Notícias Favoritas

O seu portal favorito de notícias na Internet

Tarifa zero pode garantir mais acesso a serviços de saúde,
Brasil

Tarifa zero pode garantir mais acesso a serviços de saúde, diz estudo

A facilitar de serviços gerais Núbia Sales Veras, de 52 anos, moradora da Cidade Ocidental, município goiano no Entorno do Província Federalista, utiliza diariamente o transporte público para cruzar o limite com a capital do país e chegar até a empresa onde trabalha, no Lago Sul, bairro de escol de Brasília, sobre 50 quilômetros (km) de mansão.

A intervalo, o dispêndio da tarifa do ônibus e a baixa qualidade do transporte urbano criam limitações para que ela acesse serviços essenciais da sua vida, uma vez que o tratamento que faz para fibromialgia, uma síndrome crônica que motivo dores musculares e articulares em várias partes do corpo.

“Já perdi compromisso, já perdi consulta do meu tratamento no [hospital] Sarah [instituição de saúde focada em reabilitação motora e neurológica], tudo por motivo da vagar do ônibus e do valor da passagem”, contou à Escritório Brasil.

A reportagem conversou com Núbia, na tarde da última sexta-feira (12), quando ela passava pela Rodoviária do Projecto Piloto, o principal terminal de transporte público urbano do Província Federalista e região metropolitana, localizada no núcleo da capital do país.

Outro problema relatado pela trabalhadora é o valor da passagem, que chega a custar R$ 18 por dia, dispêndio que limita sua vida social.


Brasília (DF), 13/06/2026 - Núbia Sales Veras fala sobre tarifa zero pode garantir mais acesso a serviços de saúde. Foto: Pedro Rafael Vilela/Agência Brasil
Brasília (DF), 13/06/2026 - Núbia Sales Veras fala sobre tarifa zero pode garantir mais acesso a serviços de saúde. Foto: Pedro Rafael Vilela/Agência Brasil

Núbia afirma que filhas perderam oportunidades por motivo do preço da passagem. Foto: Pedro Rafael Vilela/Escritório Brasil

“Muitas vezes não pude utilizar para a cultura, para colocar minhas filhas em uma escola melhor, mas mais distante, por motivo desse valor da passagem”, afirmou.

A experiência de Núbia, muito uma vez que de milhares de pessoas que usam o transporte público rodoviário para transitar pelas grandes cidades do país, reflete as conclusões de um novo estudo desenvolvido por pesquisadores vinculados ao Instituto de Ciência Polícia da Universidade de Brasília (UnB).

O item intitulado Quem pode rodear? Tarifa zero, mobilidade e desigualdades raciais no chegada à cidade e aos serviços aponta que o dispêndio tarifário e a precariedade do transporte, incluindo superlotação, instabilidade e imprevisibilidade, geram obstáculos concretos à perenidade do desvelo em saúde, resultando no demora de diagnósticos, faltas a consultas agendadas e prejuízos no séquito preventivo de doenças crônicas.

Racismo estrutural

O texto, publicado no formato policy paper (um tipo de relatório técnico), destaca que os tempos de deslocamento prolongados em regiões metropolitanas “atuam uma vez que severos agravantes de sofrimento psíquico, estresse crônico e exaustão, potencializando quadros de impaciência e depressão”.

Esses efeitos, de conciliação com a pesquisa, tendem a ser particularmente significativos quando observados sob a perspectiva das desigualdades raciais. Isso porque a população negra está sobrerrepresentada entre os grupos de menor renda, residentes em territórios periféricos e mais dependentes do transporte público.

“Isso significa que as barreiras econômicas e territoriais à mobilidade incidem de forma desproporcional sobre essa população, limitando seu chegada à cidade e aos seus serviços”, aponta o estudo.

Também na Rodoviária do Projecto Piloto, a aposentada Helena Simão, mulher negra de 72 anos, caminhava vagarosamente e com dificuldade quando parou para conversar com a reportagem, pouco antes de embarcar no ônibus para chegar a Samambaia, região administrativa do DF, distante murado de 30 quilômetros do núcleo da capital.

Ela contou que convive há anos com osteoporose, uma doença que reduz a densidade e enfraquece os ossos do corpo. Apesar de não remunerar mais a tarifa, por ter gratuidade de pessoa idosa, Helena reclama da baixa circulação de ônibus na periferia.


Brasília (DF), 13/06/2026 - Helena Simão fala sobre tarifa zero pode garantir mais acesso a serviços de saúde. Foto: Pedro Rafael Vilela/Agência Brasil
Brasília (DF), 13/06/2026 - Helena Simão fala sobre tarifa zero pode garantir mais acesso a serviços de saúde. Foto: Pedro Rafael Vilela/Agência Brasil

Helena Simão não paga mais passagem, mas lamenta a pouca frequência de ônibus na periferia  Foto: Pedro Rafael Vilela/Escritório Brasil

“Eu já não pago o transporte, mas vagar muito para passar e já perdi consulta médica”, denunciou Helena. 

Dados do DataSUS citados na pesquisa demonstram, por exemplo, que mulheres negras enfrentam o duplo do risco de morte materna em relação a mulheres brancas, “uma disparidade que se conecta diretamente às restrições materiais e espaciais de locomoção impostas pela segregação urbana”.

>>Livro debate tarifa zero e mobilidade urbana uma vez que qualidade de vida

Transporte universal

Um dos focos do estudo é provar que a remoção da principal barreira econômica ao transporte público, que é o dispêndio da tarifa, por meio da implantação da tarifa zero universal, tem potencial para atuar uma vez que uma política estruturante de redução de desigualdades, indo muito além de uma simples medida de transporte público.

“Tem potencial de transformar a relação da sociedade com uma política pública, tal qual o Sistema Único de Saúde (SUS) propiciou, mas agora do ponto de vista do transporte”, observa Paíque Duques Santarém, pesquisador da UnB (Universidade de Brasília) e um dos autores do item.

Essa desoneração integral do dispêndio da tarifa, na estudo dos pesquisadores, constituiria uma instrumento estratégica para prometer o chegada efetivo aos equipamentos públicos, asseverar a perenidade do desvelo terapêutico e “tensionar, de forma definitiva, os padrões históricos de exclusão territorial e racial que fragmentam as cidades brasileiras”.

Em um estudo anterior, o mesmo grupo de pesquisa envolvido no projeto sobre tarifa zero e suas possibilidades de expansão no Brasil aponta que a implementação da gratuidade no transporte público nas 27 capitais brasileiras também representaria uma injeção de R$ 60,3 bilhões anuais na economia do país e poderia ter um efeito semelhante ao do Bolsa Família.

Fonte EBC

LEAVE A RESPONSE

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *