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Quem é Carrie Mae Weemsm que mira sua câmera para
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Quem é Carrie Mae Weemsm que mira sua câmera para opressão – 07/11/2026 – Ilustrada

Essas são as diferentes faces de uma mesma mulher. Em uma retrato, vemos a americana Carrie Mae Weems passar batom sobre os lábios. Sentada na mesa ao seu lado, uma moça repete o gesto. Em outro registro, ainda na cozinha, a vaidade sai de cena para dar lugar ao afeto. Na imagem, a fotógrafa afaga o rosto de um varão, enquanto ele se refestela sobre um prato de lagostas.

Em outra retrato, a solidão matrimonial emerge a partir do rosto melancólico da artista, que divide o quadro com o marido, que está com os olhos afundados nas páginas de um jornal.

As imagens de Weems revelam as diferentes camadas que constituem a experiência feminina. Mais do que mães, as mulheres podem ser amigas, amantes, vaidosas, melancólicas, virtuosas e despudoradas. A julgar pelos trabalhos de Weems, o corpo feminino pode homiziar multitudes.

Intitulada “Kitchen Table”, essa série é o projeto mais sabido da americana. Com mais de quatro décadas de curso, a artista se consagrou em seu país. Em 2022, ela recebeu das mãos do ex-presidente Joe Biden a medalha vernáculo de artes, a maior divisa concedida a artistas dos Estados Unidos.

É um prestígio conquistado graças a uma trajetória que une primor estético e preocupação social à experimentação artística. Ao longo da curso, ela já trabalhou com vídeos, textos, tecidos e instalações. Mas Weems é mais conhecida em razão de seu trabalho fotográfico.

Não à toa, a artista é o destaque do Festival Zum, evento que acontece entre sábado (7) e domingo (8), no IMS Paulista, reunindo atividades sobre retrato e cultura visual. A vinda da fotógrafa é resultado de uma parceria entre o Instituto Moreira Salles e a Women Photographers International Archive, organização americana que apoia mulheres na retrato.

“Mal posso esperar para estar lá. Há muitos anos quero saber o Brasil”, diz Weems. “Estou ansiosa para deslindar o país, encontrar outros artistas e ver seus trabalhos.”

É com esse mesmo excitação que a fotógrafa discorre sobre “Kitchen Table”, projeto pelo qual ela se tornou nome festejado na arte americana a partir dos anos 1990. “O trabalho foi realizado em um contexto em que não existia zero semelhante. Zero sobre uma mulher negra negociando o matrimónio, a monogamia, a poligamia, a amizade e o paixão. Tudo isso em torno de um único lugar.”

Esse lugar é uma pequena cozinha, cenário que se repete em todas as fotografias da série. “É uma construção simples, mas o projeto é capaz de carregar uma bagagem enorme justamente por justificação dessa simplicidade. Não importa onde eu esteja no mundo. Todos se identificam com o projeto.”

A artista usou a cozinha uma vez que cenário por entender que o contexto doméstico desempenha papel medial na vida das pessoas.

“É quando você está sentado na cozinha, tomando uma xícara de moca ou fazendo uma repasto sozinho, com a família ou com os amigos, que grande segmento da sua vida é negociada”, afirma. Não é pormenor o indumento de a cozinha ser, historicamente, um espaço tido uma vez que feminino.

No trabalho de Weems, esse espaço não é símbolo de subserviência, mas um palco em que a mulher assume diferentes papéis. Ora, a fotógrafa se contorce de forma lânguida para expressar prazer; ora, ela tampa os olhos com as mãos uma vez que se quisesse esconder o pranto.

Tudo isso se desenrola sob a luz invasiva de uma luminária, uma vez que aquelas que vemos em interrogatórios policiais. Com esse recurso cênico, é uma vez que se a fotógrafa tentasse investigar as diferentes facetas da feminilidade.

“Uma das razões pelas quais o trabalho é bem-sucedido tem a ver com esse questionamento contínuo sobre o corpo e com a tentativa de usá-lo uma vez que espaço de exploração e complicação.”

Além de jogar luz sobre questões de gênero, Weems analisa o papel da retrato no fortalecimento de discursos racistas.

Foi isso o que ela fez na série “From Here I Saw What Happened and I Cried”. Nesse projeto, a artista resgatou imagens de pessoas escravizadas feitas pelo naturalista Louis Agassiz. O suíço almejava usar as imagens para tutorar aquilo que enxergava uma vez que a inferioridade racial das populações negras.

Weems decidiu, portanto, atribuir novos significados a essas obras ao juntar frases que evidenciam a desumanização dos retratados. “O trabalho é realmente uma resposta à objetificação dos negros, dos africanos e das mulheres.”

Temas uma vez que esse permeiam o projeto estético de Weems, para quem o paixão e a justiça social são os pilares de sua poética. “Meu trabalho é um ato de paixão. Não uma vez que um pouco sensual, mas uma vez que uma urgência forçoso em nossa vida.”

Folha

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