Notícias Favoritas

O seu portal favorito de notícias na Internet

Novo espaço na Barra Funda une galeria e bar de
Celebridades Cultura

Novo espaço na Barra Funda une galeria e bar de audição – 15/09/2026 – Ilustrada

Entre galpões dedicados à arte contemporânea e bares de audição, a vizinhança da Barra Fundíbulo ganha nesta semana um novo endereço, que propõe uma intersecção entre esses dois mundos. A galeria de arte sonora Ibehas abre as portas com a proposta de jogar os holofotes sobre um pouco que não é físico —o áudio.

No endereço, na rua Dr. Sérgio Meira, funcionava um buffet de festas, mas há três anos o espaço vem sendo remodelado pelos produtores musicais e engenheiros de som Guilherme Picorelli, João Ferreira e Raoni Cruz.

O trio encomendou 11 obras para a mostra de estreia, batizada de “Feche os Olhos”. No esquema de compra de ingresso antecipado, os visitantes escutam duas propostas por noite, com duração de 20 minutos. Enquanto isso, drinques e petiscos são servidos do lado de fora, na dimensão do bar, que tem entrada livre.

O isolamento acústico do salão foi pensado para uma mergulho completa no som, portanto, com as portas fechadas, ouve-se o mínimo de soído do mundo exterior. “Queremos que você se sinta numa bolha. Que a pessoa feche os olhos e se concentra no som”, afirma Ferreira.

O espaço acomoda 50 pessoas, que se sentam em poltronas para escutar a reprodução das obras no escuro. Quase porquê uma experiência no cinema, porém sem estímulos visuais. As murado de 200 caixas de som são distribuídas pelo sítio num trabalho minucioso de espacialização sonora —ou seja, o som é ouvido com uma enorme riqueza de detalhes.

Os artistas da mostra enviaram ao espaço um guia de porquê os sons deveriam ser distribuídos pelo espaço. O projeto é pensado porquê uma sala de concerto, em que cada região da plateia escuta com mais destaque certos instrumentos.

“A gente abre uma novidade classe da relação entre técnica e arte, porque proporcionamos uma solução sonora que você não encontra facilmente em qualquer lugar”, diz Ferreira. Com experiência no mercado de eventos, o trio equipou a galeria com um sistema de som customizado para a mostra, que pode ser desmontado e ajustado a diferentes propostas.

“Alguns eventos soam mal por razão da acústica, portanto criamos tratamentos portáteis. Nesta sala, nós temos o controle para as pessoas escutarem com a maior fidelidade verosímil o que as caixas estão reproduzindo”, afirma Picorelli. Além da exposição principiante, o sítio deve receber audições de discos e festas.

Segundo o trio, um projeto porquê esse seria tecnicamente verosímil no pretérito, mas só agora acharam que era o momento para tirar a teoria do papel. “Não podemos subestimar as mudanças culturais posteriormente a pandemia”, diz o curador Chico Cornejo.

“As pessoas querem ouvir as coisas com mais atenção depois de um momento introspectivo. O que tentamos trazer é uma experiência sonora, não necessariamente músico, mas um encontro com o sentido que a gente deixa de lado em uma cidade tão barulhenta. Queremos mostrar que há outras formas de escutar e sentir o envolvente.”

Entre as referências da Ibehas, {sigla} de Iniciativa Brasileira de Experimentos em Holografia e Ambientação Sonora, destaca-se o Studio Panaroma de Música Eletroacústica da Unesp, fundado pelo professor e compositor Flo Menezes em 1994. No exterior, há o estúdio de som espacial Monom, localizado no multíplice de gravação Funkhaus, em Berlim.

“O que a Ibehas propõe é maravilhoso em termos de poder sonoro, é uma coisa que deve ser valorizada”, diz o pesquisador e produtor de música eletrônica Paulo Beto, que criou uma peça para a exposição inspirada no mito sumério da diva Inanna.

Na sua obra narrativa, Bibiana Graeff, vocalista da filarmónica Anvil FX, dá voz à diva, que vai ao inferno e retorna à Terreno. Para escoltar a história, o produtor criou ambientações para dar ares épicos à trajetória.

Na sua visão, há uma novidade geração interessada em produzir e testar sons eletrônicos. Alguns deles foram convidados para elaborar projetos inéditos para a galeria, porquê a DJ Marta Supernova, o duo Agrimensor, formado por Sávio de Queiroz e Marcelo Mudou, e o produtor músico Rodrigo Coelho.

Já as DJs e produtoras musicais Mari Herzer e Numa Gama se inspiraram no poema “Máquina do Mundo”, de Carlos Drummond de Andrade, para elaborar um projeto com ares de ficção científica. Nele, sons de zonas de conflito, aves e florestas foram misturados a ruídos alienígenas e explosões intergalácticas.

“A minha manancial de inspiração foi [o compositor alemão Karlheinz] Stockhausen, pois dei atenção às propriedades acústicas do som –profundeza, intensidade, duração e timbre–, em vez dos elementos musicais –melodia e simetria”, afirma Herzer. Ainda que o som guie o ouvinte num mundo distópico criado pelas autoras, cada pessoa terá a sua própria versão da peça.

Indo em outra direção, o DJ e produtor músico Zopelar criou “Oferenda” porquê uma narrativa situada no Dia de Iemanjá. “Existe muita tecnologia na ancestralidade. A minha obra não tem cunho religioso, mas me baseio na fé para refletir sobre porquê a música é fundamental para produzir laços entre o mundo real e o místico”, diz ele.

Figura carimbada nas festas de house e techno, na última dezena ele expandiu os horizontes colaborando em trilhas sonoras para performances e projetos audiovisuais.

“Quando completei a obra, percebi que ela me legitima porquê artista. A gente tenta se enquadrar nas caixinhas porquê DJ ou músico. Esse projeto me fez pensar que sou, sim, fundador de arte contemporânea, posso me apresentar dessa forma. A Ibehas empodera os produtores e posiciona a música porquê uma das grandes formas de arte.”

Folha

LEAVE A RESPONSE

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *