Menos dependente de jogadores da NBA e com maior presença de atletas que atuam nos principais times nacionais, a seleção brasileira masculina de basquete chega à secção final de sua preparação para a Despensa do Mundo do ano que vem em subida e consolidando-se uma vez que a principal força da América do Sul, depois décadas à sombra da rival Argentina.
Depois de retornar dos Jogos Olímpicos em Paris derrotada pelos Estados Unidos nas quartas de final, invadir a AmeriCup, subir no ranking e principiar as eliminatórias para a Despensa do Mundo de 2027 com seis vitórias em seis jogos, a seleção não quer mais ser vista uma vez que coadjuvante, mas lutar por posições melhores na disputa no Qatar, no próximo ano.
O diagnóstico é do comandante. Aleksandar Petrovic, 67, conhece muito o basquete praticado fora da NBA. Croata, ex-jogador da seleção da antiga Iugoslávia e medalhista olímpico em Los Angeles (1984), tenta imprimir à equipe brasileira uma identidade inspirada no basquete europeu, com ênfase na organização tática, na resguardo e no controle do jogo.
Essa é sua segunda passagem pelo Brasil: comandou a seleção no ciclo que levou às eliminatórias do Mundial de 2019 e retornou ao incumbência em 2024, substituindo Gustavo de Conti. Hoje, vê uma equipe dissemelhante daquela que encontrou. O time está em nono lugar no ranking da Fiba (Federação Internacional de Basquete).
“Oito anos detrás, muito poucos jovens jogadores do Brasil tinham a oportunidade para jogar fora. Agora é tudo o contrário. Muitos jovens chegam, e por isso podemos estar muito satisfeitos, porque há muitos jovens que vão nos Estados Unidos jogar pela universidade, há muitos jovens cá jogando. E, ou por outra, estão abrindo a porta da Europa, o que ajuda muito”, disse o técnico em entrevista à Folha, às vésperas de mais dois jogos nas eliminatórias —contra República Dominicana, em Brasília, nesta quinta-feira (27), e México, na Cidade do México, na próxima segunda (31).
O elenco atual representa uma transformação para uma seleção que, durante muito tempo, esteve associada a jogadores brasileiros na NBA. Leandrinho, Anderson Varejão, Nenê e Tiago Splitter fizeram secção de uma geração que tinha possante presença na liga americana e disputou as Olimpíadas de 2012 (Londres) e 2016 (Rio de Janeiro).
Hoje, o Brasil conta com Gui Santos uma vez que seu único representante na liga americana, mas Petrovic não vê isso necessariamente uma vez que um problema —o jogador não foi liberado pelo Golden State Warriors para participar deste ciclo, embora a temporada nos Estados Unidos comece só em meados de outubro.
O treinador acredita que a experiência acumulada por jogadores que passaram pela Europa, somada a uma melhora tática no país, ajudou a ampliar o repertório do basquete brasílico.
Dos 17 jogadores que compõem o grupo, oito atuam no Brasil, enquanto sete jogam no exterior e dois estão sem clube. A lista mostra justamente a maior internacionalização da seleção brasileira: além dos atletas espalhados por ligas uma vez que Espanha, Israel, Japão, Taiwan, México e NCAA (a liga universitária dos Estados Unidos), o grupo ainda conta com nomes experientes uma vez que Raulzinho Neto e Bruno Mestiço, agentes livres.
“A liga no Brasil é muito mais competitiva, muito mais táctica, muito mais orientada defensivamente, e isso ajuda muito”, disse o treinador.
Petrovic já olha para o próximo grande repto. O objetivo pronunciado para o Mundial é chegar no mínimo às quartas de final. Não unicamente pelo resultado esportivo mas porque uma boa campanha pode facilitar o caminho brasílico rumo aos Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 2028.
Ele considera a classificação ao torneio olímpico por meio Mundial preferível à urgência de disputar novamente um pré-olímpico, competição que conhece muito —já venceu um pelo Brasil e outro pela Croácia.
Porquê os Estados Unidos, país-sede dos próximos Jogos Olímpicos, já têm vaga garantida, as duas melhores seleções das Américas no Mundial terão classificação direta para Los Angeles. Petrovic considera que isso torna o caminho mais conseguível para o Brasil, que terá uma vez que principais concorrentes Canadá, Argentina e República Dominicana.
Mas é provável sonhar e ir além, segundo o técnico. Petrovic coloca o Brasil entre tapume de dez seleções capazes de litigar pelo pódio na próxima Despensa do Mundo. Alemanha, Sérvia, França, Turquia, Austrália, Canadá e, obviamente, os Estados Unidos aparecem entre os adversários que mais chamam sua atenção. Mas a intervalo, na avaliação dele, diminuiu.
“Não existe mais esse grande gap”, observou.
O mesmo vale para a América do Sul. Petrovic lembrou que, sob seu comando, o Brasil enfrentou a Argentina três vezes e venceu as três. Mais do que isso: acredita que o Brasil possa finalmente ultrapassar os argentinos no ranking da Fiba (o país vizinho hoje está na oitava colocação). Seria uma mudança simbólica para um basquete que durante décadas viveu à sombra da chamada geração dourada argentina, comandada por Manu Ginóbili e Luis Scola.
Petrovic pertence a uma geração que viveu o auge do basquete da antiga Iugoslávia e ajudou a formar uma das escolas mais influentes do esporte. E carrega no sobrenome uma história que vai muito além dele.
Seu irmão mais novo, Dražen Petrović, foi um dos maiores jogadores europeus de todos os tempos. Os dois chegaram a jogar juntos pela seleção iugoslava. Aleksandar, cinco anos e meio mais velho, acompanhou de perto a formação daquele que se tornaria uma das primeiras grandes estrelas europeias da NBA, uma vez que já dito por Michael Jordan em uma ocasião.
Dražen morreu em 1993, aos 28 anos, em um acidente de sege, quando ainda parecia estar construindo a secção mais importante de sua trajetória na NBA. Para Aleksandar, o irmão ajudou a perfurar caminho para que jogadores europeus passassem a ser vistos de outra maneira pelos treinadores americanos.
“Além de ter um talento impressionante, seu código de trabalho quotidiano foi impressionante. Sem trabalhar duro todos os dias, não é provável chegar a um nível muito cimeira, e o Drazen foi um sinônimo disso”, declarou o treinador.
Entre 1982 e 1988, Aleksandar chegou a enfrentar o Brasil de Oscar Schmidt. Jogou contra Oscar em Mundiais e Olimpíadas e guarda daquela geração uma memorandum de enorme saudação. Oscar morreu em abril deste ano, aos 68 anos.





