Empresas e governos em todo o mundo correram nesta quinta-feira (22) para emendar falhas críticas na linguagem de programação PHP, que é amplamente utilizada em vários sites pelo planeta. Ao mesmo tempo, uma empresa de segurança cibernética relatou milhões de tentativas de invasão depois a divulgação das vulnerabilidades.
A mobilização ocorreu depois que governos da Europa e de outras regiões tiraram sites do ar por sobreaviso nessa quarta-feira (21), enquanto seus operadores se apressavam para proteger sistemas que utilizam o software. Atualizações chegaram a ser divulgadas para emendar os defeitos.
As interrupções emergenciais de serviços bancários, aéreos, ferroviários, tributários e governamentais, de Tóquio a Helsinque, mostraram o quanto os sistemas públicos e corporativos dependem do software e porquê é difícil emendar rapidamente essas falhas depois que elas se tornam públicas.
No Brasil, a vulnerabilidade levou à indisponibilidade do SEI (Sistema Eletrônico de Informações), utilizado por órgãos públicos para gerir documentos e processos administrativos.
“A indisponibilidade temporária do serviço está relacionada a uma vulnerabilidade recente identificada no próprio PHP. Uma vez que consequência, qualquer emprego que dependa e seja executada em envolvente/servidor PHP é potencialmente afetada por essa fragilidade”, disse a Anatel (Escritório Vernáculo de Telecomunicações) em nota. A filial não informou uma previsão para a retomada do serviço.
“Foi um dia longo e uma noite longa, eu sei, para todo o pessoal de TI e segurança… Fazia muito, muito tempo que eu não via zero parecido”, desabafou o CEO da Microsoft, Satya Nadella, em um evento da empresa em Colônia, na Alemanha, nesta quinta-feira.
Ele afirmou que o incidente ressaltou a preço de desenvolver sistemas digitais cuja manutenção possa ser feita com segurança.
Os desenvolvedores do PHP lançaram correções urgentes na quarta-feira para vulnerabilidades que permaneceram ocultas no software por anos, até serem descobertas com o uso de IA, e recomendaram aos usuários que “atualizassem imediatamente”.
“Os detalhes dessas falhas se tornaram públicos antes que as correções estivessem prontas, e ataques vêm sendo relatados desde logo”, informou Madeline Lawrence, cofundadora da empresa belga de segurança cibernética Aikido Security.
“Assim, as empresas estão correndo para se atualizar antes dos invasores, que podem usar IA para explorar essas falhas. Essa é toda a corrida”, declarou Lawrence.
Enquanto empresas e governos aplicavam correções e suspendiam sites por sobreaviso, o número de tentativas de invasão saltou para a mansão dos milhões, segundo a empresa de serviços em nuvem Cloudflare.
“Nas 10 horas anteriores ao pregão público, observamos milhares de tentativas de exploração da irregularidade em toda a rede”, afirmou o CEO da Cloudflare, Matthew Prince, em post no X nessa quarta-feira. “Esse número saltou para dezenas de milhares nos 45 minutos depois o pregão, centenas de milhares em duas horas e, agora, milhões.”
DO JAPÃO À FINLÂNDIA
Empresas japonesas, entre elas a corretora Nomura, o banco Mitsubishi UFJ Financial Group, a companhia aérea ANA e a East Japan Railway comunicaram nesta quinta-feira que estavam suspendendo temporariamente alguns serviços de internet porquê segmento de medidas emergenciais.
A seguradora Tokio Marine Holdings informou ter suspendido o site de uma empresa do grupo. O Ministério das Finanças e a Escritório Meteorológica do Japão suspenderam parcialmente serviços online para implementar medidas de segurança, enquanto a Escritório Tributária Vernáculo japonesa retirou temporariamente seu serviço do ar.
As suspensões preventivas ressaltam a crescente preocupação com a segurança cibernética no Japão, que registrou mais incidentes cibernéticos nos primeiros nove meses do ano do que em todo o ano pretérito, segundo dados da TrendAI.
O grupo gálico de telecomunicações Orange informou ter suspendido temporariamente, por sobreaviso, o aproximação a determinados sites e aplicativos baseados em PHP em várias subsidiárias. Na quarta, o governo derrubou vários sites governamentais porquê prevenção.
A Tencent Cloud, uma das maiores provedoras de computação em nuvem da China, recomendou aos clientes que instalassem versões atualizadas do PHP, mas não chegou a pedir a suspensão generalizada de sites.
A Valtori, provedora estatal de serviços de TI da Finlândia, informou que continuou instalando correções de segurança do PHP durante a noite e que estava retirando gradualmente os bloqueios preventivos de serviços, depois ter interrompido os serviços públicos do governo na internet no dia anterior.
“A restauração dos serviços pode levar dias ou até semanas, pois, além das atualizações, os sistemas precisam ser cuidadosamente testados”, afirmou o diretor-geral da Valtori, Hannu Naumanen. A Valtori afirmou que as interrupções não foram causadas pela exploração das vulnerabilidades nem por uma invasão cibernética e que não tinha conhecimento de nenhuma exploração ativa das falhas.
Vários governos asiáticos determinaram nesta quinta-feira a realização de inspeções de segurança cibernética relacionadas às vulnerabilidades do PHP.
O Ministério da Indústria da China recomendou que organizações e usuários inspecionassem imediatamente seus sistemas e fizessem a atualização para a versão segura mais recente do PHP. Também recomendou substanciar o monitoramento de segurança cibernética e mudar contas, senhas e chaves quando necessário.
A Coreia do Sul elevou o nível de alerta de segurança cibernética para o setor privado e ativou medidas de resposta emergencial, citando preocupações com o aumento do risco de ataques de hackers.
O QUE É O PHP?
Criada no início dos anos 1990, a linguagem PHP —{sigla} que originalmente significava Personal Home Page— sustenta uma parcela expressiva dos sites públicos e é usada em plataformas porquê WordPress, Drupal, Moodle, Joomla e Magento. Por isso, qualquer vulnerabilidade sátira pode ter consequências de grande alcance.
“Todos os servidores que usam qualquer versão do PHP lançada nos últimos 20 anos estarão vulneráveis”, disse Tiffany Farriss, presidente-executiva interina da Drupal Association. “Esse problema afeta a maior segmento da internet.”
Segundo dados da Censys, empresa de perceptibilidade sobre a internet, murado de 1,5 milhão de um totalidade de 2,6 milhões de servidores identificados informam usar versões do PHP para as quais ainda não há correção disponível.
Agências de segurança cibernética de vários países recomendaram que usuários do PHP atualizem seus sistemas imediatamente ou tirem os sites do ar até a instalação das correções.
No Brasil, o CTIR.Gov (Meio de Prevenção, Tratamento e Resposta a Incidentes Cibernéticos de Governo) emitiu um alerta nesta quarta.
“[O centro] recomenda que as instituições identifiquem os sistemas, servidores, aplicações e serviços que utilizam PHP, verifiquem as versões instaladas e apliquem imediatamente as atualizações de segurança disponibilizadas pelo fornecedor, observando a compatibilidade e os procedimentos de mudança de cada envolvente”.





