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Livro expõe contradições do fundador do Telegram 06/11/2026
Tecnologia

Livro expõe contradições do fundador do Telegram – 06/11/2026 – Tec

No panteão dos excêntricos da tecnologia determinados a comandar nosso porvir, Pavel Durov conquistou seu lugar.

Talvez não seja tão sabido quanto Mark Zuckerberg ou Elon Musk, mas o fundador russo do aplicativo de mensagens Telegram reúne todos os atributos necessários: é um bilionário nômade que faz declarações grandiloquentes em resguardo do libertarianismo, considera a si próprio um vítima da liberdade de frase e tem um número incógnito —mas provavelmente ressaltado— de filhos.

Supra de tudo, Durov tem uma boa história para relatar: nascido em São Petersburgo, na portanto União Soviética, ele teria criado um aplicativo voltado à privacidade depois que forças ligadas ao Kremlin assumiram o controle de sua primeira empresa, obrigando-o a deixar o país. Quem melhor para compreender a influência de uma informação segura?

Durante mais de cinco anos, Darren Loucaides, jornalista colaborador da revista Wired, investigou a mística antiautoritária que ajudou o Telegram a saber 1 bilhão de usuários em todo o mundo.

“Killer App” é o resultado desse trabalho. Ao reconstituir as origens complexas da empresa, Loucaides encontra uma história em que o pragmatismo prevalece sobre o idealismo. A sofreguidão também vai muito além do universo das startups.

O responsável escreve: “Durov acreditava que os chefes das plataformas estavam em processo de construção de Estados virtuais, que acabariam por se sobrepor aos governos nacionais. [O Telegram] seria a materialização dessa visão”.

Para quem nunca usou o Telegram, a maneira mais simples de entendê-lo é uma vez que uma combinação de X e WhatsApp. O aplicativo reúne mensagens diretas gratuitas, grandes grupos e canais públicos nos moldes das redes sociais, além de jogos, compras e pagamentos.

Embora não seja tão popular nos Estados Unidos e na Europa Ocidental quanto o iMessage ou o WhatsApp, o Telegram se beneficiou da suspeição em relação à maneira uma vez que o Vale do Silício trata os dados dos usuários, apresentando-se uma vez que uma selecção mais segura.

É significativo que esteja presente nos dois lados de conflitos ao volta do mundo, sendo utilizado pelas forças militares da Rússia e da Ucrânia, pelo Hamas e pelas Forças de Resguardo de Israel.

O aplicativo foi criado em 2013 por Durov e seu irmão mais velho, Nikolai, um prodígio da matemática. Na estação, os dois trabalhavam na primeira startup de Durov, uma espécie de versão russa do Facebook chamada VK (VKontakte). À medida que o presidente Vladimir Putin ampliava o controle sobre o chegada à internet na Rússia, a VK passou a suportar pressão, incentivando Durov a buscar um novo empreendimento.

Mais tarde, Durov negou qualquer relação entre a VK e o Telegram. Mas, com base em entrevistas com antigos e atuais investidores, executivos, funcionários das duas empresas e especialistas, Loucaides apresenta uma história muito mais conturbada.

Entre os episódios estão relatos de uma disputa mercantil na VK, uma pugna pela propriedade intelectual do Telegram e uma argumento bizarra de Durov de que sua repúdio à VK havia sido uma gaudério de 1º de abril.

Loucaides retrata alguns dos conflitos uma vez que motivados mais por numerário do que por questões políticas e sugere que os protestos públicos e ruidosos de Durov nas redes sociais contrastavam com sua disposição para cooperar nos bastidores.

Nas palavras do responsável, ele não é exatamente “o querubim sombrio e cruzado da era do dedo”. Tampouco viveu no exílio depois de vender sua participação na VK. Continuou viajando de volta à Rússia.

O verdadeiro golpe para os admiradores do Telegram talvez esteja no capítulo sobre as preocupações com a segurança do aplicativo.

A carência de criptografia de ponta a ponta ativada por padrão é conhecida, assim uma vez que as críticas de especialistas em segurança ao protocolo criptográfico proprietário da plataforma. Mas organizações de direitos humanos também acusaram o Telegram de provável colaboração com o Kremlin ao permitir que o governo interceptasse mensagens de dissidentes.

Em sua investigação, Loucaides não encontra provas que confirmem essa suspeita. Ainda assim, levanta uma questão inquietante: será que houve qualquer tipo de harmonia tácito? “Por fim, começaram a surgir casos de colaboração do Telegram com autoridades de outros países. E, nessas situações, Durov continuou a priorizar os interesses comerciais em detrimento dos princípios que dizia proteger.”

Outros dois episódios levaram o Telegram às manchetes internacionais nos últimos anos. Um deles foi a asserção de Durov de que é pai de mais de 100 filhos e pretende disponibilizar seu DNA em código descerrado. O outro foi sua prisão, em 2024, pelas autoridades francesas.

Ele foi réu de cumplicidade na disseminação de material de doesto sexual infantil, tráfico de drogas e fraudes, em razão da falta de cooperação com solicitações judiciais. A prisão de um executivo-chefe de uma plataforma de tecnologia foi interpretada por alguns uma vez que um ataque à liberdade de frase. “Tempos perigosos”, publicou Musk.

Mais uma vez, Loucaides argumenta que o exposição público de resistência de Durov contrasta com sua disposição para fazer concessões discretamente. A política de privacidade original do Telegram dizia: “Nunca compartilhamos seus dados com ninguém. Não”.

A promessa atraía criminosos, mas também conquistava usuários que viviam em países submetidos a intensa vigilância do dedo. Desde portanto, o texto foi modificado para esclarecer que atividades terroristas ou criminosas podem levar à divulgação do endereço IP e do número de telefone de um usuário. Durov foi autorizado a deixar a França.

A literatura sobre empresas de tecnologia que não correspondem aos ideais grandiosos que proclamam e decepcionam jovens usuários e funcionários que depositaram esperanças nelas já é extensa. O relato minucioso de “Killer App” sobre as concessões e disputas envolvidas na construção de uma empresa global de tecnologia —criada fora dos Estados Unidos— é uma taxa relevante para esse conjunto de obras.

Ainda assim, a frustrada tentativa do responsável de entrevistar Durov, em uma perseguição que se arrastou por meses, teria funcionado melhor se o presidente-executivo do Telegram não tivesse outorgado entrevistas a outras publicações, inclusive ao Financial Times.

Um sinal dos nossos tempos é que essas histórias frequentemente terminam com a perpetuidade do sucesso da empresa retratada. O Telegram não é exceção. A plataforma já foi banida, processada e esteve à cercadura de uma crise financeira.

Mesmo assim, registra números de usuários em propagação e adota uma abordagem com pouca moderação e favorável às criptomoedas, que se encaixa muito na segunda gestão Trump —assim uma vez que o interesse peculiar de Durov pelos níveis de testosterona de outros homens.

Durov talvez seja menos um ideólogo do que um pragmático capaz de mudar de posição conforme as circunstâncias. Mas o mesmo vale para o setor que construiu sua riqueza.

Folha

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