A Uefa e suas 55 federações nacionais europeias votaram por unanimidade nesta quinta-feira (30) pelo boicote à Despensa do Mundo e a todos os torneios da Fifa, em protesto contra o projecto da entidade que comanda o futebol mundial de vender uma participação a investidores externos.
A decisão drástica ocorreu em seguida a AFC (Confederação Asiática de Futebol) enviar uma missiva contundente às 47 federações do continente e alertar que a proposta nunca teria sucesso sem o suporte de todos os blocos regionais do futebol.
“A Uefa e suas 55 federações filiadas estão unidas. Rejeitamos de forma unânime e inequívoca a proposta da Fifa de transferir participações acionárias na Despensa do Mundo e em outras competições da Fifa a investidores privados”, afirmou a Uefa em enviado.
“Porquê resultado da discussão de hoje, nenhuma seleção vernáculo da Uefa participará de qualquer competição da Fifa enquanto essas propostas permanecerem em vigor, a menos que sejam abandonadas integralmente e que sejam oferecidas garantias vinculantes de que a Fifa nunca mais abrirá sua governança ou suas competições à propriedade privada.”
A entidade que comanda o futebol europeu afirmou que a Despensa do Mundo não está à venda e não pode ser tratada porquê um resultado de investimento nem entregue a investidores privados.
“Isso não é unicamente uma profunda lapso de liderança, mas uma renunciação do responsabilidade da Fifa porquê guardiã do futebol mundial”, afirmou sobre a proposta.
“No momento em que investidores externos adquirem participações em competições da Fifa, o futebol muda para sempre. O retorno mercantil se torna uma obrigação permanente. As expectativas dos investidores se transformam em pressão diária.”
AFC EXPRESSA PROFUNDA PREOCUPAÇÃO
O presidente da AFC, xeque Salman bin Ebrahim Al-Khalifa, afirmou que a entidade não foi consultada pela Fifa em nenhum nível antes do proclamação público. Ele classificou esse vestuário e a pouquidade de qualquer estudo detalhada sobre a governança e os aspectos financeiros e jurídicos da proposta porquê “totalmente inaceitáveis”.
“As ações unilaterais da Fifa parecem enfraquecer as próprias bases do futebol continental, fundamentadas na solidariedade, na cooperação e na transparência”, acrescentou o dirigente bareinita.
As críticas diretas da AFC aumentam a pressão sobre o presidente da Fifa, Gianni Infantino, que lidera o incerto projecto de fabricar uma subsidiária de US$ 20 bilhões para comandar a Despensa do Mundo e outros eventos da entidade, oferecendo participações minoritárias a investidores privados.
A Concacaf, conjunto regional da América do Setentrião, América Medial e Caribe, também criticou a Fifa pela falta de consulta.
Infantino ofereceu a cada uma das 211 federações filiadas à Fifa US$ 40 milhões caso aprovem a proposta até 19 de setembro, porquê secção de um pacote de US$ 10 bilhões que estaria disponível a partir de 1º de janeiro de 2027.
Se a proposta for rejeitada, o pacote voltará ao valor de US$ 2,7 bilhões oferecido anteriormente, muro de US$ 10 milhões por federação.
Infantino afirmou que a Fifa submeterá a proposta à votação de suas federações filiadas e, depois, ao Juízo da entidade.
O xeque Salman disse, no entanto, que o projecto precisaria do suporte dos seis blocos regionais.
“Uma iniciativa desse tipo não terá sucesso sem o suporte de todas as confederações, o que não ocorre neste momento”, escreveu.
O comitê executivo da confederação africana se reunirá na próxima semana para calcular a proposta. Já a confederação da Oceania, o menor conjunto regional, com 11 países-membros plenos, afirmou que discutirá o projecto em uma reunião no próximo mês.
A Conmebol, entidade que comanda o futebol sul-americano, ainda não se manifestou publicamente.
‘TORNEIOS NÃO DEVEM ESTAR À VENDA’
Entidades que representam jogadores também se opuseram ao projecto da Fifa. A Fifpro, sindicato mundial dos atletas, alertou que a proposta mudaria de forma irreversível os incentivos que sustentam as competições nas quais os jogadores trabalham e constroem suas carreiras.
O sindicato dos jogadores da Austrália aderiu às críticas nesta quinta-feira e afirmou que a entidade pressiona as federações filiadas a autenticar a proposta sem debate, ao mesmo tempo em que deixa de lado atletas e torcedores, responsáveis por gerar o valor dos torneios.
“A PFA está preocupada com a falta de transparência em torno da proposta e com a pouquidade de consultas relevantes àqueles que geram o valor que a Fifa procura explorar —os jogadores e os torcedores”, afirmou a Professional Footballers Australia em enviado.
“Em um momento em que o futebol precisa urgentemente de mais transparência, responsabilização e boa governança, propostas dessa dimensão levantam questionamentos sobre quem comanda o esporte e em favor de quem. Esses torneios não devem estar à venda.”
O ex-presidente-executivo da Liberty Media Greg Maffei, consultor mercantil da Fifa no projeto, afirmou que não se tratava de “vender a Despensa do Mundo” e que a entidade manteria sempre o controle majoritário.
“Há uma tendência de isso ocorrer no esporte em todos os lugares”, disse ao “Financial Times” o americano, que supervisionou a compra dos direitos comerciais da Fórmula 1 pela Liberty Media em 2017. “É um pouco que todo tipo de gente já fez.”
Idealizador do projecto mercantil da Fifa rebate críticas
Um dos principais arquitetos do incerto projecto reagiu às críticas e afirmou que a proposta não equivale a vender a Despensa do Mundo nem se assemelha muito à tentativa fracassada de lançar uma Superliga Europeia dissidente.
Greg Maffei, ex-presidente da Liberty Media e assessor mercantil do projeto, disse ao jornal Financial Times que a proposta de levantar bilhões de dólares com investidores externos está “muito distante da Superliga”, embora.
Maffei caracterizou a Superliga —proposta apresentada em 2021 para fabricar uma liga fechada de clubes europeus, que rapidamente desmoronou sob o peso da oposição internacional— porquê uma tentativa de solidar a posição de um grupo seleto de clubes.
“Isso é o oposto”, disse Maffei ao Financial Times em entrevista. “Isso significa expor que as 211 associações filiadas à Fifa podem sentenciar o que querem fazer.”
Maffei acrescentou que “isso não é vender a Despensa do Mundo” e disse que as propostas fariam com que a Fifa mantivesse “o controle majoritário para sempre”.





