Poucas bandas conseguiram transformar uma formação tão enxuta em um espetáculo tão grande quanto o Twenty One Pilots. O duo formado por Tyler Joseph e Josh Dun chega pela primeira vez ao Rock in Rio com a missão de fechar a última noite da edição 2026 do festival, no domingo (13). E encara o duelo com tranquilidade.
A princípio, é difícil saber quantas das dezenas de milhares de pessoas na plateia conhecem muito uma margem de dois integrantes capaz de transitar por rock mútuo, pop, hip-hop, eletrônica e música de redondel, sem se acomodar em nenhuma dessas categorias. Tocar num show tão grande é provocador?
“Simples que existe uma diferença”, diz o baterista Josh Dun. “Mas eu sabor de fazer uma associação com o início da margem, quando começamos a fazer shows. Muito, ninguém conhecia a gente, e isso sim era provocador. Por outro lado, num show da turnê, são os fãs que já conquistamos que compram ingresso para ver a gente tocar, logo temos uma grande responsabilidade ao retribuir a eles.”
Nos festivais, a prioridade da margem é entreter. “Sejam aqueles que nos conhecem ou aqueles que nunca prestaram atenção na gente. Quem está num show quer entretenimento, quer sentir coisas agradáveis. O bom é fazer com que as pessoas ali tenham vontade de voltar a um show nosso.”
No Rio, muitos brasileiros certamente vão voltar para ver a margem. O primeiro encontro aconteceu em 2016, no Lollapalooza Brasil, em São Paulo, seguido por um show carioca. A dupla voltou ao Lollapalooza em 2019. Em 2022, novo show em São Paulo, no Allianz Parque. E retornaram para seu terceiro Lollla no ano seguinte.
A história do Twenty One Pilots é também a história de uma construção de identidade. O sucesso de “Blurryface”, de 2015, impulsionado por músicas uma vez que “Stressed Out”, “Ride” e “Heathens”, transformou Joseph e Dun em estrelas globais, mas a dupla nunca abandonou a disposição para testar.
Vieram álbuns uma vez que “Trench”, de 2018, “Scaled and Icy”, de 2021, “Clancy”, de 2024, e “Breach”, do ano pretérito, que exibe o fecho de uma longa saga narrativa iniciada em “Blurryface”.
É um álbum sobre ciclos, desgaste, sazão e a premência de seguir em frente. “Breach” estreou no primeiro lugar da Billboard 200, tornando-se o primeiro álbum do Twenty One Pilots a compreender o topo da paragem americana.
Musicalmente, o disco reúne várias das características que fizeram a dupla se realçar. “City Walls” combina guitarras e bateria pesada, elementos eletrônicos e vocais que alternam esquina e rap. “The Contract” investe em uma robustez frenética, enquanto “Center Mass” e “Mass” mostram a disposição de Joseph para testar ritmos e estruturas.
É um disco que pode ser entendido sem que o ouvinte conheça toda a mitologia por trás dos álbuns da margem, mas que ganha novas camadas para quem acompanha a história desde “Blurryface”. “Acho que esta história começou até antes de ‘Blurryface’. Nós queríamos ter uma traço narrativa que pudesse conduzir a margem. Mas às vezes a gente acaba desviando do caminho, cá e ali”, afirma Dun.
“Alguns álbuns não tiveram tanta presença dessa história, mas houve intensidade em muitos momentos. Creio que alguém que escutou um dos nossos discos aleatoriamente ou tenha ido a um ou outro show possa ter se empolgado, mesmo sem entender completamente algumas coisas. Muitas canções falam de outros temas, não queríamos excluir secção do público.”
Os shows do Twenty One Pilots são extremamente físicos. Tyler Joseph não se limita a trovar —corre, sobe em estruturas, aparece no meio da plateia, toca diferentes instrumentos e transforma o espaço inteiro em secção da apresentação. Josh Dun, por sua vez, é um baterista de enorme presença cênica. A fúria sonora parece surgir naturalmente no palco, mas também muita coisa vem de experiência.
“Certamente é um pouco dos dois”, afirma Dun. “Eu tenho a bateria perto da leito. Em vivenda, decidi colocar um grande espelho no quarto. Portanto passo muito tempo olhando para mim tocando a bateria. E, pode crer, esse recurso é muito útil. Fico olhando para a minha performance e consigo desvendar onde posso ser mais intenso, mais rápido, mais pesado.”
As letras do Twenty One Pilots têm intensidade e uma ambientação angustiada. Tanto nas que pertencem ao universo da saga de Blurryface quanto nas que falam de temas uma vez que impaciência, instabilidade e isolamento. Dun esboça um sorriso diante da teoria de que talvez sua plateia seja composta de garotos problemáticos.
“É muito provável, mas eu também acho que uma coisa boa é que nunca brincamos com isso. Quando era mais jovem, eu também lidava com muitas coisas ruins. Adolescentes e garotos entrando nos 20 anos lidam com impaciência, com episódios de depressão. Muita coisa ainda é desconhecida, entende?”
Dun acredita que, quando jovens se encontram, é provável que percebam uma vez que as perguntas que os incomodam também perturbam outras pessoas. “Você não está mais tão sozinho. Não há respostas, mas saber que você tem com quem compartilhar as perguntas já é um pouco muito bom.”





