A MotoGP encerrou neste domingo (22) sua primeira lanço no Brasil em seguida mais de duas décadas afastada do país, com vitória do italiano Marco Bezzecchi, seguido pelo espanhol Jorge Martín e pelo também italiano Fabio Di Giannantonio, que completaram o pódio em Goiânia, diante de público de 148.384 pessoas ao longo do término de semana —60.873 no dia da corrida. O brasílico Diogo Moreira terminou em 13º.
Prevista inicialmente para ter 31 voltas, a prova teve seu tempo totalidade reduzido para 23. De tratado com a categoria, a decisão foi tomada devido ao desgaste do asfalto, provocado pelas chuvas nos dias que antecederam à lanço e também pelo possante calor no momento da prova, com 52ºC na pista e 31ºC no envolvente.
O resultado da corrida, porém, foi somente segmento de um término de semana que funcionou uma vez que teste para o retorno do Brasil ao calendário da categoria, marcado por imprevistos e um problema estrutural que expôs os limites da preparação do volta.
A corrida foi realizada em seguida uma semana em que a chuva interferiu na programação e, sobretudo, depois do surgimento de um buraco na reta principal do autódromo, na véspera da prova, que atrasou em murado de 1h20 a disputa da corrida sprint no sábado (21). A disputa terminou com vitória do espanhol Marc Márquez. O italiano Fabio Di Giannantonio e o espanhol Jorge Martín completaram o pódio. O brasílico Diogo Moreira ficou em décimo lugar.
Apesar dos reparos emergenciais, que levaram até um caminhão betoneira à pista para jogar concreto no buraco, os pilotos identificaram outros pontos de atenção. “A pista tem mais ondulações. O asfalto não está muito compactado”, disse o brasílico Diogo Moreira. “Com tão pouco tempo, fizeram um grande trabalho na pista que, para mim, está fantástica”, acrescentou logo depois da sprint.
As obras no lugar tiveram início em janeiro do ano pretérito. Antes de receber a MotoGP, o autódromo foi homologado pela FIM (Federação Internacional de Motociclismo) com intensidade A, o mais cimeira do órgão regulador.
Se os problemas causados pelo clima entram na conta do imprevisto, a falta na pista colocou sob pressão a organização de um evento viabilizado com cimeira investimento público, de murado de R$ 250 milhões, dos quais R$ 60 milhões foram investimentos diretamente em reformas no autódromo.
O gasto foi tratado uma vez que estratégico pelo governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), que fez questão de dar a bandeirada e entregar o troféu neste domingo, transformando segmento da sarau em seu tribuna pessoal.
Com um contrato de cinco anos para percorrer no Brasil, de 2026 a 2030, a MotoGP já previa que o primeiro ano seria uma espécie de teste para aprimorar os próximos eventos. “Tivemos problemas com a chuva, mas isso faz segmento de um primeiro ano. Há ajustes a fazer, e a tendência é que o evento evolua nas próximas edições”, disse o diretor esportivo da MotoGP, Carlos Ezpeleta.
Entre o público, a avaliação também mistura excitação e críticas. “Tem umas questões que precisam melhorar. Cá [na escada de acesso] fica todo mundo parado, mas não tem ninguém para orientar”, disse a estudante Barbara Mussi, 29, que acompanhou a corrida ao lado do namorado, Guilherme Silveira, 27.
O parelha vive no Rio de Janeiro e está habituado a viajar para escoltar provas de automobilismo, uma vez que o GP São Paulo de F1. Para ele, o entrada ao Autódromo Ayrton Senna, em Goiânia, foi o ponto mais crítico. “Tentaram concentrar a saída do público em ônibus e ficou todo mundo meio ‘enlatado’”, reclamou Silveira.
Outros torcedores, porém, destacaram a experiência positiva, sobretudo entre quem teve o primeiro contato com a categoria. “É nossa primeira vez num evento assim, e está sendo muito permitido. Está muito organizado, o envolvente é estruturado”, afirmou o engenheiro social Andre Luis Martins, 23, que relativizou o delongado na programação: “A gente entende. Em qualquer evento pode suceder, não atrapalhou a experiência.”
O retorno da MotoGP também tem peso simbólico. A categoria não corria no país desde 2004, quando deixou o autódromo de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. Tentativas posteriores de levar a lanço para outras cidades, uma vez que Brasília e Deodoro, não avançaram.
Goiânia, por sua vez, já recebeu o Mundial entre 1987 e 1989, antes da passagem por Interlagos, em 1992, e da sequência no Rio ao longo da dezena seguinte. A lanço atual retoma essa relação, agora em um cenário mais competitivo entre países por eventos globais.
Repórter viajou à invitação da Brasil Motosports
