Sepultura lança disco final com quatro músicas novas 23/04/2026

Sepultura lança disco final com quatro músicas novas – 23/04/2026 – Ilustrada

Celebridades Cultura

Antes de o Sepultura fazer seu show de despedida, Andreas Kisser, o guitarrista da filarmónica, queria realizar um sonho —gravar uma balada. Para isso, ele recrutou Tony Bellotto e Sérgio Britto, dos Titãs, e os três, a partir de ideias no violão e palavras sugeridas por Bellotto, compuseram, junto ao vocalista Derrick Green, “Beyond the Dream”, ou além do sonho.

De curso lento e vocais limpos, a tira é um movimento incomum para o Sepultura, a maior representante da música pesada e rápida feita no Brasil. Nela, os versos “deixe tudo para trás/ para inaugurar de novo” são repetidos diversas vezes, uma vez que um prenúncio do termo da filarmónica, que está na sua última turnê.

“Beyond the Dream” faz secção do novo disco do grupo, lançado nesta sexta-feira. O EP “The Cloud of Unknowing”, com somente quatro músicas, é um belíssimo esquina do cisne de uma filarmónica muito querida pelos metaleiros de dentro e de fora do Brasil e que está na ativa, ininterruptamente, desde a dezena de 1980.

Quando o Sepultura anunciou a sua despedida, há mais de dois anos, não havia a teoria de gravar canções novas, diz Kisser, numa conversa por vídeo. Mas a ingressão inesperada do baterista Greyson Nekrutman dias antes de os shows começarem trouxe uma novidade força para o grupo.

“Ele tem trazido a influência dele, esse tempero meio jazz —um elemento que a gente nunca usou. O Sepultura nunca teve a oportunidade de ter um músico uma vez que ele”, afirma Kisser. “Nas passagens de som, nos ensaios, a gente sempre estava improvisando alguma coisa, ele fazendo alguns ‘loops’ de bateria. Ele se encaixou muito muito. Criou química, uma atmosfera saudável para a gente conceber.”

Para o estúdio a filarmónica foi. O quarteto —do qual também faz secção o baixista Paulo Xisto— se enfurnou por dez dias no Criteria, espaço de gravação em Miami onde o Black Sabbath concebeu “Heaven and Hell”. Lá, trabalharam sem pressão, cada coisa a seu tempo.

Kisser conta que, quando eles entraram em estúdio, há pouco mais de um ano, nem o disco nem as músicas tinham nome, o lançamento não estava marcado e não havia “gravadora enchendo o saco, no sentido de ter data para entregar coisa”. Além do mais, “não eram 12 ou 13 músicas, né?”

Com exceção da balada, as outras três faixas do disco são o Sepultura tradicional. A primeira, “All Souls Rising”, é uma pancada thrash metal alternada por orquestrações a incumbência do maestro Renato Zanuto. “Sacred Books” combina peso e levada a teclado e pianos —também tocados por Zanuto—, e “The Place”, a última música, traz dois minutos instrumentais antes de o vocalista intervalar registros limpos e guturais para trovar sobre imigrantes que se voltam contra seus pares.

Embora tenha só 17 minutos, o EP deixa simples que a filarmónica poderia gravar mais um álbum completo, se quisesse, porque a originalidade está ali. Mas isto não vai intercorrer, segundo o guitarrista. Ele não crava que, depois desta turnê, o Sepultura vá se desfazer para sempre, mas sim que não tocará mais junto e nem terá o trabalho de conceber um disco.

“Irrelevante a gente falar se vai ser para sempre [a separação] ou se vai ser dois meses. Os alcoólatras sabem muito muito o que é isso. Qualquer um que tem uma guerra contra qualquer vício, é quotidiano. Todo dia é um novo dia. Não tem o para sempre, não tem o ‘ah, parou’, agora não pode voltar mais porque falou ontem. Mas, mano, ‘go have a life’, tá ligado?”

Em breve, o Sepultura divulgará informações do seu show último, previsto para intercorrer em São Paulo, no segundo semestre —Kisser adianta que será um festival, com mais bandas tocando. Não haverá a participação dos irmãos Cavalera, Max e Iggor, que fundaram o Sepultura e com quem o conjunto gravou seus discos mais aclamados, “Chaos AD.”, de 1993, e “Roots”, de 1996. Segundo o guitarrista, o invitação foi feito, mas a dupla não teve interesse.

Ao olhar para trás, Paulo Xisto, o baixista, afirma que a filarmónica encerra seus mais de 40 anos de atividade com a sensação de “missão cumprida”. Para Kisser, a longa despedida do Sepultura é motivadora, não um momento de tristeza. A turnê atual, que terá pretérito por 40 países quando concluída, tem sido uma das melhores na curso do grupo, diz ele. “A morte dá uma intensidade ao presente, traz mais vida às coisas.”

Folha

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