Por que reação negativa da Europa à intervenção de Trump na Copa não preocupa o presidente da Fifa – 07/07/2026 – Esporte
Gianni Infantino é presidente da Fifa há 10 anos e, no ano que vem, ele concorre à reeleição.
Mas a gestão de Infantino tem sido cada vez mais polêmica –do Prêmio da Silêncio da Fifa facultado ao presidente americano Donald Trump aos preços exorbitantes dos ingressos para a Despensa do Mundo.
Mas será que a decisão sem precedentes de cancelar o cartão vermelho oferecido ao atacante americano Folarin Balogun poderá ser o ponto de viradela? Balogun, o craque dos EUA, com três gols marcados nesta Despensa, foi expulso no jogo contra a Bósnia e Herzegovina.
Ele deveria ter ficado de fora da partida de segunda-feira (6) contra a Bélgica, mas teve seu cartão vermelho suspenso pela Fifa. Na partida, os americanos acabaram derrotados por 4 a 1 pela Bélgica e foram eliminados do torneio que estão sediando.
Apesar de ter sido expulso, Balogun esteve em campo —mesmo que as regras da Despensa do Mundo não permitam recursos contra cartões vermelhos.
Na segunda-feira, mais de 24 horas em seguida sua decisão inicial, a Fifa divulgou um expedido de 871 palavras que pouco esclareceu os motivos da decisão. Mas outra pessoa também se pronunciou para dar esclarecimentos.
“Fui eu quem os convenceu a fazer isso”, disse Donald Trump, quando questionado se ele havia entrado em contato com Infantino por telefone.
Trump disse que “tudo” o que fez foi pedir uma revisão. Ele afirmou que não disse a Infantino para suspender a proibição de Balogun.
Mas o simples traje de tal mediação ter ocorrido é motivo de grande preocupação em todo o futebol.
Entre os americanos, a narrativa tem sido de que houve injustiça contra os EUA, sugerindo que Balogun não deveria permanecer de fora da partida contra a Bélgica. Alguns defendem que, ao ser expulso contra a Bósnia e Herzegovina, ter perdido o resto daquela partida já seria punição suficiente.
Esses sentimentos foram expressados por Trump.
Infantino rejeitou qualquer sugestão de interferência política, insistindo que a percentagem disciplinar da entidade é independente.
Mas a percepção das pessoas é também importante nesse caso.
A decisão não beneficiou qualquer equipe —ela ajudou a seleção dos anfitriões. E os EUA são governados por Trump, que apoia Infantino e labareda o presidente da Fifa de camarada.
A suspensão do cartão vermelho parecia uma espécie de indulto presidencial.
“Oriente é o nosso esporte, não o deles”, disse o ex-técnico do Liverpool, Jurgen Klopp. “Se Donald Trump e Gianni Infantino realmente resolveram isso entre si, é uma loucura. Isso coloca tudo em incerteza.”
As consequências poderiam gerar pressão suficiente para colocar a posição de Infantino em risco?
FIFA PROÍBE INTERFERÊNCIA POLÍTICA NO FUTEBOL
Os estatutos da FIFA são claros quanto à interferência política. Ela não é permitida.
Países costumam ser suspensos do futebol internacional devido à interferência do governo nas federações nacionais de futebol. O Paquistão, por exemplo, já foi suspenso três vezes em um período de oito anos.
No caso de Infantino e Trump, as regras são diferentes?
O sorteio da Despensa do Mundo, durante o qual Trump recebeu o primeiro Prêmio Fifa da Silêncio, pareceu a culminação de dois anos em que Infantino cultivou uma relação próxima com o presidente dos EUA.
“O senhor sempre poderá recontar, sr. Presidente, com o meu base, com o base de toda a comunidade do futebol, para ajudá-lo a trazer silêncio e prosperidade ao mundo todo”, disse Infantino a Trump ao entregar o prêmio.
Em dezembro, o grupo de resguardo dos direitos humanos FairSquare apresentou uma queixa ao comitê de moral da Fifa alegando que Infantino violou as regras da entidade sobre neutralidade política ao fabricar o prêmio.
Sem receber resposta, no mês pretérito 50 deputados do Parlamento Europeu enviaram uma novidade epístola ao comitê de moral exigindo providências. Porquê em muitas situações envolvendo a Fifa, não houve resposta.
Até agora, Trump não compareceu a uma única partida da Despensa do Mundo. Mas ele fez sua presença ser sentida ao assumir a responsabilidade pela situação de Balogun.
Foi mais um exemplo de porquê o futebol pode permanecer em um segundo projecto no jogo político.
Já tínhamos visto isso intercorrer com o avaliador somali Omar Artan.
Artan teve sua ingresso nos EUA negada por agentes de imigração, e Infantino foi criminado de perder o controle da própria Despensa do Mundo.
No entanto, quando foi questionado pela prensa no mês pretérito —pela primeira vez em mais de três anos— sua resposta foi, na melhor das hipóteses, superficial.
“Simplesmente, sabe, fiquem tranquilos, relaxem”, disse Infantino sobre a situação de Artan.
Esta Despensa sempre esteve cercada de suspeitas e polêmicas —e raramente houve momentos de transparência.
Outro exemplo foram as cinco horas de indefinição na sexta-feira passada, quando a Fifa primeiro decidiu mudar o horário de início da partida das oitavas de final entre Inglaterra e México e depois voltou detrás, fingindo que zero havia sucedido.
A situação de Balogun segue o mesmo roteiro: uma decisão comunicada sem qualquer justificativa. O futebol simplesmente recebe a informação sobre uma decisão e precisa acatá-la.
POLÊMICAS NOS BASTIDORES DA COPA
Se fôssemos listar todas as controvérsias recentes do futebol, nascente texto seria bastante longo.
Mas vamos considerar o processo de decisão das sedes das Copas do Mundo de 2030 e 2034, há dois anos, um tanto que muitas vezes passa despercebido.
Foi resolvido que a edição de 2030 seria realizada em três continentes: África, Europa e América do Sul. Isso significava que o torneio de 2034 teria de ser realizado na Ásia ou na Oceania.
Sem concorrência real, isso praticamente garantiu que a Arábia Saudita (que fica no extremo oeste da Ásia ) —um país que enfrenta questionamentos sobre seu histórico de direitos humanos— seria a anfitriã.
A Arábia Saudita e a Fifa, sob a gestão de Infantino, têm hoje uma relação próxima.
A federação norueguesa de futebol se absteve e argumentou que o processo de candidatura enfraquecia as “reformas da Fifa para uma boa governança” e colocava em incerteza a “crédito na Fifa”.
Outro exemplo é o da Despensa do Mundo de Clubes – que para alguns seria uma espécie de torneio de verão indesejado criado pela Fifa para permanecer com uma fatia das receitas dos clubes.
Sergio Marchi, presidente do sindicato global de jogadores Fifpro, afirmou no ano pretérito que o torneio foi criado “sem diálogo, sensibilidade e saudação”.
E agora temos o caso Balogun.
“O futebol nunca deve se tornar um espaço para o poder político”, escreveu o ex-presidente da Fifa Sepp Blatter no X.
Vale lembrar que Blatter foi forçado a deixar a presidência da Fifa em seguida um escândalo de depravação — sendo substituído por Infantino em 2016.
UEFA CONTRA INFANTINO
A Uefa, entidade que representa o futebol europeu, entrou na polêmica nesta terça-feira (7) ao manifestar poderoso oposição à decisão sobre Balogun.
A entidade que governa o futebol europeu afirmou que a Fifa havia “cruzado uma risco vermelha” e descreveu a medida porquê uma “decisão sem precedentes, indecifrável e injustificável”.
Essa não é a primeira vez que a Uefa entra em conflito com a Fifa.
Em maio de 2025, o presidente da UEFA, Aleksander Ceferin, liderou um grupo de delegados europeus que abandonaram as sessões durante um pausa do Congresso da Fifa.
Infantino estava em uma viagem diplomática pelo Oriente Médio ao lado de Trump e chegou com 2 horas e 17 minutos de tardada.
A Uefa também tentou substanciar sua posição política durante a Despensa do Mundo.
Logo que o avaliador Artan desembarcou de volta em morada, na Somália, no mês pretérito, a Uefa anunciou que ele havia sido convidado para apitar o jogo da Supercopa da Uefa entre Paris Saint-Germain e Aston Villa, em 12 de agosto.
E ao longo deste ano, a Uefa tem feito questão de primar porquê os ingressos da Euro 2028 são baratos em confrontação com os da Despensa do Mundo. A entidade não introduzirá pausas para hidratação nem cartões vermelhos para jogadores que cubram a boca —duas novidades da Fifa adotadas na atual Despensa.
Mas vale ressaltar que o próprio Infantino veio da Uefa. Durante muitos anos, ele foi o responsável pela apresentação dos sorteios da Liga dos Campeões.
Talvez ele não seja exatamente uma persona non grata na confederação europeia —ele discursou no Congresso da Uefa em fevereiro— mas há atritos óbvios.
Levando tudo isso em conta, seria de se esperar que a posição de Infantino poderia estar em risco.
Pelo contrário. Infantino é popular entre muitas federações ao volta do mundo —e muito disso se deve à promoção do futebol pela Fifa.
O programa Fifa Forward, de Infantino, financiou projetos de futebol em todo o planeta e criou oportunidades por meio da expansão da Despensa do Mundo.
A Despensa agora tem 16 seleções adicionais —a grande maioria delas de confederações menores. Já a Europa recebeu exclusivamente três das vagas adicionais.
Esta Despensa do Mundo mostrou que as seleções da Ásia e da Concacaf ainda precisam melhorar muito para serem competitivas.
Mas Infantino ofereceu uma chance a nações que antes tinham pouca esperança de disputar uma Despensa do Mundo, porquê Cabo Verdejante, Curaçao, Jordânia e Uzbequistão.
Apesar de todas as críticas ao formato com 48 equipes, ele estimulará nações com menos tradição a desenvolver seu futebol e se fortalecer —e será que isso não é um tanto positivo para o esporte em todo o mundo?
Na verdade, existe um problema. Torneios porquê a Despensa do Mundo, com seus preços exorbitantes de ingressos, financiam esses projetos.
Oriente ano, a Fifa espera recolher US$ 9 bilhões.
A Uefa pode se opor a muito do que a Fifa e Infantino representam, mas o futebol europeu é o mais rico do esporte e consegue, em grande medida, se financiar sozinho.
O restante do futebol depende de Infantino e do quantia que a Fifa gera.
A Fifa é composta por 211 países. Cada um deles tem recta a um voto na eleição da presidência da entidade, sendo necessários 106 votos para vencer uma eleição.
Vamos examinar esses números.
Em abril, a Conmebol —a confederação sul-americana— afirmou que seus 10 países apoiariam Infantino. Três semanas depois, a Confederação Africana de Futebol (CAF) confirmou o base unânime de suas 54 associações. Pouco tempo depois, as 47 nações da Confederação Asiática de Futebol seguiram o mesmo caminho.
Com 111 votos, Infantino já é imbatível.
Mesmo que a Uefa acredite ser capaz de reunir um candidato de oposição viável, a disputa já parece estar decidida.
Infantino foi reeleito sem oposição em 2019 e 2023. Seria necessário um tanto realmente incrível para que alguém se candidatasse contra ele em 2027.
O texto foi publicado originalmente neste link.
Usamos lucidez sintético para transcrever esta reportagem, originalmente escrita em inglês. O texto foi revisado por um jornalista da BBC antes da publicação. Saiba mais cá sobre porquê a BBC está usando a lucidez sintético (link para texto em inglês).





