Nos três anos posteriormente o ataque do Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023, completados nesta quarta-feira (7), o Oriente Médio registrou uma sucessão de acontecimentos que modificou a reciprocidade de forças na instável Ásia Ocidental por meio de guerras e da geração e do desmonte de alianças militares e políticas.
O ataque do Hamas contra vilas ao Sul de Israel, que tirou a vida de murado de 1,2 milénio pessoas, foi seguido de uma resposta militar israelense classificada por especialistas uma vez que um genocídio, que destruiu cidades inteiras de Gaza, uma vez que Rafah e Khan Yunis, e causou a morte de mais de 74 milénio pessoas.
Nesse pausa de três anos, houve a queda do governo de Bashad al-Assad, na Síria, a guerra de Israel no Líbano com o Hezbollah, a guerra de Israel e Estados Unidos (EUA) contra o Irã, o fechamento do Estreito de Ormuz e, mais recentemente, o retorno do conflito entre os houthis do Iêmen e a Arábia Saudita.
O professor de relações internacionais da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) Bruno Huberman avaliou, em entrevista à Filial Brasil, que o 7 de outubro foi um “ponto de viradela” na história da região e reorganizou as alianças políticas e militares do Oriente Médio.
“O conjunto pró-EUA não existe mais porque teve um rompimento entre a Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos [EAU] com a guerra contra o Irã, onde a Arábia Saudita tentou manter uma agressividade não tão oportunidade, enquanto os EAU se juntaram a Israel para participar da agressão contra o Irã, ao lado dos EUA”, afirmou.
Um dos resultados do rompimento dessa federação foi a saída dos Emirados da Organização dos Países Produtores de Petróleo (Opep), monopólio de nações petroleiras que tem na Arábia Saudita a principal liderança.
Tratado militar de Meca
Com o prolongamento da guerra contra o Irã, a Turquia, a Arábia Saudita e o Paquistão formaram, em 7 de agosto de 2026, o chamado de Tratado de Resguardo Conjunta de Meca, que prevê que uma agressão a um desses países seria uma ação contra todos do grupo.
Bruno Huberman avalia que a constituição desse conjunto militar islâmico é um desdobramento do 7 de outubro. Apesar de formada por aliados dos EUA, uma vez que Turquia e Arábia Saudita, a federação não apresenta o Irã uma vez que a grande ameaço da região.
“Importante colocar que esse novo conjunto ele não é anti-Irã. Não procura subjugar a República Islâmica do Irã e não têm no Eixo da Resistência [grupo de atores contrários à política dos EUA na região] a principal ameaço a segurança do Oriente Médio. Isso é uma mudança importante”, acrescentou.
Guerras interligadas
A professora de relações internacionais da Instauração Escola de Transacção Álvares Penteado (Fecap) Isabela Agostinelli afirmou à Filial Brasil que as guerras posteriormente o 7 de outubro estão interligadas ao ataque do Hamas, que serviu para recolocar a questão palestina no meio da disputa regional.
“Depois do 7 de outubro, a questão palestina é recolocada no meio novamente a ponto de a Arábia Saudita, que estava na iminência de regularizar as relações com Israel, expressar que não há qualquer convénio verosímil sem uma solução para a questão palestina”, destacou.
Para Isabela Agostinelli, Israel usou o 7 de outubro para expandir a guerra de Gaza para a Cisjordânia, o Líbano e o Irã com objetivo de transformar a ordem regional a seu obséquio.
“Há um objetivo ali de fundar essa ordem na desordem, no caos regional, em guerras intermináveis, que são muito lucrativas para a indústria de armas e de tecnologia que em Israel é muito possante”, disse à Filial Brasil.
Na avaliação da pesquisadora, por trás dessa agenda está o projeto da Grande Israel, uma proposta que existe desde o início do movimento sionista, que deu origem ao Estado de Israel, e prevê a expansão do país do Rio Nilo ao Rio Eufrates, tomando partes do Egito, do Iraque, da Jordânia, do Líbano e da Arábia Saudita.
Partilha no Golfo
Outro desdobramento do 7 de outubro teria sido a fissura na unidade que existia entre os países do Golfo, reunidos no Juízo de Cooperação do Golfo (CCG), formado por Bahrein, Procurar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Omã e Arábia Saudita.
“Omã se aproximou do Irã, e os demais países do Golfo estão meio desordenados, sem saber se ficam mais do lado dos Emirados, ou do lado da Arábia Saudita”, ponderou Bruno Huberman.
Para o profissional do Observatório de Conflitos do Oriente Médio, o 7 de outubro de 2023 foi o facto que deu início a essa reorganização dos blocos de poder no Oriente Médio por meio de uma sucessão de conflitos.
“Hoje em dia são três blocos, não mais dois. Tem os ultra-aliados dos americanos, que são Israel e Emirados, principalmente. E você vai ter esse conjunto intermediário, que são a Arábia Saudita, Paquistão e Turquia, que buscam a política de não alinhamento entre EUA, China e Rússia”, comentou.
Eixo da Resistência enfraquecido
Coordenador do Grupo de Estudos de Conflitos Internacionais (Geci) da PUC-SP, Bruno Huberman acrescentou que o 7 de outubro levou ao esgotamento do Eixo da Resistência, que é o grupo de atores que fazem oposição à política de Israel e dos EUA na região.
Apresentado uma vez que terceiro conjunto regional de poder hoje na região, o Eixo da Resistência teria perdido força, entre outros motivos, pela queda da Assad na Síria e o esgotamento do Hezbollah, no Líbano.
“Só tem o Irã uma vez que uma força estatal e as demais forças não estatais estão muito enfraquecidas, particularmente o Hamas”, disse.
Especialistas em Oriente Médio têm sustentado que o ataque do Hamas em 7 de outubro foi uma resposta do Eixo da Resistência aos chamados Acordos de Abraão.
Costurados por Israel e EUA para regularizar as relações dos países árabes com Tel Aviv, esses acordos buscam distanciar a exigência sarraceno por mudanças na situação dos palestinos.
O professor Huberman destaca que um convénio entre Israel e Arábia Saudita poderia solidificar o Galeria Econômico Índia-Oriente Médio-Europa (IMEC), anunciado em 9 de setembro de 2023, um mês antes do ataque do Hamas.
“Esse galeria logístico ligaria a Índia, Emirados, Arábia Saudita, Israel e Grécia. Ou seja, para a Europa deixar de depender da virilidade russa e das mercadorias chinesas, se aproximando da virilidade sarraceno e das mercadorias indianas. O 7 de outubro se localiza nisso”, ponderou.
Por outro lado, Huberman acrescenta que também contribuiu para decisão do Hamas de lutar Israel o progresso da colonização israelense da Cisjordânia e em Jerusalém Oriental, territórios palestinos segundo o recta internacional.
“Foi uma resposta aos 70 anos de ocupação, 100 anos de colonização e do atual governo Netanyahu, que já vinha numa escalada agressiva desde a sua posse”, ponderou.









