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Palmeiras e Flamengo amargam déficits milionários no 1S26 13/08/2026
Esporte

Palmeiras e Flamengo amargam déficits milionários no 1S26 – 13/08/2026 – Esporte

Palmeiras e Flamengo se tornaram as duas principais forças do futebol brasílico nos últimos anos, com conquistas em série nos níveis estadual, pátrio e continental baseadas em elencos estrelados —e caros.

Segundo dados do site especializado Transfermarkt, o alviverde tem o plantel mais valioso do país, estimado em tapume de € 232,5 milhões (R$ 1,4 bilhão), seguido pelo do rubro-negro, com € 218 milhões (R$ 1,3 bilhão). O Cruzeiro é o terceiro, com um elenco de € 167 milhões (R$ 995 milhões).

As altas cifras envolvidas para manter os principais atletas e ainda trazer reforços, porém, cobraram seu preço no primeiro semestre de 2026, quando a dupla registrou déficit.

O caso do Palmeiras é o que parece requerer maior atenção, já que o clube palestrino amargou, sozinho, despesas supra das receitas da ordem de R$ 124,1 milhões de janeiro a junho.

No semestre, só o futebol profissional registrou um déficit de aproximadamente R$ 150 milhões, resultado que reflete receitas de R$ 410 milhões e despesas de R$ 560 milhões.

A maior despesa é justamente na risca de “pessoal e encargos sociais”, que atingiu R$ 196 milhões.

Vêm na sequência “amortização — direitos com jogadores” (despesa contábil que o clube reconhece ao longo dos anos de contrato pela compra de um jogador), no valor de R$ 154 milhões, e “despesas com recta de imagem”, que alcançaram R$ 71,2 milhões.

“Os custos salariais estão completamente fora da verdade”, afirmou Amir Somoggi, diretor da consultoria Sports Value.

O clube teve receitas muito inferior do que havia orçado para o período —de R$ 540 milhões, contra R$ 720 milhões—, enquanto os custos “continuam nas alturas”, disse Somoggi.

Procurado, o Palmeiras informou que não se pronunciaria. A diretoria alviverde já havia sinalizado que priorizaria a manutenção de atletas considerados imprescindíveis, que aproximem o time de novas conquistas dentro de campo.

“Havia a previsão de faturar R$ 200 milhões com a venda de direitos de jogadores, e o clube fechou com somente R$ 50 milhões no período”, afirmou Fernando Trevisan, perito em gestão e marketing esportivo e diretor-geral da Trevisan Escola de Negócios.

Um dos nomes mais cobiçados por clubes europeus é o atacante prateado Flaco López, vice-campeão da Despensa do Mundo com a Argentina e bombeiro do Palmeiras na temporada, com 17 gols em 40 partidas.

Ainda segundo avaliação interna do clube, a pausa para o Mundial comprometeu as receitas com bilheteria.

Segundo Somoggi, sem uma correção de rota, o déficit pode entender R$ 200 milhões até o término do ano.

Paquetá contribui para déficit do Flamengo

No caso do Flamengo, o déficit foi muito menor, de R$ 33,8 milhões. Diferentemente do rival paulista, o rubro-negro carioca não teve grandes quedas de receita, tendo inclusive registrado aumento dos ganhos obtidos no semestre com a superfície de marketing e também relativos à operação do Maracanã.

O que mais pesou para o déficit foi o investimento ressaltado na janela de transferências do início do ano, quando o clube desembolsou tapume de € 53,7 milhões (R$ 320 milhões).

A maior segmento do valor foi destinada à repatriação de Lucas Paquetá, que estava no West Ham, da Inglaterra, e custou aproximadamente € 42 milhões (R$ 250 milhões).

De tratado com o clube, somente os gastos com a amortização contábil dos direitos econômicos, que incluiu os atletas contratados na janela de janeiro, somaram R$ 192,4 milhões.

Ainda conforme o rubro-negro, a receita recorrente bruta —que exclui a venda de atletas— somou R$ 732,4 milhões, subida de 2,9%, mesmo considerando base de verificação que contava com R$ 155,8 milhões em receitas extraordinárias provenientes da participação na Despensa do Mundo de Clubes de 2025.

“Sem esse efeito inopinado, a receita recorrente teria desenvolvido tapume de 32%, fruto da maturação das principais frentes comerciais”, disse o clube.

“O Flamengo vai precisar faturar cada vez mais para conseguir bancar essa situação”, afirmou Somoggi.

“A receita de patrocínio aumentou por conta dos novos contratos em vigência. O grande problema é o aumento dos custos salariais, o que faz com que o clube tenha sempre essa pressão para fechar no azul”, acrescentou o diretor da Sports Value.

O Flamengo afirmou que permanece positivo na “perpetuidade do prolongamento da receita e no fortalecimento da geração recorrente de resultados”. “As principais frentes comerciais seguem amadurecendo, e os contratos já assinados dão a sustentação necessária para passar o ciclo com tranquilidade”, disse.

Somoggi ponderou que tanto Flamengo quanto Palmeiras são clubes “sólidos financeiramente”, mas convivem com as contas no vermelho pela pressão exercida por um dispêndio anual do futebol próximo a R$ 1 bilhão.

“Não são números alarmantes, mas é prudente continuar acompanhando o desempenho econômico-financeiro dos dois clubes, que têm sido a referência na gestão do futebol brasílico”, afirmou Trevisan.

Folha

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