Na Itália, atacante vira ala e vive entre avançar e voltar – 19/09/2026 – O Mundo É uma Bola
Quem entende de esquemas táticos no futebol, sabe que o 3-5-2 utiliza três zagueiros, cinco meio-campistas e dois atacantes. Para quem não entende, está explicado.
Nessa formação, dois dos meio-campistas são alas, que executam o papel de hostilizar e proteger pelas laterais do campo. Inserem-se na posição o lateral, que passa a ter papel mais relevante ofensivamente, ou o ponta, que precisa se ajustar à marcação, não só na frente, porquê detrás.
Às vezes, a transformação pode não ser tão simples ou fácil, principalmente para o jogador não avezado a proteger com tanta intensidade e frequência, uma exigência do futebol moderno.
Estêvão, no Chelsea, é exemplo. O técnico Xabi Alonso exige que o jogador destapado pela direita, além de gerar pelo setor, volte rapidamente, quando o time está sem a globo, para tentar tomá-la do competidor que avança pela esquerda. O futebolista tem que ser meio um maratonista, indo e vindo por 90 minutos mais acréscimos.
O português Pedro Neto é um dos melhores nesse papel, e com isso o brasiliano de 19 anos, uma das esperanças da seleção brasileira rumo à Despensa de 2030, amarga a suplente da equipe inglesa.
Quem atualmente também tem estado no banco, sem estar satisfeito com isso, é outro brasuca, Luís Henrique, na Inter de Milão, atual campeã italiana. Não confunda com Luiz Henrique, que esteve na Despensa do Mundo deste ano (só jogou uns pouco minutos, na estreia) e é um ano mais velho (25 a 24).
Desde o ano pretérito na Inter, que é dirigida pelo treinador romeno Cristian Chivu, Luís Henrique concedeu entrevista à poste e falou a saudação dessa transição de atacante para lado, que tem sido, segundo ele, um tirocínio. “Não é só decorrer, tem toda uma secção tática.”
Você tem atuado, em um esquema 3-5-2 da Inter, porquê um lado pela direita. Porquê tem sido a experiência?
Muito boa e de grande tirocínio. É uma posição que exige bastante fisicamente e também na secção de concentração, porque preciso ajudar na resguardo, mas sem perder minha particularidade ofensiva. Palato de ter liberdade para hostilizar, usar minha velocidade, buscar o um contra um e chegar perto da espaço. Sempre fui um jogador mais ofensivo, portanto paladar de estar envolvido nas jogadas de ataque. Estou entendendo cada vez melhor a função de lado e acredito que isso está me ajudando a evoluir porquê jogador.
O que um jogador precisa aprender para transpor de uma posição ofensiva e desempenhar uma função que exige muito mais responsabilidade defensiva?
O principal é ter disposição para aprender. Quando você muda de posição, precisa entender que não é só decorrer mais ou marcar com grande intensidade. Tem toda uma secção tática, de posicionamento, cobertura e leitura do jogo. Você precisa saber quando pressionar, quando fechar por dentro e quando pode transpor para o ataque. Para mim, tem sido importante ouvir os treinadores e os companheiros e entender o que a equipe precisa de mim.
O que o futebol italiano ensinou a você que o futebol brasiliano e o francesismo não haviam ensinado?
Cada país me ensinou coisas diferentes. No Brasil, aprendi muito sobre originalidade, improviso e jogar de uma maneira mais originário. Na França, tive a experiência de um futebol muito intenso, físico e com bastante velocidade. Na Itália, estou aprendendo muito sobre a secção tática. Cá existe uma preocupação muito grande com posicionamento, espaço e leitura de cada momento do jogo. É um futebol em que o desportista precisa estar concentrado o tempo inteiro e entender muito muito o que está acontecendo em campo. Essa experiência está me ajudando a enxergar o jogo de uma maneira mais completa.
Você nunca foi chamado para a seleção brasileira. Tem planos de ser convocado?
A seleção é um objetivo. Todo jogador brasiliano que chega a esse nível sonha em vestir a camisa da seleção. Eu acompanho os jogadores que estão nesse grupo e sei que existe muita qualidade. Na última convocação, foram chamados Wesley e Matheuzinho [laterais-direitos] e sei que são grandes jogadores. Cada jogador tem sua particularidade, e eu preciso me preocupar em desenvolver a minha. Tenho minha velocidade, minha força no um contra um, minha capacidade de hostilizar os espaços e agora também venho trabalhando bastante essa secção de recomposição e de jogar em uma função mais completa. Se eu conseguir ter regularidade e ajudar a Inter, acredito que a oportunidade pode nascer.
Por que há tanta dificuldade para os brasileiros brilharem intensamente na Europa porquê acontecia 20, 30 anos detrás?
Existe uma concorrência muito grande nos grandes clubes europeus, e jogadores de muitos países chegam cada vez mais preparados. Mas o brasiliano continua tendo muita qualidade e sendo protagonista em grandes clubes. Eu não penso em atuar na Europa para ser coadjuvante. Tenho avidez e quero invadir meu espaço. Acredito nas minhas características e no meu potencial. Quero ser cada vez mais importante para a Inter.
No cenário atual, Luís Henrique terá de batalhar bastante por um espaço no time. Depois de rumores de que seria negociado com a Roma –que, porquê a Inter, está na Champions League–, ele iniciou a temporada na suplente.
O preposto de Chivu para a lado direita tem sido o francesismo Andy Diouf, 23. O brasiliano chegou a debutar porquê titular duas vezes, mas, na maioria dos jogos, entrou no segundo tempo. Nas três primeiras partidas de setembro, nem isso: não foi utilizado.





