Paulo Mendes da Rocha: Mostra reúne pautas ambientais 10/04/2026

Paulo Mendes da Rocha: Mostra reúne pautas ambientais – 10/04/2026 – Ilustrada

Celebridades Cultura

Uma gangorra rosa atravessa um muro que separa os Estados Unidos e o México. A cor vibrante desafia a a barreira enferrujada e conecta populações em um manobra lúdrico. Desenvolvida por Rael San Fratello, a performance filmada reflete ideais de Paulo Mendes da Rocha, arquiteto brasílico que tarifa a exposição “A Terceira Margem da Cidade”, em edital no MuBE, o Museu Brasílico da Estátua e da Ecologia.

Responsável pelo sítio —divulgado pelo salão subterrâneo e pela rossio que recebe os visitantes— , o urbanista repensou a sapiência técnica ao aproximar cidades e populações. No processo, readequou prédios, com mudanças mínimas e sustentáveis, para conceber projetos porquê a Pinacoteca e idealizou centros plurais, voltados a encontros entre grupos diversos e com a natureza.

Registros que resumem esse histórico dividem a sala com diferentes materiais. Utensílios, chapéus, teclados, cones de trânsito e outros objetos compõem um conjunto maciço. São vestígios que ganharam novos significados nas mãos de Gordon Matta-Clark, reciclados porquê a loja antiga que Mendes da Rocha tornou no Sesc 24 de Maio.

A peça é uma das várias que, separadas em eixos temáticos, celebram a filosofia do homenageado e os 30 anos do MuBE. “Paulo não falava de enregelar o mundo que existe, mas de melhorar a qualidade com a mínima mediação provável”, diz o urbanista Fernando Túlio, curador da exposição ao lado do arquiteto Guilherme Wisnik.

Se o enredado de sobras aborda a reciclagem, marcas de pneu na parede e imagens que embaralham asfalto e zonas verdes questionam o sistema rodoviário. Em “Coletivos 3”, de Cássio Vasconcellos, fotos áereas sobrepostas mostram um cenário caótico, onde carros andam por todos os lados, mas avenidas atrapalham a circulação dos que dependem do transporte público.

Ao lado, uma bicicleta carrega um amontoado de tijolos. A obra do mexicano Héctor Zamora substitui o varão pela material de construção social e inverte definições de corpo e trabalho à luz do deslocamento urbano. Já no trabalho de Fábio Riff, uma máquina imita tabelas de Excel. Ela calcula dados ambientais, porquê emissões de gases de efeito estufa, e emite alertas com cores vibrantes.

Ao volta de mapas ferroviários, com organizações adaptadas a rios, e croquis também de Mendes da Rocha —caso do Cais das Artes, multíplice cultural inaugurado recentemente na orla de Vitória— a superfície seguinte desenvolve relações entre a sociedade e a chuva.

Pendurada pelo teto, uma malha metálica envolve cilindros prateados e se estira no pavimento. A estátua de Arthur Lescher aproxima o material sólido do comportamento fluvial. A teoria é denunciar efeitos da industrialização, cada vez mais agressiva, sobre as fontes hídricas da Terreno.

Ao acessar a próxima seção, o visitante cruza grãos de areia e uma longa fileira de tijolos, revestidos por placas transparentes. A peça de Ary Perez, Flávia Quadros e Débora Araujo representa The Line, cidade linear prevista para ocupar o deserto da Arábia Saudita num horizonte longínquo.

Túlio faz coro a especialistas que consideram o projeto inviável e o situa entre exemplos de novas barreiras, literais e simbólicas, que a humanidade quer erguer —na maioria por pressões capitalistas e em escalas utópicas. Junto a malhas de trens que indicam zonas indígenas afetadas pelo negócio, a cartógrafa Carolina Passos e a artista Hind Al-Shoubaki pintam linhas e círculos vermelhos no mapa-múndi.

São ilustrações que identificam muros fronteiriços e rotas de imigração, resultados dessas obstruções. “Elas refletem conflitos que dominam regiões porquê o Oriente Médio e a África, em decorrência da extrema-direita, e dialogam com a sátira que Paulo sempre fez aos efeitos do colonialismo”, afirma Túlio.

Ao comentar esses obstáculos artificiais, alguns imaginários, o curador introduz o eixo final da exposição. Com desenhos feitos por crianças e fotografias de atividades comunitárias —caso da Formigas de Embaúba, ONG que monta miniflorestas em jardins públicos— o segmento sugere soluções para o horizonte.

Divididas entre a superfície interna e a rossio do museu, as obras evidenciam transformações próximas às que Mendes da Rocha buscava. No subterrâneo, uma instalação da Fazendinhando —organização que reaproveita objetos descartados em comunidades— reúne uma torneira, uma porta e uma janela ao simular uma sala. O cômodo idealizado por Ester Carruagem ainda traz o expor “favela regenera”.

Já na superfície, uma minifloresta da Formigas de Embaúba junta vegetação que miram o firmamento. “O reflorestamento antecede o manejo da terreno com vegetação que serão retiradas para enriquecer o solo”, diz Túlio. “Essa clareira do concreto ilustra unicamente o início de uma floresta, mas antecipa o horizonte.”

Folha

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