Ryan Murphy volta a misturar sexo e sangue em Estilhaços – 06/08/2026 – Ilustrada
Colegiais com corpos tão sarados que parecem adultos, tensão sexual latente, doses de nostalgia, trilha sonora pop, sangue jorrando da tela e uma afetação que pretende ser “camp”. Eis a receita para uma série do megaprodutor americano Ryan Murphy, que põe os ingredientes no liquidificador novamente para fazer “Estilhaços”.
Com a renovação da crédito da Disney em seu showrunner de ouro, responsável pelo hit recente “História de Paixão: John F. Kennedy Jr. e Carolyn Bessette” e por outros mais antigos, porquê “Glee” e “American Horror Story”, a série chega ao streaming do estúdio nesta semana com mais uma história sobre jovens lindos em apuros.
“Quando você olha para a curso de quase todo grande responsável, eles sempre examinam os mesmos temas”, diz Brad Simpson, produtor executivo que vem trabalhando com Murphy há uma dez.
“No caso do Ryan, você percebe que desde muito cedo ele está interessado nas pessoas que estão à margem, em elementos que não são vistos porquê centrais na nossa cultura. Ele fala de juventude, transgressão, paixão, preocupação, e eu acho que isso reflete também o interesse dos espectadores de hoje.”
Não é só de Ryan Murphy que vem a sanha de pôr gente formosa para passar. O material que serve de base para “Estilhaços” é o livro homônimo de Bret Easton Ellis, mesmo responsável de “Psicopata Americano”, que em sua tradução para as telas, em 2000, fez sangue escorrer pelo abdômen trincado de Christian Bale, que empunhava uma serra elétrica para versar sobre o luminar ao corpo e ao quantia.
Os protagonistas de “Estilhaços” não estão muito distantes daquele Patrick Bateman. Eles integram a escol de Los Angeles no início dos anos 1980, dominam a escola onde estudam e têm pais que terceirizam a geração dos filhos ao limite do cartão de crédito.
Um deles mora sozinho numa bela lar envidraçada desde que os pais decidiram trespassar de férias eternas pela Europa. Outra é filha de um produtor que está no armário –mais um tema repetido na obra de Murphy, que assinou “Hollywood”– e devora os colegas da moça não só com os olhos. Um terceiro chega à cidade pilotando um carruagem de luxo perigosamente pelas ruas.
É da tensão desse triângulo que nasce a trama de “Estilhaços”. O jovem largado pela família, uma versão ficcionalizada de Easton Ellis, vivido por Igby Rigney, sonha em ser jornalista. Ele namora a patricinha de Hayes Warner acreditando que o pai dela, o predador sexual, vai um dia bancar uma adaptação sua para os cinemas.
Mas a monogamia não é seu possante, tampouco a heterossexualidade, e o terceiro personagem –papel de Homer Gere, rebento de Richard Gere– se torna sua mais novidade preocupação. Principalmente depois que passa a rondar os rapazes com quem o protagonista trai a namorada. É uma aproximação estranha, que não deixa evidente se está carregada de libido ou de inveja.
Essa relação dúbia entre prazer e transe definiu outros laços de personagens de Murphy –porquê em “O Homicídio de Gianni Versace: American Transgressão Story”, “Scream Queens” e “Dahmer: Um Canibal Americano”– e retorna agora de maneira ainda mais grotesca.
Isso porque as brigas de ego e os encontros sexuais de “Estilhaços” acontecem enquanto, ao fundo, um homicida em série de métodos pouco convencionais e bastante criativos persegue os jovens de Los Angeles –aquela foi uma dez fértil para homicidas, lembra o narrador da série.
Ele não exclusivamente mata colegiais, porquê também invade casas para sequestrar seus pets. A teoria é costurar partes de gatos, cachorros, peixes e passarinhos nos corpos daqueles adolescentes que, ao menos em vida, eram esteticamente perfeitos. Assim, a série promete ser mais uma de Murphy a suscitar debates sobre violência gráfica em cena.
“Bret [o protagonista] tem esse sigilo terrível, não tão muito guardado, sobre a sua sexualidade. Ele morre de terror desse serial killer na mesma intensidade em que morre de terror de ser revelado. E percebe que, no término, sua riqueza e seu privilégio não o protegem das coisas que ele mais teme”, diz Nina Jacobson, também produtora executiva.
“Nos anos 1980, sexo e morte estavam profundamente interligados. Nós podemos fazer toda uma estudo desse livro e dessa série pela lente da Aids. Portanto é procedente que tramas ambientadas nessa quadra juntem as duas coisas.”
Foi das memórias de um narrador não confiável —Bret Easton Ellis— que surgiu a teoria para “Estilhaços”. O responsável de indumentária cresceu em Los Angeles naquela dez, frequentou uma escola de escol e teve uma juventude marcada por sexo, drogas e ostentação, embora nunca tenha sido perseguido por um homicida em série.
O jornalista vem dizendo em entrevistas que a trama pode não seguir os fatos, mas que é emocionalmente verídica, baseada em memórias que traduzem o clima e os sentimentos daquele período, marcado por uma sensação regular de paranoia, preocupação por status e isolamento por ser homossexual.





