento revisionista do marxismo, que passou a crescer em seguida a morte de Stálin.

Morin colaborou com ênfase em temas das áreas de humanidades com outras instituições francesas e de outros países, inclusive o Brasil, e com diversos pensadores, entre eles Claude Lefort e Cornelius Castoriadis.

A partir de 1969, sua reflexão passou a se estender cada vez mais a outras áreas do conhecimento, inclusive às ciências naturais, uma vez que a física, a química e a biologia.

Nesse ano, recomendado por Jacques Monod, ganhador do Nobel de Medicina de 1976, ele é convidado pelo virologista e epidemiologista Jonas Salk, inventor da vacina antipólio, para um período de um ano no Instituto Salk, na Califórnia.

Nessa passagem pelos Estados Unidos, Morin não só aprofunda seus conhecimentos sobre as chamadas “ciências duras”, principalmente com os avanços da genética, mas também com novos desenvolvimentos do pensamento ecológico.

Na Califórnia, o pensador francesismo se aproxima mais também da filosofia da ciência, principalmente com o trabalho de Thomas Kuhn sobre os processos teóricos e não teóricos que influenciam as revoluções científicas.

No retorno à França, Morin inicia sua reflexão, que o levará à formulação do pensamento com foco na complicação do conhecimento, caracterizado por ele uma vez que um conjunto de saberes e teorias que se compartimentalizaram por áreas, dificultando a compreensão da relação entre elas.

Secção do esboço desse pensamento é mostrado em seu livro “O Paradigma Perdido: A Natureza Humana”, de 1973. A perda é da capacidade humana de ver o todo em cada segmento. Para Morin, cada fenômeno deve ser contextualizado, uma vez que zero ocorre separadamente.

Entre a dez de 1970 e os primeiros anos do século 20, Morin se aprofundou nos estudos que levaram à publicação que começou em 1977 com o primeiro volume de “O Método” e terminou com o sexto em 2004.

Em paralelo, nesse mesmo período Morin publicou 30 outros livros, entre eles “Terreno-pátria”, de 1993, em que ele evoca “a tomada de consciência da comunidade pelo sorte terrestre”, e “Os Sete Saberes Necessários para a Ensino do Horizonte”, de 2000. O primeiro saber, diz Morin, é o das cegueiras do conhecimento, que são o erro e a ilusão. Deve-se valorizar o primeiro para evitar o segundo.

Os seis outros saberes são a união dos conhecimentos para evitar a sua fragmentação, a exigência multidimensional humana, a identidade com a Terreno, a urgência de enfrentar as incertezas, a compreensão indispensável na interação entre as pessoas e a moral que deve fazer cada um de nós não querer para os outros o que não quer para si mesmo.

Um dos principais exemplos apontados por Morin do fracasso do padrão do pensamento especializado é, diz ele, a incapacidade da economia de resolver problemas cruciais devido à sua fundamentação excessiva na matemática, com prejuízo na consideração de fatores de outras ciências, principalmente as humanas.

Outra consequência importante do pensamento que respeita a complicação, diz Morin, é a compreensão dos antagonismos. No projecto da política, essa visão o levou a enfrentar problemas justamente com a comunidade israelita.

Morin, junto com Sami Nair, professor da Universidade de Paris-8 e ex-membro do Parlamento Europeu, e Daniélle Sallenave, jornalista e ex-professora da Universidade de Paris-10, foram processados por maledicência racial e apologia do terrorismo por instituições judaicas por terem publicado um cláusula no jornal Le Monde em junho de 2002.

No texto intitulado “Israel-Palestina: O Cancro”, eles afirmaram: “Os judeus, que foram vítimas de uma ordem impiedosa, impõem sua ordem impiedosa aos palestinos. Os judeus, vítimas da desumanidade, mostram uma terrível desumanidade”. Depois de serem inicialmente condenados, ele e os dois outros autores foram inocentados pela incisão máxima francesa.

Morin, viúvo desde 2008 de sua terceira mulher —Edwige Agnes, que conheceu em 1961 e se casou 17 anos depois—, agradece a seu pai por não ter lhe oferecido formação religiosa. “Sou e permaneço sem Deus”, disse ele em seu livro “Para Trespassar do Século 20”, no qual acrescentou: “O ímpio deve desenredar sua crença, seu fundamento irracionalizável, e negociar com ela”.

Nos últimos anos, seu foco principal com a filosofia da complicação tem sido alertar a humanidade contra “a teoria louca do varão senhor da natureza, que ia conquistá-la e dominá-la”, uma vez que disse ele em uma entrevista à Rádio Televisão Belga em maio de 1992, um mês antes da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Envolvente e Desenvolvimento, a Rio-92.

Essa teoria louca, afirmou Morin, nos conduziu a uma “novidade Idade Média planetária”: “Todos os elementos estão prontos para civilizar o planeta. Mas estamos longe de uma cultura civilizada”.

O responsável deste texto, Maurício Tuffani, morreu em 2021

Folha

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