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Prêmio Jabuti força a mentir sobre IA, diz ilustrador
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Prêmio Jabuti força a mentir sobre IA, diz ilustrador – 14/10/2026 – Ilustrada

Desclassificado do Jabuti em 2023 por usar perceptibilidade sintético, o designer gráfico Vicente Pessôa segue recorrendo à tecnologia e aparece novamente entre os semifinalistas do prêmio —dessa vez, diz ter mudado seu processo criativo. Está indicado na categoria revestimento com “O Idiota”, publicado pelo Clube de Literatura Clássica.

Pessôa diz usar IA generativa desde que foi disponibilizada no Brasil, no segundo semestre de 2022. Naquele ano, ele concorreu ao Jabuti pela primeira vez. Em 2023, usou ferramentas de IA na revestimento de “Frankenstein”, também do Clube de Literatura Clássica, o que levou à sua desclassificação do prêmio.

Dessa vez, o ilustrador diz que foi orientado pela editora a não usar IA para fazer o projeto de revestimento. “Eu usei o Midjourney para gerar uma imagem e desenhei com base nessa referência”, afirma, sobre o trabalho indicado agora porquê semifinalista. Acha que descumpriu a orientação do clube? “Não sei”, responde.

Para Pessôa, a IA é somente uma instrumento. Ela substituiu buscas por imagens no Google e no site Archive.org por pesquisas no ChatGPT e prompts elaborados pelo Claude. Segundo o designer, sua função é resolver problemas com os recursos que estiverem disponíveis, desde que não sejam ilegais.

De toda forma, a perceptibilidade sintético não é bem-vinda no Jabuti. O regulamento rejeita concorrentes que tenham empregado IA ou tecnologias similares em “tarefas autorais”, termo que o prêmio emprega para definir “todas aquelas pelas quais os autores são responsáveis, incluindo contribuições substanciais para a concepção da pesquisa, a tradução de textos e dados e a redação de todos os elementos textuais da obra inscrita”.

Pessôa diz que o prêmio se recusa a admitir as mudanças no mercado. Segundo ele, direta ou indiretamente, a IA já está integrada nos processos e ferramentas usados por designers. “O Jabuti está forçando todo mundo a mentir e premiando a moca.”

Daniel Brito, também semifinalista na categoria revestimento pelo trabalho em “Anônimos”, discorda que a IA seja incontornável e afirma saber designers que não a usam. Ele diz recorrer à instrumento em seu trabalho para aligeirar processos de tipografia, mas que a revestimento que concorre ao prêmio passou longe dessa tecnologia.

“Fizemos um experimento no Liceu de Artes com um drone. Na diagramação, usei Photoshop para tratamento de imagem e correção de angulação”, conta.

Brito não defende que a IA seja banida, mas diz confiar que integrar a tecnologia ao processo criativo tende a empobrecer o resultado. “O valor do design está na teoria e na solução, e a IA não tem a melhor teoria, ela só requenta o que já está na internet.”

Ele vê o regulamento do Jabuti porquê uma reação ao “pânico universal” que está tomando o mercado. “Ao escolher os melhores do Brasil, não é ideal incluir a pessoa que deu a solução mais fácil. O prêmio tem que ser rigoroso, já que se propõe a comemorar as pessoas criativas.”

Pessôa, por sua vez, questiona a decisão lembrando ocasiões em que a premiação reconheceu autores e artistas de maneira póstuma. “Esse é o estado do Jabuti hoje: preferem premiar os mortos porque ainda não têm condições de processar os vivos.”

Pessôa é um dos fundadores da Barca, empresa que se apresenta porquê uma aceleradora de cultura e mantém 11 clubes de assinatura de livros. Tanto as capas das obras enviadas aos assinantes quanto os livretos que os acompanham são produzidos com perceptibilidade sintético.

“Dos redatores aos revisores e editores, a gente incentiva todo mundo da Barca a usar IA para otimizar o processo.”

Ele afirma que o uso da tecnologia permite gerar projetos de qualidade supra da média em menos tempo. Com equipes enxutas, diz, é provável produzir mais e remunerar melhor os profissionais. “O profissional não é menos valioso por razão da IA, ele é mais valioso por estar usando.”

Na Barca, diz que erros são recebidos porquê secção do trabalho, mas mentir sobre o uso da tecnologia não é tolerável. Ao concorrer ao Jabuti com “Frankenstein”, Pessôa incluiu o Midjourney nos créditos junto a seu nome. Isso passou vencido pelos jurados e, depois que o caso veio a público, ele foi desclassificado.

“É simples que vai ter ilustrador que vai falar que IA não é arte. Mas, sinceramente, eu não tô nem aí.”

Folha

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