Tati Bernardi: escritor é oportunista, não no sentido vil – 07/05/2026 – Ilustrada
Tati Bernardi ainda fazia estágio de publicidade na W/Brasil quando escreveu seu primeiro texto viral —com o perdão do anacronismo, pois a frase “viralizar” estava longe de subsistir naquele final de 2001.
Foi logo posteriormente o sequestro do publicitário Washington Olivetto. Os sócios da empresa convocaram os funcionários e passaram um recado: não sabiam se o possuidor da filial estava vivo no cativeiro, mas todo mundo deveria continuar trabalhando porquê sempre.
Tati conta na CasaFolha que teve ânsia de vômito com aquela reunião. Voltou para sua mesa e pensou: “Se eu não ortografar o que estou sentindo, vou me levantar agora e pedir exoneração, mas eu quero continuar cá”.
Hoje colunista da Folha e autora de nove livros, Tati até logo não mostrava seus textos para ninguém. Embora soubesse desde pequena que queria ser escritora, ela engavetava todos os produtos de sua pretensão literária.
Mas aquela situação tinha pretérito dos limites. “O computador do Washington desligado, com uma rima de revistas que a gente não sabia se ele ia ler, se ele ia voltar… E as pessoas falando de verba, de cliente”, relembra no curso “Crônicas e escrita autobiográfica”, com aulas disponíveis para assinantes no site casafolhasp.com.br.
Ela escreveu sobre tudo aquilo, mandou para os funcionários da W/Brasil e foi para mansão.
No dia seguinte, o texto tinha circulado por diversas agências, foi reproduzido em canais de publicidade e chegou à prelo. A revista TPM, logo recém-lançada, convidou Tati para ser colunista.
“Olha o poder que tem quando você realmente escreve, porque você não aguentaria não ortografar”, afirma em seu curso na CasaFolha.
Para ver às aulas com Tati Bernardi e demais conteúdos do streaming —são mais de 30 cursos—, é preciso ser assinante da plataforma.
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Autora de “A Boba da Namoro” e “Depois a Louca Sou Eu”, entre outras obras, Tati explica seu processo de formação porquê escritora, fala de suas influências e dá diversas dicas para quem quiser trabalhar com as palavras, desde o despertar da originalidade e a procura de um tema até a reação do público diante da obra.
Em uma de suas aulas, ela diz que entendeu duas coisas com o incidente relacionado ao sequestro de Olivetto.
“Primeiro, que o meu prazer em me narrar e narrar o que estava acontecendo à minha volta era maior do que os riscos que isso ia me promover para a vida.”
Aliás, quando algumas pessoas a acusaram de ter sido oportunista por ortografar sobre aquela situação dramática, ela começou rechaçando o ataque, mas depois percebeu que não fazia sentido.
“Eu cheguei à peroração de que o jornalista é um oportunista. Não no sentido vil da vocábulo, mas no sentido de aproveitar o que está ao volta dele para narrar. Todo jornalista, de certa forma, é oportunista.”
Na CasaFolha, as aulas de Tati integram a Jornada Literária, que reúne autores porquê Itamar Vieira Junior, Ruy Castro, Rosa Montero e Carla Madeira.
Ao todo, a plataforma já tem 36 cursos exclusivos comandados por grandes personalidades em diferentes áreas, porquê a Monja Coen, que fala sobre reflexão, o professor Clóvis de Barros Fruto, que ensina “Filosofia para uma vida que vale a pena”, e o cineasta José Padilha, que aborda a arte de recontar histórias.
Aliás, novos conteúdos são lançados todos os meses. No próximo dia 21, por exemplo, será a estreia da médica Ana Claudia Quintana Arantes, autora do best-seller “A Morte É um Dia que Vale a Pena Viver”.
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