Tupac Shakur: Como livro de memórias retomou investigação – 11/08/2026 – Ilustrada
Mais de duas décadas posteriormente o assassínio do rapper Tupac Shakur, um livro de memórias publicado de maneira independente por uma figura à margem do hip-hop prometia racontar a história “real” de um caso que há muito fascinava o público e frustrava as autoridades policiais.
“Sou uma das únicas testemunhas oculares ainda vivas do assassínio de Tupac”, dizia a introdução do livro de Duane Keith Davis, publicado em 2019.
Intitulado “Compton Street Legend”, o livro retratava Davis porquê um dos chefões dos South Side Compton Crips, uma das gangues envolvidas na rivalidade entre as costas leste e oeste que marcou o hip-hop na dezena de 1990. Davis, publicado pelo sobrenome de Keffe D, é identificado nas páginas porquê o varão que conseguiu a arma e perseguiu Shakur num ato de vingança que culminou em um ataque a tiros cometido por um de seus comparsas, perto da Las Vegas Strip, em setembro de 1996.
No início, o livro, publicado com um coautor, atraiu pouca atenção fora dos círculos online dedicados às histórias do hip-hop e a crimes reais. Mas um detetive do Departamento de Polícia Metropolitana de Las Vegas, nomeado para reexaminar o caso arquivado, percebeu sua valia.
Discretamente, o detetive trabalhou para montar o caso. Em 2023, leu em voz subida trechos do livro para um grande júri, que acabou indiciando Davis por uma denúncia de homicídio pela morte de Shakur. Davis, de 63 anos, declarou-se puro e negou qualquer envolvimento.
Agora, com o início da seleção do júri para o julgamento de Davis, o livro está no núcleo de um caso em que investigadores não conseguiram localizar outras provas fundamentais, porquê a arma do violação ou o coche em que o atirador estava.
Os trechos do livro são, porquê afirmam os promotores, uma confissão feita porque Davis acreditava, equivocadamente, ter isenção totalidade contra processos? Ou, porquê a resguardo deverá esgrimir, seriam um relato hipotético inventado para dar lucro?
Os advogados de Davis provavelmente destacarão até que ponto o excesso e a autopromoção fazem secção do ecossistema do hip-hop, em que a credibilidade nas ruas muitas vezes se traduz em lucros e um entrevistado de podcast pode lucrar dezenas de milhares de dólares.
Rappers frequentemente assumem, em músicas, a autoria de atos violentos que não cometeram, disse Lucius Outlaw III, professor de Recta da Universidade Howard que trabalha para impedir o uso indevido de letras de rap em processos criminais. Mas um livro de memórias promovido porquê inteiramente verdadeiro provavelmente será encarado de maneira muito dissemelhante, afirmou.
“Acho que Davis e seus advogados estão em uma situação realmente difícil”, disse Outlaw, “porque há uma grande diferença quando se afirma que nascente é um livro de memórias fundamentado nas experiências da própria vida.”
“Compton Street Legend”, cujas páginas trazem marcas-d’chuva de buracos de projéctil, foi promovido porquê uma espécie de thriller de gângster sobre a vida de alguém que conviveu com gigantes do hip-hop da dezena de 1990, entre eles dois magnatas do rap que se tornaram rivais: Sean ‘Diddy’ Combs e Marion Knight, publicado porquê Suge.
O livro aborda duas das maiores tragédias da história do hip-hop: o assassínio de Shakur, seguido, meses depois, pelo assassínio de Notorious B.I.G.
E, para os investigadores, que não conseguiram encontrar a revólver Glock calibre .40 usada para matar Shakur nem o Cadillac branco em que Davis e três comparsas supostamente estavam, o livro tornou-se uma prova principal.
Os outros três homens, que inicialmente se recusaram a colaborar com a polícia ou negaram envolvimento, morreram desde logo.
Quando o livro de 215 páginas veio à tona, os investigadores passaram a ter o que Davis apresentava porquê sua memorandum do papel meão que desempenhara no assassínio de Shakur. O livro diz que “os fogos de artifício começaram” depois que ele viu Shakur abaixar-se para pegar o que imaginou ser uma arma.
“Um dos meus caras no banco de trás pegou a Glock e começou a mandar projéctil de volta”, diz o livro na página 105.
O jurista de Davis tentou, sem sucesso, impedir que o livro fosse recebido no julgamento. Em uma tentativa de alongar Davis da pessoa retratada nas páginas, a resguardo citou uma entrevista feita pela polícia com o varão identificado porquê coautor, Yusuf Jah.
Jah disse aos investigadores que havia escrito o livro inteiro, com base em conversas com Davis, segundo uma transcrição da entrevista. Em alguns momentos, afirmou Jah, Davis relatava informações que tinha ouvido de outras pessoas. Jah reconheceu que havia “improvisado” algumas partes.
Quando enviou os rascunhos a Davis antes da publicação, disse ele, o biografado não sugeriu nenhuma diferença. “Sinceramente, acho que ele nem leu”, disse Jah aos investigadores.
Em um julgamento que deverá resistir tapume de um mês no Tribunal Distrital do Condado de Clark, em Las Vegas, os jurados ouvirão relatos sobre a rivalidade entre gravadoras e as hostilidades entre gangues que serviram de tecido de fundo para a morte de Shakur, em 1996.
Naquele verão, as tensões entre a Bad Boy Records, gravadora de Combs sediada em Novidade York, e a Death Row Records, de Knight, em Los Angeles —com a qual Shakur acabara de assinar um contrato— chegaram ao ponto de ebulição. Ambas recorriam a gangues rivais para fazer sua segurança na Costa Oeste, e a rivalidade acabou se misturando às disputas entre os Crips e os Bloods da região.
Em setembro, quando os dois lados foram parar em Las Vegas para uma luta profissional de Mike Tyson, o que deveria ser um termo de semana de sarau transformou-se em violência. Enquanto o público deixava a redondel, Shakur e um grupo de Bloods atacaram Orlando Anderson, sobrinho de Davis, dando-lhe socos e chutes em público.
Mais tarde naquela noite, Shakur estava em uma BMW preta dirigida por Knight quando outro coche emparelhou e alguém em seu interno abriu lume. Shakur, de 25 anos, foi atingido quatro vezes e morreu no hospital dias depois.
Depois o ataque, espalhou-se a notícia de que o sobrinho de Davis, em procura de vingança, havia matado Shakur. Anderson, porém, negou repetidamente, e poucas testemunhas aceitaram colaborar com a polícia.
Em 2008 e 2009, os investigadores convenceram Davis a falar em detalhes sobre o que havia ocorrido. Davis já havia pretérito anos na prisão por condenações relacionadas a entorpecentes, e a polícia o persuadiu a falar —e, posteriormente, a tornar-se informante secreto— sob a prenúncio de novas acusações.
Davis disse aos investigadores que o assassínio de Shakur não havia sido unicamente um ato de retaliação entre gangues, mas resultado de um pedido de Combs, que cumpre pena de prisão por uma pena voltada à prostituição e há muito nega ligações com a morte de Shakur.
Os investigadores não tentaram processar Davis porque haviam concordado que as informações fornecidas por ele não poderiam ser usadas contra ele no porvir.
Mas uma novidade equipe de investigadores adotou uma posição dissemelhante depois que Davis concedeu uma entrevista para uma série documental da BET, em 2018, e depois publicou e promoveu o livro de memórias. Nele, Davis afirmou sentir um “profundo remorso” e, ao mesmo tempo, vangloriou-se: “Tupac era um peixinho que foi engolido por tubarões ferozes.”





