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Sete Minutos questiona silêncio nas plateias 02/06/2026 Mise en scène
Celebridades Cultura

Sete Minutos questiona silêncio nas plateias – 02/06/2026 – Mise-en-scène

Quando um ator interrompe “Macbeth” em um de seus momentos mais significativos — em seguida um membro da plateia colocar os pés no palco — o teatro deixa a Escócia medieval e assume a função de documentário do Brasil de hoje. A cena de brecha de “Sete Minutos” é o desvendamento do pacto tristonho que ajuda a sustentar a arte dramática.

Ao transferir a ação do palco para o camarim em seguida tosses, barulhos embalagens de comida e celulares, a peça transforma os bastidores em um tribunal, onde o que é julgado não é o espetáculo, mas nossa jacente incapacidade de ouvir. O riso provocado serve uma vez que um espelho desconfortável.

O testemunha que exige entretenimento, a mulher que justifica o detença exemplificam hábitos reais das plateias contemporâneas. A produção faz o público se ver nela, realizando uma autoanálise sobre maneiras e urbanidade. Antonio Fagundes assume exclusivamente a direção na produção de 2026, entregando o papel principal, que já foi dele, a Norival Rizzo.

A intervalo calibra o timing da comédia e deixa o argumento medial se desenrolar. O elenco de suporte, com Walter Breda, Fábio Espósito, Ana Andreatta, Conrado Sardinha e Natália Beukers, dá suporte a essa transição, que coincide com o agravamento da dissipação humana.

Se nos anos 2000 o título da peça aludia aos sete minutos de atenção contínua dedicada pelas pessoas a uma atividade, o cenário atual de telas e redes sociais reduziu essa capacidade para poucos segundos, transformando o espetáculo em uma reação direta contra a pressa do dedo.

A estrutura de produção reflete o exposição de independência defendido em cena. Viabilizado pela atriz e produtora Natália Beukers (fundadora do portal Infoteatro), o espetáculo adota o protótipo de bilheteria direta, sem o uso de leis de incentivo fiscal ou editais públicos. Essa escolha, que repete a prática mantida por Fagundes desde a dezena de 1980, testa na prática a viabilidade econômica do teatro independente no Brasil e propõe uma relação mais direta com o público.

O cenário de Fábio Namatame destrói a paisagem sombria de Macbeth para fabricar um camarim realista e a iluminação de Domingos Quintiliano troca o expressionismo original por uma luz fria que revela o cansaço do elenco. Jonatan Harold integra ruídos urbanos no design de som, ecoando na acústica do novíssimo Cultura Artística.

Finalmente, “Sete Minutos” mostra mudanças na recepção cultural. A narrativa muitas vezes reduziu questões sobre tempo e silêncio a uma peculiaridade pessoal de Fagundes, somente mencionada por jornalistas. O renascimento do texto, reforçado por sua inclusão em um livro, rebate esse esvaziamento. Teimar no silêncio e em chegar antes do início do espetáculo não é um resistência, mas uma quesito para manter o teatro uma vez que um reino de atenção mútua.

Três perguntas para…

… Natália Beukers

A peça discute a perda de atenção em um mundo submetido por telas e algoritmos. Sendo você de uma geração mais jovem do que a do Fagundes e do Norival Rizzo, uma vez que enxerga essa “crise dos sete segundos” descrita no texto?

A sensação que tenho é a de ter nascido já imersa na “crise dos sete segundos”. Por isso, talvez seja mais difícil perceber com perspicuidade o tamanho dela. Ao mesmo tempo em que minha geração cresceu nesse mundo hiperconectado, também somos a geração que conhece os efeitos nocivos desse excesso de conexão.

O que mais me aflige é essa sensação de que precisamos estar disponíveis 24 horas por dia. Tenho muita dificuldade em responder mensagens de WhatsApp, e muita gente já ficou chateada comigo por isso. Às vezes me pergunto: sou eu que estou errada ou os aplicativos realmente passaram a dominar nossas vidas?

Nesse sentido, o teatro se tornou, para mim — não só uma vez que atriz, mas também uma vez que espectadora — um verdadeiro respiro. É lá que consigo parar e refletir sobre o momento presente. Ou por outra, o teatro é uma poderosa utensílio para exercitar a atenção plena; é o melhor remédio para mitigar a vida atribulada que levamos hoje. Porquê escreveu Fagundes no texto de “Sete Minutos”: “nossas peças duram mais do que sete minutos. E fazemos assim porque achamos que ainda é provável ficarmos juntos por mais tempo”.

O Infoteatro nasceu uma vez que um portal de informação e cobertura da cena cultural. Porquê a sua bagagem uma vez que comunicadora e observadora do mercado teatral moldou o seu olhar uma vez que produtora de veste nesta montagem?

A oportunidade de trabalhar com grandes atores e com Antonio Fagundes surgiu a partir do Infoteatro e dos últimos seis anos de trabalho intenso na informação teatral. Quando criei o portal, minha principal intenção era aproximar as pessoas do teatro. Com o tempo, percebi uma vácuo: muitas pessoas não sabiam quais peças estavam em edital nem onde encontrar informações para comprar ingressos. Foi daí que surgiu a premência de fabricar o guia de peças do Infoteatro.

Toda a bagagem adquirida nesses anos foi necessário para perceber que “Sete Minutos” deveria ser produzida pelo Infoteatro, justamente por tratar da formação de público. Apesar de ser uma comédia muito engraçada, a peça também é bastante provocativa e faz o testemunha refletir sobre seu tempo de atenção e sobre sua relação com o teatro.

A peça faz uma sátira ao esvaziamento da estudo teatral nos grandes jornais. Porquê você enxerga o papel das novas plataformas independentes de teatro nesse debate? É provável resgatar a densidade da sátira na internet?

Acredito que as plataformas independentes cumprem um papel fundamental na estudo teatral de hoje. A informação já não é mais concentrada: hoje existem muitos formadores de opinião. Na verdade, todos expõem suas opiniões com muita facilidade nas “internets da vida”, muitas vezes sem responsabilidade sobre as palavras proferidas. Nesse sentido, essa amplitude de informações pode ser negativa.

Por outro lado, o cenário também se tornou mais democrático. Pessoas que, durante gerações, não tiveram o recta de expor sua voz, hoje têm espaço para falar. Grandes críticos do nosso teatro, uma vez que Bárbara Heliodora, Décio de Almeida Prado e Sábato Magaldi, deixaram análises aprofundadas que servem até hoje uma vez que material de estudo sobre o teatro daquela quadra.

Atualmente, por mais que existam críticos competentes, o alcance de suas análises está diluído — assim uma vez que tudo nos tempos dos algoritmos. O Infoteatro surge justamente com o intuito de facilitar essa procura e preencher essa vácuo. Lá, você encontra todas as informações para presenciar a um bom espetáculo.

Teatro Cultura Artística – Rua Nestor Pestana, 196 – Consolação, região medial. Sexta e sábado, 20h. Domingo, 18h. Até 1º/8. Duração: 70 minutos. Classificação indicativa: 12 anos. A partir de R$ 70 (meia-entrada) em culturaartistica.org


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Folha

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