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'Cara de Barro' leva vilão do Batman ao cinema com bom terror
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'Cara-de-Barro' leva vilão do Batman ao cinema com bom terror e cenas fortes; g1 já viu

“Rosto-de-Barro”, que chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (22), se diferencia de outras produções baseadas nos quadrinhos da DC Comics. O principal motivo é que o filme é o primeiro longa de terror do DCU, universo que James Gunn vem desenvolvendo desde o lançamento de “Comando das Criaturas” e “Superman”, em 2025.
O filme não é, exatamente, a primeira produção ambientada no universo do Batman no DCU que os fãs esperavam ver nos cinemas. Ainda mais protagonizada por um dos vilões do Cavaleiro das Trevas nos quadrinhos e na animação, que não é tão popular quanto o Coringa ou o Pinguim.
Mas, felizmente, o longa consegue o seu objetivo de ser uma boa obra de terror, com momentos de tensão muito construídos e cenas que podem incubar os mais sensíveis.
Assista ao trailer do filme “Rosto-de-Barro”
A trama é centrada em Matt Hagen (Tom Rhys Harries), um ator de Gotham City que está em subida em Hollywood. Sua vida de sonho é viradela do avesso em seguida se envolver com mulher do bandido Markos Szabo (David Dencik). Ele é atacado pela quadrilha do gângster, que destrói seu rosto.
Para piorar, ele sofre um golpe financeiro, perde todo o seu verba e é ignorado por todos. Desesperado em restabelecer sua vida, Matt aceita participar de um experimento criado pela Dra. Caitlyn Corr (Naomi Ackie) para reconstituir seu rosto. O procedimento é um sucesso no início, mas estranhos efeitos colaterais não demoram a brotar em Matt, que deformam não só seu corpo porquê também sua mente.
Cada vez mais transtornado, ele resolve se vingar de todos os que lhe causaram mal e usa suas novas capacidades de imitar qualquer pessoa. Só que seu libido de vingança vai torná-lo, aos poucos, cada vez mais instável e perigoso.

Matt Hagen (Tom Rhys Harries) sofre estranhas transformações no filme ‘Rosto-de-Barro’
Divulgação
Transformação na limo
“Rosto-de-Barro”, embora seja uma espécie de subversão ao filme de super-herói, não chega a ter o peso ou a dramaticidade de um “Coringa”, por exemplo. O longa está mais preocupado em funcionar porquê um filme de terror ambientado na cidade natal do Batman e consegue fazer isso muito muito.
O principal préstimo vem do roteiro, escrito por Mike Flanagan (de filmes porquê “Doutor Sono” ou “A vida de Chuck”) e Hossein Amini. Inspirados em dois episódios de “Batman: A Série Animada”, que contam a origem do protagonista, os roteiristas criam uma boa história de subida e queda do personagem, que fica cada vez mais vilanesco. Isso funciona porque, ao contrário de “Coringa”, o filme evita transformar o protagonista em alguém digno de dor.
Mas fica notório que eles também se basearam em outras produções do gênero, porquê “A Mosca” e “A Substância”, além de “Darkman: Vingança sem rosto”, que Sam Raimi realizou antes de permanecer famoso com os filmes do Varão-Aranha com Tobey Maguire. Embora não seja totalmente original, as referências não comprometem o roteiro.
Matt Hagen (Tom Rhys Harries) passa por estranhas mudanças em ‘Rosto-de-Barro’
Divulgação
A direção de James Watkins, de “Não fale o mal”, também se destaca por produzir um bom clima de suspense e terror, sem recorrer para sustos fáceis. Mormente por patentear o caráter duvidoso que Matt desenvolve à medida que sua mente começa a se gastar.
Outrossim, o diretor se mostra bastante hábil para montar sequências complicadas num mesmo envolvente. O principal destaque vai para uma cena que acontece numa boate, em que Matt precisa se encobrir de várias pessoas para se aproximar dos bandidos. O resultado ficou muito jocoso e eficiente.
Mas “Rosto-de-Barro” tem porquê principal trunfo a superioridade de seus efeitos visuais e de maquiagem. As cenas que mostram Matt deformando o rosto e o seu corpo foram muito muito realizadas. Há momentos que beiram o grotesco e podem ocasionar certa repulsa a quem não curte muito esse tipo de terror, mais publicado porquê “Body Horror”. Porém, ainda assim, não chegam ao nível que os já citados “A Mosca” ou “A Substância” alcançaram no pretérito.
Matt Hagen (Tom Rhys Harries) num momento de glória em ‘Rosto-de-Barro’
Divulgação
Nasce uma estrela de barro
“Rosto-de-Barro” não conta com um elenco recheado de rostos conhecidos. Mas, pelo menos, os atores escalados estão muito muito em seus papéis e isso ajuda na submersão da história.
Principalmente o quase anônimo Tom Rhys Harries, no papel principal. O ator galês, que não participou de muitos filmes de destaque mundial em sua curso, segura muito a responsabilidade de protagonizar uma grande produção do DC Studios. Ele transmite muito a fragilidade, o inconformismo e, no terço final, a insanidade de Matt Hagen e consegue ser uma figura magnética durante o filme inteiro.
Além de Harries, vale ressaltar a boa atuação de Naomi Ackie, de “Mickey 17”, porquê a investigador ambiciosa e, ao mesmo tempo, preocupada com o que seus experimentos podem ocasionar a seus pacientes. Ela faz com que a parceria entre Caitlyn, sua personagem, e Matt funcione muito muito e que os dois tenham química em cena.
Matt Hagen (Tom Rhys Harries) conta com a ajuda de Caitlyn (Naomi Ackie) no filme ‘Rosto-de-Barro’
Divulgação
Max Minghella, que interpreta o policial John Borelli, nubente de Caitlyn, está funcional, mas não tem grandes destaques. Já o vilão vivido por David Dencik é correto, mas zero memorável. Pelo menos não é um opositor ruim quanto o de “Supergirl”.
Mesmo sem grandes referências a personagens clássicos da mitologia do Batman, “Rosto-de-Barro” consegue entreter tanto os fãs dos quadrinhos quanto os apreciadores de filmes de terror e suspense. É um dos filmes que melhor funciona nesse universo que James Gunn está construindo. Porém, as conexões com o porvir do DCU poderiam ser desenvolvidas de forma mais orgânica.
De qualquer forma, o longa deixa uma curiosidade para saber porquê o vilão de várias faces vai brotar nas próximas produções do DCU. Quem sabe enfrentando o Batman em seu filme solo. O público, certamente, não deve reclamar.
Cartela resenha sátira g1
Arte/g1

Fonte G1

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