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Projeto leva atendimento médico a comunidades ribeirinhas do Amazonas
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Projeto leva atendimento médico a comunidades ribeirinhas do Amazonas

Aldeniza Silva e Silva espera o quinto rebento. Prenha de sete meses, a moradora da comunidade ribeirinha de Boa Vista, localizada na Suplente de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Uacari, na região do Médio Rio Juruá, em Carauari (AM), precisava, até logo, se transferir até a zona urbana do município para conseguir uma consulta médica.

Um trajeto que pode levar dois ou três dias de rabeta (pequena embarcação) – dependendo se o rio está pleno ou sequioso, quando fica mais demorado velejar. A única forma de se transferir até a cidade é por meio fluvial: em muitas regiões do interno do Amazonas, cercadas pela grandiosidade da floresta amazônica, não há rodovias e o único caminho provável é navegando pelos rios.

Era somente na cidade – forma porquê os ribeirinhos chamam a zona urbana de Carauari – que Aldeniza conseguia fazer seu pré-natal. Por pretexto das dificuldades de entrada, até agora, ela só passou por três consultas, quando o ideal, segundo o Ministério da Saúde, é que as gestantes sejam acompanhadas em um mínimo de seis.

Essa situação é enfrentada diariamente por milhares de ribeirinhos espalhados pela zona rústico de Carauari, uma simpática cidade banhada pelo sinuoso Rio Juruá e que tem murado de 28 milénio habitantes, segundo o último recenseamento do Instituto Brasiliano de Geografia e Estatística (IBGE).

O extenso território de Carauari está localizado a mais de 1,6 milénio quilômetros de intervalo, em traço fluvial, da capital do Amazonas – uma viagem de aproximadamente 36 horas de lancha expressa, com o rio sequioso. A secção rústico é formada por dezenas de comunidades ribeirinhas, que ficam a dias de intervalo da zona urbana.

Assim porquê Aldeniza, a ribeirinha Maria Valkiane Freitas e Silva, da comunidade de Bauana, também precisa enfrentar um longo trajeto de murado de 12 horas de rabeta para ir até a cidade para se consultar.

“Para ir [o preço] é uma botija, R$ 160. Mas para vir é duas ou três”, contou.

Depois a inauguração de dois pontos de atendimento à saúde nas bases da Instalação Amazônia Sustentável (FAS) nas regiões de Varga e Bauana, ocorrida na última semana, essa intervalo foi encurtada.

“Agora [a distância] é só de uma praia”, comemorou Aldeniza, que passou a seguir com o pré-natal no posto de Varga.

“Eu tinha que ir para Carauari fazer minha consulta, mas graças a Deus, tem esse posto cá. Aí eu vim hoje me consultar”.

Ela também aproveitou a vinda ao ponto de atendimento para trazer a filha, de seis anos, que não estava muito de saúde. “O médico falou que podia ser verme”, disse.

Estrutura

A estrutura dos dois pontos de atendimento é uma solução adaptada à veras sítio, com foco no suporte às equipes de saúde, na realização de atendimentos presenciais e no uso da telessaúde. Cada unidade é equipada com consultórios para atendimentos presenciais e remotos, sala de triagem, consultório odontológico, conexão à internet, equipamentos de telessaúde e áreas para a permanência das equipes de saúde.

Todos os serviços oferecidos são integrados ao Sistema Único de Saúde (SUS), embora todo o projeto seja desenvolvido por meio de uma parceria público-privada.

Chamado de SUS na Floresta, o padrão adotado em Carauari é resultado de um edital do programa Juntos pela Saúde. O projeto é executado pela Instalação Amazônia Sustentável (FAS), em parceria com o Banco Pátrio de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Umame, com gestão do Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS) e suporte técnico da prefeitura de Carauari e da Secretaria do Meio Envolvente do Amazonas.

“Um princípio fundamental deste projeto e de todos os participantes do Juntos pela Saúde não é fabricar uma estrutura paralela ao SUS, mas sim reforçá-la. Os pontos de atendimento são implantados em parceria com as prefeituras e as secretarias municipais de Saúde, e os profissionais responsáveis pelo atendimento estão vinculados à rede pública e à Estratégia Saúde da Família”, explicou Guilherme Sylos, diretor de prospecção e parcerias do IDIS.

 


Brasília - 25/07/2026 - Posto de Saúde Bauana. Foto:  Lucas Bonny/FAS
Brasília - 25/07/2026 - Posto de Saúde Bauana. Foto:  Lucas Bonny/FAS

Brasília – 25/07/2026 – Posto de Saúde Bauana. Foto: Lucas Bonny/FAS

 

Nem muito foi inaugurado, rumores sobre a instalação de um ponto de saúde mais próximo das comunidades ribeirinhas já estavam circulando pela região. Na comunidade de São Francisco, próxima à unidade da FAS em Varga, por exemplo, a população já estava sabendo da novidade e se preparando para procurar atendimento.

“Caso a gente adoeça, tem um meio melhor para a gente ser atendido porque é perto daqui. Não tem nem confrontação de ir na cidade, que é muito longe. Às vezes, não dá tempo nem de chegar lá. Que nem uma vez que eu adoeci da pilastra e cheguei lá [na cidade], em seguida permanecer deitada na palha mesmo, deitada quase no porão, porque eu não aguentava mais permanecer sentada”, contou a ribeirinha Cecilia Prelado de Lima, da comunidade São Francisco.

As novas estruturas devem não só oferecer qualquer tratamento para as dores nas costas de dona Ceci ou realizar o pré-natal de Aldeniza, mas também ajudar na prevenção de doenças e na estratégia de vacinação, porquê é o caso de Luana do Carmo da Gama, que levará o rebento Antonio Pedro, de exclusivamente quatro anos, para ser imunizado.

“Vai ser ótimo para nós. Qualquer coisa, a gente pode vir cá. Tem o pessoal para ajudar a gente, né?”.

Distâncias encurtadas

Antes, para conseguir um atendimento essencial de saúde, moradores da zona rústico ou das comunidades ribeirinhas de Carauari precisavam fazer um trajectória de horas ou dias em uma viagem de lancha para chegar até o posto mais próximo, localizado na zona urbana da cidade.

Em situações extremas e graves, a prefeitura de Carauari disponibiliza ainda uma lancha de resgaste (as chamadas ambulanchas) para os ribeirinhos – buscando-os em suas comunidades e levando-os até a cidade em percursos que duram horas ou dias, dependendo da intervalo da comunidade e da requisito do rio.

Na última semana, os dois novos pontos de suporte em saúde foram inaugurados mais próximos das comunidades ribeirinhas da RDS Uacari.

O primeiro foi inaugurado no domingo pretérito (19) na comunidade de Bauana e recebeu o nome de Raimundo Ribeiro de Lima (Saborá), em homenagem a um líder comunitário da região. O segundo foi batizado em homenagem à líder comunitária Laice Santos do Promanação e inaugurado na última terça-feira (21) na região de Varga, também no município de Carauari.

Os dois pontos estão localizados dentro de duas unidades da Instalação Amazônia Sustentável (FAS) em Carauari. Juntos, eles devem atender 56 comunidades ribeirinhas, beneficiando murado de 4,7 milénio pessoas.

“O SUS na Floresta é uma iniciativa que procura ajustar e fortalecer a Atenção Primária à Saúde em comunidades ribeirinhas e tradicionais da Amazônia, considerando os grandes deslocamentos, a sazonalidade dos rios, a baixa disponibilidade de profissionais e as particularidades culturais desses territórios”, explicou Guilherme Sylos, diretor de prospecção e parcerias do IDIS.

Somente na semana em que foram inaugurados, os dois pontos já conseguiram evitar diversas chamadas para as lanchas de resgate.

Só em Varga foram evitadas cinco, entre elas a do jovem Thiago Freitas Andrade, da comunidade de Xibuauzinho, que pisou em um tábua com pregos enquanto jogava esfera. Thiago ficou uma semana sofrendo com dores no pé, antes de procurar o ponto de atendimento em Varga.

“Estava doendo muito, eu passei duas noites sem dormir”, contou ele.

No ponto de saúde, ele foi atendido por um enfermeiro e uma técnica em enfermagem. “Tomei duas injeções. Uma vez que estava muito inflamado, eles cuidaram do meu dedo e aí passaram toda a medicação e também me deram medicamento para desinflamar. E aí aconselharam o repouso”, disse Thiago. 

Além de Thiago, uma párvulo que se furou com o anzol de uma traço de pesca foi atendida.

“Chegamos cá em Varga no dia 12 de julho. E já começamos a atender as pessoas. Atendemos desde atenção a ferimentos graves, que poderia ser uma indicação de resgate, até pré-natal. Já fizemos atendimentos de hipertensos além de outros, que são mais corriqueiros cá, porquê gripe. Tem muito caso gripal, principalmente em crianças. São atendimentos que poderiam ser feitos tranquilamente cá e que as pessoas não precisariam se transferir até Carauri”, explicou o enfermeiro Antônio Carlos Alves Bezerra.


Brasília - 25/07/2026 - Posto de Saúde Bauana. Foto:  Lucas Bonny/FAS
Brasília - 25/07/2026 - Posto de Saúde Bauana. Foto:  Lucas Bonny/FAS

Brasília – 25/07/2026 – Posto de Saúde Bauana. Foto: Lucas Bonny/FAS

Para o também enfermeiro Jefferson Martins Honorato, que foi deslocado para trabalhar em Bauana, estar mais próximo das comunidades vai fazer muita diferença para a população ribeirinha.

“Se eles tiverem, vamos supor, uma algia abdominal (dor de ventre), eles não vão querer ir até o município. Eles vão procurar um remédio granjeiro. Mas se estiver cá um profissional, um enfermeiro, um técnico ou um agente de saúde, eles vão nos procurar e vamos empregar a medicação correta involuntariamente. Se estivermos perto deles, eles vão nos procurar”, destacou.

Além de atendimentos de urgências, os pontos de saúde de Varga e de Bauana vão permitir que os pacientes possam se consultar com os médicos, por atendimento presencial ou teleconsultas. Os profissionais devem visitar os locais em mutirões ou de forma esporádica.

“Antes o morador ia lá para a cidade só para ter uma consulta. Agora não, tem teleconsulta cá no polo”, explicou a técnica de enfermagem Denise de Sousa Brito. 

Em entrevista à Sucursal Brasil, o secretário municipal de saúde de Carauari, Manoel Brito, explicou que cada uma das unidades contará com um enfermeiro e um técnico em enfermagem, que vão se revezar por 15 dias, até que sejam substituídos por uma novidade equipe.

“E no final de 15 dias, a gente vai ter atendimento de uma demanda pré-agendada para médico e odontólogo. E, se nesses 15 dias tiver urgência de atendimento médico por teleconsulta, isso será feito com um médico da sede [da cidade]”.

A tarefa de cada um desses profissionais vai não somente encurtar as distâncias, porquê também permitir que o atendimento possa ser guardado mesmo para aqueles que não conseguem remunerar pelo deslocamento para serem consultados na cidade.

“Hoje uma paciente veio cá comigo e enfrentou um ramal [um caminho] de 30 minutos para poder ser atendida cá, com infecção urinária. Ela estava com muita dor, não tinha dormido a noite. Ou seja, meu trabalho é importante, eu me sinto honrado [de estar aqui]”, disse Honorato.

SUS na Floresta

O SUS na Floresta começou a ser estruturado pela FAS ainda em 2020, durante a pandemia do novo coronavírus, quando muitos ribeirinhos chegaram a permanecer desassistidos. Com esse projeto, a expectativa é que essas populações não fiquem sem atendimento, mesmo em situações excepcionais provocadas por pandemias ou eventos climáticos.

“O sistema não estava prestes para as situações que envolvem calamidades públicas, sejam elas por meio de uma pandemia ou por meio de efeitos climáticos, porquê catástrofes. O mundo não está prestes. Nós não estamos preparados”, ressaltou Mickela Souza Costa, gerente do Programa Saúde na Floresta da Instalação Amazônia Sustentável (FAS). “Estamos fazendo isso em prol da saúde pública, em suporte a manter essas pessoas em pé até porque são elas que cuidam para manter a floresta em pé”.

Ao todo serão seis pontos de atendimento. O primeiro foi inaugurado em abril deste ano na comunidade do Ubim, em Eurinepé, com suporte do BNDES e Fundo Vale.

Com a inauguração das unidades de Varga e Bauana, em Carauari, o projeto passa agora a recontar com três pontos. Segundo Guilherme Sylos, ainda estão previstos três novos pontos de atendimento: um em Itapiranga e dois em Novo Aripuanã. Também será entregue um alojamento de suporte aos profissionais de saúde em Uarini. Todos esses últimos com suporte de BNDES e Umane.

“Ao aproximar a Atenção Primária das comunidades, o SUS na Floresta contribui para prevenir agravamentos, dar perpetuidade aos tratamentos e tornar efetivo o recta universal à saúde de congraçamento com as necessidades de cada território, que podem variar”, completou Sylos.

*A repórter viajou a invitação do Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS) e da Instalação Amazônia Sustentável (FAS)


Fonte EBC

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