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Peça De Paul Preciado Põe Público Do Mirada Em Alerta
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Peça de Paul Preciado põe público do Mirada em alerta com encenação minimalista – 09/09/2024 – Ilustrada

Em silêncio, o público que lotou o ginásio do Sesc Santos ouviu, no sábado (7) a leitura teatral do oração em que o noticiarista e filósofo trans Paul B. Preciado contestou, em 2019, a epistemologia da diferença sexual que sustenta a psicanálise e o regime patriarcal.

Uma das principais atrações da sétima edição do festival Olhadura, o espetáculo “Yo Soy El Monstruo Que Os Habla” é uma encenação em cinco vozes, com artistas reproduzindo a participação de Preciado na Jornada Internacional da Escola da Pretexto Freudiana, em Paris.

Na ocasião, o espanhol falou para 3.500 psicanalistas e questionou a disforia de gênero, uma vez que consta na Classificação Internacional de Doenças, atribuída a pessoas trans. Também relatou a sua vida não binária, denunciou a violência e convidou os profissionais a se abrirem às mutações de gênero. Preciado não conseguiu concluir o oração, publicado posteriormente em livro.

No espetáculo, cinco pessoas trans e não binárias utilizam microfones instalados em um cenário seco para reproduzir a palestra vocábulo por vocábulo. A cena também é composta por um púlpito, algumas flores e projeções usadas para denunciar as brutalidades contra os chamados corpos dissidentes.

“A obra revelou-se um traje quase sob medida para nossas histórias de vida, um relato sobre sua biografia e reflexões muito próximas às nossas experiências”, diz o ator Victor Viruta.

“Sinto que estou diante do espelho questionando o sistema por sua injustiça contra as mulheres trans”, afirma a atriz Faby Hernández. “É uma catarse pessoal”.

O Olhadura começou na quinta (5), com o grupo peruviano Yuyachkani, que apresentou “El Teatro Es un Sueño” no recinto do Sesc Santos, depois uma chuva fina ter inábil o projecto original, de montar o espetáculo na rossio Doutor Caio Ribeiro de Moraes e Silva, em frente à instituição.

Considerado um dos principais eventos de artes cênicas do país, o Olhadura reúne, até o dia 15 de setembro, 33 produções teatrais contemporâneas da América Latina, Portugal e Espanha. Elas ocupam 17 lugares, em 80 sessões, e abordam temas uma vez que as questões indígenas, decoloniais e climáticas, além da violência de gênero, migrações e a variedade dos corpos.

Apresentada no Outeiro de Santa Catarina, marco do povoamento de Santos, na região medial, a peça “Granada”, do Chile, foi também destaque no primeiro final de semana do festival. O espetáculo apresenta uma releitura do mito heleno de Perséfone, raptada e violada pelo tio Hades.

Sentado em cadeiras ao ar livre, o público é testemunha de uma história antiga e, ao mesmo tempo, atual. Uma história de abusos contra a mulher repetida ao longo do tempo. A narração é feita por meio de fones de ouvido, enquanto os espectadores acompanham as interpretações corporais e muito expressivas dos atores.

A história mitológica é invadida por elementos modernos, uma vez que o celular. E também por informações jornalísticas sobre a violência contra as mulheres, acompanhadas por indagações sobre a origem da vexação patriarcal.

Momentos históricos do Peru e do Chile foram lembrados em espetáculos apresentados na sexta e no sábado. “Esperanza” remete aos anos 1980, quando o Peru acabara de trespassar de uma ditadura e vivia, ao mesmo tempo, a crise econômica, o aumento da violência e a expectativa sobre os novos tempos.

Em um palco tradicional, com cenário que reproduz a mansão de uma família empobrecida —e à flor da pele— em Lima, um almoço é organizado para receber um candidato à prefeitura. O político representa a ilusão em torno de um horizonte melhor e as relações familiares demonstram o tensionamento e a deterioração do país.

Também em palco italiano, mas com tons de performance e músico, “Subterrâneo, um Músico Obscuro”, costura fatos relacionados aos 33 homens presos no desabamento da mina San José no Chile, em 2010. O espetáculo é o resultado da colaboração entre os portugueses do grupo Má-Geração e os brasileiros do Foguete Maravilha e do Dimenti.

Diretora e dramaturga peruana, Mariana e Althaus apresentou a peça-documento “La Vida en Otros Planetas”, sobre a instrução pública no Peru a partir da própria experiência e de depoimentos de alunos, professores e dos atores.

“O teatro é para não nos sentirmos tão sozinhos e para tentarmos compreender o outro”, disse a diretora em um bate-papo com a atriz Lydia Del Picchia, do Grupo Galpão. Ela falou também sobre os desafios de liderar um grupo teatral em um país machista uma vez que o Peru. “É preciso ter coragem”.

Secção da programação do festival ocupa também unidades do Sesc em São Paulo, no evento Extensão Olhadura. Nos dias 13 e 14, por exemplo, o Sesc Bom Retiro recebe o Teatro Experimental do Porto, de Portugal, e o Teatro La Maria, do Chile. Eles apresentam “G.O.L.P.”, em que imaginam o país português em um regime comunista perfeito e o chileno em crise.

O universo do cineasta Rainer Werner Fassbinder inspira “Sombras, Por Supuesto”, da diretora argentina Romina Paula e da Compañia El Silencio, sobre uma investigação das sombras íntimas dos personagens. O espetáculo será apresentado nos dias 18 e 19 de dezembro, no Sesc Belenzinho.

O Extensão Olhadura terá espetáculos nacionais que estreiam no festival, uma vez que “Monga”, no Sesc Avenida Paulista, em que a atriz Jéssica Oliveira evoca a história da mexicana Julia Pastrana, chamada de mulher-macaco e transformada em atração de circo.

A jornalista viajou a invitação da organização do evento

Folha

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