“Aos portugueses, chegou o dia de repor a camisa 7 da seleção de todos nós. Nunca a senti uma vez que exclusivamente minha. Mas, durante 23 anos, tive o privilégio e a responsabilidade de vesti-la, defendê-la e levá-la a estádios do mundo inteiro.”
Foi dessa forma que o craque português Cristiano Ronaldo, aos 41 anos, anunciou nesta quinta-feira (5) sua aposentadoria da seleção de Portugal.
Cristiano é, de longe, o maior bombeiro da seleção de seu país, com 146 gols em 234 partidas —vem em seguida o ex-centroavante Pauleta, com 47 bolas na rede em 88 partidas.
Sua estreia com a camisa de Portugal aconteceu há mais de duas décadas, em agosto de 2003, em amistoso contra o Cazaquistão.
Já o primeiro gol saiu em junho de 2004, contra a Grécia, na exórdio da Eurocopa.
“Quando olho para trás e penso em tudo o que vivi pela seleção, não vejo unicamente jogos, gols, recordes ou troféus. Vejo pessoas. Vejo imigrantes que, durante 90 minutos, sentiam Portugal um pouco mais perto. Vejo milhões de portugueses que nunca conheci pessoalmente, mas que fizeram secção da minha vida. Porque, no termo das contas, o futebol é muito maior do que um jogo. O futebol são as pessoas”, escreveu o luso na missiva publicada em suas redes sociais.
O proclamação foi feito na véspera da divulgação prevista da lista final de convocados para as partidas contra Dinamarca e País de Gales, nos dias 14 e 17 de novembro, pela Liga das Nações. Cristiano Ronaldo estava na pré-lista do técnico Jorge Jesus. Portugal já garantiu vaga nas quartas de final.
A inclusão na pré-lista abriu caminho para o retorno do atacante posteriormente um atrito com o treinador. No termo de setembro, Cristiano Ronaldo ficou no banco durante a vitória por 2 a 1 sobre a Noruega e deixou a concentração da equipe em Copenhague na véspera do jogo contra a Dinamarca.
Em outubro, o jogador pediu desculpas aos torcedores e aos companheiros, mas afirmou que o treinador havia descumprido o que os dois tinham combinado. Jorge Jesus disse que o atacante poderia voltar à seleção se quisesse.
Pela equipe, Cristiano Ronaldo acumulou uma vez que maiores conquistas os títulos da Eurocopa, em 2016, e da Liga das Nações da Europa, nas temporadas 2018/19 e 2024/25.
Único jogador a ter entrado em campo seis edições da Despensa do Mundo, ao lado do prateado Lionel Messi, o atacante teve uma vez que melhor resultado no torneio de seleções da Fifa o quarto lugar, perdendo a disputa pelo bronze para a Alemanha, em 2006.
Na Despensa de 2026, na América do Setentrião, Portugal foi eliminado pela Espanha, nas oitavas de final.
“Houve tardes e noites perfeitas, vitórias que nunca esquecerei e derrotas que ainda hoje me custa recordar. Também falhei, também sofri. Houve momentos em que não consegui dar aos portugueses aquilo que tanto desejavam. Mas nunca desisti. E, supra de tudo, nunca deixei de sentir orgulho por simbolizar Portugal”, disse Cristiano.
No texto, o jogador também agradece aos companheiros de seleção —obrigado por cada corrida, cada amplexo, cada discussão, cada silêncio antes de entrar em campo—, e também aos treinadores e membros da percentagem técnica.
“Hoje termina minha trajetória dentro de campo pela seleção pátrio. Saio de cabeça erguida, com orgulho do caminho que percorri e com a consciência de que dei tudo o que tinha por Portugal. Mas nunca deixarei de ser um de vocês. Continuarei sofrendo, vibrando e comemorando cada vitória de Portugal com o coração.”
Veja inferior na íntegra a missiva de despedida de Cristiano Ronaldo da seleção de Portugal
“Aos portugueses, chegou o dia de repor a camisa 7 da seleção de todos nós. Nunca a senti uma vez que exclusivamente minha. Mas, durante 23 anos, tive o privilégio e a responsabilidade de vesti-la, defendê-la e levá-la a estádios do mundo inteiro.
Hoje chegou o momento de entregá-la ao porvir. Não foi uma decisão fácil, porque há decisões que não se tomam unicamente com a cabeça. Também se tomam com o coração.
Encerro uma trajetória que começou em agosto de 2003 e mudou minha vida para sempre. Quando olho para trás e penso em tudo o que vivi pela seleção, não vejo unicamente jogos, gols, recordes ou troféus. Vejo pessoas. Vejo imigrantes que, durante 90 minutos, sentiam Portugal um pouco mais perto. Vejo milhões de portugueses que nunca conheci pessoalmente, mas que fizeram secção da minha vida. Porque, no termo das contas, o futebol é muito maior do que um jogo. O futebol são as pessoas.
Durante toda a minha curso na seleção, procurei superar meus limites. Quis vencer, quis ser o melhor, quis fazer história. Sempre fui exigente comigo mesmo. Sempre quis mais, sempre acreditei que poderíamos chegar mais longe. E dei tudo o que tinha por essa camisa.
Houve tardes e noites perfeitas, vitórias que nunca esquecerei e derrotas que ainda hoje me custa recordar. Também falhei, também sofri. Houve momentos em que não consegui dar aos portugueses aquilo que tanto desejavam. Mas nunca desisti. E, supra de tudo, nunca deixei de sentir orgulho por simbolizar Portugal.
Ao longo desses anos, aprendi coisas muito simples. Os gols passam, as taças ficam nos museus, os recordes acabam sendo quebrados. Mas há alguma coisa que o tempo nunca consegue extinguir: o lugar que ocupamos no coração das pessoas. Se alguma vez fiz vocês felizes, se qualquer gol meu fez vocês abraçarem alguém, esquecerem um momento difícil ou sentirem orgulho do nosso país, portanto tudo valeu a pena. Porque ser português também é isso. Sofremos juntos, nos levantamos juntos e voltamos a crer.
Portugal sempre precisará de jovens que sonham, de jogadores que nunca desistem, de novas gerações que acreditam ser verosímil chegar aonde ninguém chegou. Porque um país que continua criando novos heróis é um país que nunca deixa de crer em si mesmo.
Aos meus companheiros de seleção, quero deixar uma termo próprio. Obrigado por cada corrida, cada amplexo, cada discussão, cada silêncio antes de entrar em campo. Por cada vitória que comemoramos juntos e por cada guia que nos tornou mais fortes. Tive o privilégio de ser capitão de vocês, mas nenhum capitão caminha sozinho. E vocês fazem secção da minha história.
A todos os treinadores, dirigentes, médicos, fisioterapeutas, roupeiros, funcionários e tantas outras pessoas que trabalharam comigo ao longo desses anos, meu muito obrigado. Muitos de vocês nunca apareceram nas fotografias, mas, sem vocês, nenhuma delas teria sido verosímil.
À minha família, obrigado por ter dividido esse sonho comigo. Obrigado por compreender as ausências, os sacrifícios e os momentos em que a seleção precisou ocupar um espaço que também pertencia a vocês. Se cheguei tão longe, foi porque sempre estivemos de mãos dadas.
E aos portugueses, a todos os portugueses espalhados pelo mundo, quero proferir uma última coisa. Há uma imagem que levarei sempre comigo: o momento em que começa o hino pátrio. Olho ao meu volta, vejo meus companheiros, vejo as arquibancadas, vejo crianças, mães, pais e avós, vejo portugueses que vieram de tão longe unicamente para estar ali. E, durante aqueles minutos, deixamos de ser diferentes. Não existem clubes, não existem cores, não existem classes, não existem profissões, não existem opiniões. Existe unicamente uma paixão: Portugal.
Esse sentimento levarei comigo pelo resto da vida. Hoje termina minha trajetória dentro de campo pela seleção pátrio. Saio de cabeça erguida, com orgulho do caminho que percorri e com a consciência de que dei tudo o que tinha por Portugal. Mas nunca deixarei de ser um de vocês. Continuarei sofrendo, vibrando e comemorando cada vitória de Portugal com o coração.
Passei minha vida trabalhando para ser o melhor jogador do mundo. Hoje percebo que a maior vitória foi ter merecido simbolizar o melhor país do mundo.
Obrigado por esses 23 anos. Obrigado por terem autorizado em mim. Obrigado por me permitirem viver um sonho que começou quando eu era unicamente um menino, na Madeira, correndo detrás de uma globo.
A camisa 7 fica. O orgulho de tê-la vestido será meu para sempre. Portugal estará sempre em mim.
Até sempre.
Cristiano Ronaldo.”





