Primárias da direita ainda não ameaçam Flávio Bolsonaro – 03/08/2026 – Encaminhado com Frequência
O período de convenções partidárias se encerra na quarta-feira (5), mas o escorço da corrida presidencial já está posto.
O PT oficializou Lula neste domingo (2), e do outro lado do espectro o quadro tem quatro candidaturas de direita formalizadas contra o presidente. Flávio Bolsonaro pelo PL, Ronaldo Caiado pelo PSD, Romeu Zema pelo Novo e Renan Santos pelo Missão disputam a preeminência do próprio campo. Começa a se formar uma primária informal da direita que será decidida na mobilização e nas pesquisas até que a lógica do voto útil force a consolidação em torno de um nome.
Para observar uma vez que se desenrola essa “primária informal”, o monitoramento da Palver em tempo real de mais de 100 milénio grupos públicos de WhatsApp e Telegram registrou as menções aos quatro candidatos.
Por meio desse sistema mede-se a circulação de oração, um termômetro de mobilização que não deve ser lido uma vez que intenção de voto. Segmento da conversa sobre esses nomes também origina-se de usuários à esquerda presentes nos grupos, de modo que os números descrevem a recepção nesse envolvente diverso, um pouco notável de um plebiscito interno da direita.
Além de medir quem apoia e quem ataca cada candidato, o monitoramento distingue o comportamento de quem publica. De um lado, classificamos usuários orgânicos, que debatem, respondem uns aos outros e reagem ao que leem; do outro, usuários de disseminação coordenada, que despejam as mesmas peças em série sem interagir com ninguém.
Comportamento coordenado pode ser desde robôs programados para fomentar um debate até militantes digitais. A diferença cá está no tipo de notícia que cada usuário ajuda a difundir. Os perfis de disseminação apresentam padrões compatíveis com amplificação sintético, mas não necessariamente robótica.
Flávio Bolsonaro domina a conversa bruta com 70% das menções do campo conservador. É também, de longe, o mais dependente de mensagens coordenadas. 90% das mensagens sobre ele partem de perfis de disseminação, 80% são cópias idênticas ou quase idênticas umas das outras. O 1% de usuário mais ativo gera quase 20% do seu volume, e ele é o único dos quatro sitiado por contas hiperativas.
Aplicados os filtros de comportamento orgânico, sua fatia cai de 72% no volume bruto para 63% entre quem de indumento debate e para 57% quando olhamos unicamente uma mensagem por usuário. Ainda assim, o senador segue majoritário mesmo quando descontadas todas as mensagens coordenadas. Flávio sozinho mobiliza mais gente que os três rivais somados.
A verdadeira primária acontece um andejar aquém. No recorte que contabiliza unicamente usuários orgânicos, Caiado fica com 17% da conversa, Zema com 15% e Renan com 12%, uma diferença pequena demais para sagrar alguém.
Quando olhamos os números entre as mensagens que tomam posição positiva, Caiado tem 27% de menções positivas, Zema, 24%, e Renan, 18%, contra 52% de Flávio. Nenhum dos três conquistou o território onde a militância conservadora conversa.
Renan Santos é o candidato com o menor índice de coordenação, nenhuma conta hiperativa e o perfil mais orgânico do campo. Porém sua presença nos grupos é a menor e a pior recebida, puxada por ataques de militantes bolsonaristas, que o apelidaram de “Lula da geração Z”, e também de militantes de esquerda.
Vale ressaltar que os grupos políticos de WhatsApp são um território mais velho e majoritariamente bolsonarista, enquanto a candidatura de Renan vem sendo construída para uma geração mais jovem que habita outras plataformas.
Quase 60% dos ataques que partem do campo de direita miram Lula. Mas quando a direita atira em si mesma, 70% dos ataques acertam Flávio.
Caiado o chamou de “frango de granja” ao oficializar a candidatura, Renan o trata uma vez que pessoa do centrão e Zema prejudicou a relação desde o repúdio aos áudios vazados com Daniel Vorcaro.
Do outro lado, o oração que defende Flávio simplesmente ignora os rivais de campo e mira Lula, o STF e a prensa. O representante do bolsonarismo se comporta uma vez que quem já venceu a primária e disputa a eleição universal; os três desafiantes se comportam uma vez que quem precisa derrubá-lo primeiro.
É por isso que os números sugerem que a disputa interna dificilmente se resolve por préstimo dos desafiantes. A corrida só se tornará uma corrida se um indumento novo obrigar o predilecto a descer do tribuna universal para proteger seu eleitorado.
Caiado, Zema e Renan correm menos uns contra os outros e mais por posição, à espera de que o predilecto tropece. A primária da direita, por ora, é uma fileira de herdeiros diante de uma legado que ainda não vagou.
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