Roberto Pompeu de Toledo narra velhice em meio ao luto – 29/05/2026 – Ilustrada
A vetustez é um fardo difícil de carregar. Ela vem acompanhada de dificuldades de movimentos, descuidos, perda de força e memória e excesso de divagações. O que se fazia com naturalidade na juventude se torna difícil. Palavras antes na ponta da língua de repente fogem. Visitas ao médico se tornam rotineiras. E, aliás, há a consciência da proximidade do término e as especulações sobre a melhor forma de morrer.
O jornalista Roberto Pompeu de Toledo viu a vetustez chegar junto com a morte de sua mulher Maria Isabel em 2021. Embora estivesse com 77 anos na ocasião, ele até portanto não se sentia um idoso e pouco pensava no tópico. Mas o desaparecimento do paixão de sua vida o derrubou. “Nunca chorei tanto”, lembra. O caso tirou sua alegria e mudou seus hábitos. Muitas atividades que lhe davam prazer, uma vez que viajar, foram definitivamente deixadas de lado.
No recém-lançado livro “Memorial do Inverno – Um Retrato do Artista Quando Velho”, ele conta essa experiência e descreve com maestria e doses de humor, amparado em muitos autores ilustres, uma vez que viveu e superou esse luto. Também revela uma vez que viu a vetustez passar a ser uma questão importante e chegar acompanhada de reflexões sobre o lusco-fusco da própria existência.
Escrita entre 2022 e 2025, a obra expõe a mudança dos tempos. Se antes, uma vez que disse Norberto Bobbio, a vetustez estava associada à sabedoria, hoje os velhos são os que não sabem, principalmente quando se trata de tecnologia. Ou por outra, com o aumento da longevidade, surge o pior dos cenários, o risco da demência e das doenças degenerativas, fantasmas que perturbam a gente com idade mais avançada.
Pompeu de Toledo não faz drama. Se na primeira secção do livro (“Dor e luto”) prevalece a sombra persistente da morte de Maria Isabel, na segunda (“Vida e sorte”) já se abrem novas vertentes e o próprio ato de ortografar surge uma vez que um contraveneno para a tristeza.
“Tenho escrito esse memorial da vetustez com rapidez e alegria. Talvez nunca tenha escrito um livro com tanto exaltação”, afirma. “Mal me levanto, a cada manhã, e quero logo pôr-me à mesa de trabalho.”
Quanto mais o livro avança, mais fica simples, nas suas palavras, que a vetustez não é o término da vida, é uma vida também, é uma lanço, com dificuldades adicionais em relação à juventude. mas é vida. Amigos morrem, outros sobrevivem e o mundo continua girando, ora pregando peças, ora trazendo alegrias. O mais importante é continuar existindo com autonomia e humor.
Quem ajuda Pompeu de Toledo a continuar atilado e potente é a chamada Primeira Amiga, uma companhia habitual de conversas e jantares. Ele lembra que, quando perdeu Maria Isabel, sentiu muita falta do “elemento feminino”. Na temporada do luto invencível, se sentiu amputado. E a Primeira Amiga, viúva e cinco anos mais novidade, veio suprir essa vazio, reestabelecer um pedaço de sua espírito que havia sido lacerado. “Sinto falta quando fico uma semana sem vê-la”, conta.
Na terceira secção do livro (“Auroras e Galos”), o responsável, agora com 81 anos, se mostra confortável com sua novidade quesito. Começa citando o gerontólogo Alexandre Kalache, que fala da relevância de se preservar a capacidade funcional para chegar aos 80 supra da risco da sujeição.
O luto foi superado, ele desfruta de autonomia e mora só em um apartamento em Higienópolis, mas longe da solidão. Tem filhos, netos, a Primeira Amiga e vários amigos queridos com quem se encontra com frequência. Tem também o ofício da escrita, que domina uma vez que poucos, e está circunvalado de livros. Diverte-se com suas viagens para a mansão de campo em Atibaia.
Uma vez que diz na secção final, embora ache estranha a termo “prazeroso” para definir o envelhecimento, nega que a quesito seja horrorosa. Tem hoje menos terror de morrer do que no pretérito.
Pompeu de Toledo é responsável também de duas obras clássicas sobre São Paulo, “A Capital da Solidão” e “A Capital da Vertigem”, de outro livro de memória intitulado “O Espelho e a Mesa” e do romance “Leda”.
No primícias, esse novo livro deveria se invocar “Memorial do Outono”, mas o inverno prevaleceu por uma questão de rigor cronológico. Uma vez que a obra trata da derradeira lanço da vida, portanto pareceu mais lógico denominá-la com a estação mais fria do ano. “O inverno castiga mais as pessoas, o insensível e o isolamento que ele culpa ilustram mais a temporada da vetustez”, afirma.





