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Sisters of Mercy ganha livro com conflitos e humor
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Sisters of Mercy ganha livro com conflitos e humor – 18/08/2026 – Ilustrada

Quando decidiu redigir uma série de reportagens sobre os primeiros anos do Sisters of Mercy para o site britânico The Quietus, de 2016 a 2019, Mark Andrews imaginava exclusivamente revisitar uma de suas bandas favoritas da juventude.

Acabou produzindo uma pesquisa de cinco anos, baseada em dezenas de entrevistas, que deu origem ao livro “Pinte Meu Nome em Preto e Dourado – A Subida do The Sisters of Mercy”, lançado agora no Brasil pela Belas Letras.

O jornalista conheceu o grupo em 1984. O Sisters foi a primeira margem que viu ao vivo e também a primeira pela qual desenvolveu uma preocupação típica de colecionador. Guardava bootlegs, pôsteres, camisetas, gravações em VHS feitas da televisão e recortes de jornais. Com o tempo, porém, afastou-se da margem depois de ver a dois shows em Bruxelas que o decepcionaram.

“O livro reacendeu completamente meu excitação”, conta o jornalista. “Nos últimos anos voltei a vê-los inúmeras vezes e considero a formação atual tão interessante quanto qualquer uma das chamadas formações clássicas. Para reportar ‘O Poderoso Chefão 3’: ‘Achei que estava fora, mas eles me puxaram de volta’.”

A obra acompanha os cinco primeiros anos da margem de rock gótico, da formação em Leeds, na Inglaterra, em 1980, até a implosão da formação clássica depois o álbum de estreia, “First and Last and Always”, lançado em 1985.

Ao longo de 376 páginas, Andrews reconstitui a história a partir de entrevistas com músicos, empresários, técnicos, amigos, promoters e personagens da cena pós-punk inglesa, reconstruindo episódios muitas vezes conhecidos exclusivamente por versões fragmentadas ou contraditórias.

O principal personagem continua sendo Andrew Eldritch, vocalista e líder da margem. Reservado, avesso à prensa e espargido por controlar cuidadosamente sua imagem pública, Eldritch parecia uma manadeira improvável para um projeto desse porte. O chegada aconteceu por casualidade.

Em 2016, Andrews pediu uma entrevista por intermédio de Chris Catalyst, portanto guitarrista do Sisters. Eldritch aceitou falar para publicar um festival espanhol. Quando telefonou, deixou simples que preferia discutir qualquer tópico que não fosse a história da margem. “Ele disse: ‘Prefiro falar sobre papel de parede xadrez’.”

Andrews ignorou a sugestão. Em vez de principiar pelas perguntas previsíveis, mencionou um incidente obscuro dos anos 1980: uma fita VHS perdida que continha gravações do Festival Futurama e alguns videoclipes do ABBA registrados da televisão. A memorial da fita, que havia sumido, divertiu Eldritch.

Os dois passaram murado de 90 minutos conversando sobre Leeds e os primeiros anos do Sisters. A entrevista deu origem ao primeiro grande cláusula publicado pelo The Quietus e serviu de ponto de partida para todo o livro.

Andrews não conseguiu mais entrevistá-lo. “Tentei, mas não com muita insistência. Isso abriu espaço para que os outros integrantes da margem e uma série de personagens secundários também contassem suas versões.” Na avaliação do responsável, o resultado foi um retrato mais multíplice do vocalista do que teria sido provável caso dependesse exclusivamente da narrativa construída pelo próprio Eldritch.

Recentemente, um integrante da equipe atual do Sisters resumiu essa sensação em uma frase que Andrews considera o maior louvor recebido desde o lançamento do livro. “Quando li o livro, consegui sentir o cheiro do Andrew.”

Embora Eldritch ocupe naturalmente o meio da narrativa, Andrews diz que uma de suas maiores surpresas foi deslindar alguém muito dissemelhante da figura pública. “Ele continua sendo um mistério. Mas também é extremamente bem-humorado, ilustrado e, surpreendentemente, muito aprazível de conversar.”

Ao mesmo tempo, o livro não evita os inúmeros conflitos que marcaram sua trajetória. “Longe de ser uma biografia laudatória, a obra acabou ficando engraçada e triste. A gravação de ‘First and Last and Always’ também foi mais sombria —e divertida— do que eu imaginava.”

Apesar de o livro estar profundamente ligado à cidade de Leeds, Andrews rejeita a teoria de que existisse um “som de Leeds” capaz de explicar o Sisters of Mercy. Para ele, o diferencial estava na combinação improvável entre guitarras e bateria eletrônica.

O que Leeds oferecia, segundo ele, era outra coisa: uma rede extraordinária de clubes, promotores, universidades e bandas que conviviam em intensa competição, mas também colaboravam entre si. Nesse envolvente surgiram o F Club, organizado por John Keenan, e o núcleo formado por Eldritch, Gary Marx e Craig Adams.

Embora a narrativa culmine em “First and Last and Always”, Andrews explica que não fazia sentido prolongá-la até “Floodland” (1987). Além de considerar que a história da subida da margem já estava completa, ele afirma que seria impossível reconstruir o álbum seguinte com o mesmo rigor jornalístico.

O resultado, diz Andrews, seria um livro muito dissemelhante —e provavelmente menos interessante. “Seria exclusivamente a história de um músico feliz, trabalhando durante meses em estúdio no disco que sempre quis fazer. Que perdão haveria nisso?”

Folha

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