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Wikipédia: fundador diz que IA desperdiça tempo de todos
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Wikipédia: fundador diz que IA desperdiça tempo de todos – 19/06/2026 – Tec

Na Esplanada, fórum em que os chamados wikipedianos debatem o porvir da enciclopédia do dedo mais popular da internet, um tema provoca embates acalorados: os textos gerados por robôs que aparecem nos verbetes e nas discussões e incomodam os humanos que editam o site.

Para o fundador da Wikipédia, Jimmy Wales, 59, esse debate deixou uma coisa clara. “Não queremos que alguém busque um chatbot, diga ‘escreva um cláusula sobre isso’, copie e cole o teor. Isso será horroroso, pleno de erros e um desperdício do tempo de todos.”

O empreendedor nascido no Alabama, nos Estados Unidos, conversou com a Folha por videoconferência de sua moradia, em Londres, sobre o seu novo livro, “As Sete Regras da Crédito”.

A obra, escrita a quatro mãos humanas, aborda o trabalho na Wikipédia para nutrir uma comunidade, com relações estáveis e duradouras. O coautor é o repórter canadense Dan Gardner, que já foi mentor do ex-premiê canadense Justin Trudeau.

Hoje, diz ele, a enciclopédia tem padrões sobre fontes, qualidade e verificação. “Se nós, wikipedianos, não aceitarmos que sempre podemos melhorar a enciclopédia quando recebermos críticas, nós falhamos. Nós construímos uma reputação porque sempre abrimos espaços para críticas e dúvidas.”

O que o protótipo de autogestão da Wikipédia ensinou ao sr. sobre a gestão de conflitos, com gente de tantas culturas e idiomas?

Nós somos uma organização voluntária, com pessoas de todo o mundo trabalhando juntas. O ponto medial do livro é refletir sobre porquê tudo isso deu visível contra todas as expectativas. Uma vez que podemos ser tão abertos? Grande secção disso se deve a um propósito bom e simples —essa é a terceira regra do livro.

Todos que chegam à Wikipédia entendem que temos um objetivo: produzir uma enciclopédia para todos, em cada linguagem existente. Isso é dissemelhante da maioria das redes sociais, que não têm uma meta clara e funcionam exclusivamente porquê grandes fóruns abertos. Ter esse foco ajuda a encanar a atenção das pessoas e a fechar acordos. Sempre perguntamos: “Isso ajuda a enciclopédia ou não?”. E assim seguimos em frente.

Considerando que a internet mudou da cabeça aos pés nos últimos 25 anos, é um repto ocupar as gerações mais jovens, que aprenderam a velejar no TikTok?

Para nós, o importante é sempre ser receptivo e sincero para essas novas pessoas. Uma reportagem recente me impressionou e serve de exemplo. Era sobre novas pessoas que queriam redigir sobre música na Wikipédia e falar sobre novas bandas. Elas acabaram recebendo perguntas dos usuários mais velhos: “Quem são essas bandas de que eu nunca ouvi falar?”. É uma história engraçada porque no pretérito éramos nós os jovens que escrevíamos sobre bandas que nossos pais não conheciam. Esse movimento é muito bom.

Uma vez que a Wikipédia adquiriu credibilidade nos últimos 25 anos?

No primórdio, as pessoas não sabiam recta o que fazer com a Wikipédia. Quando o site era muito recente, a qualidade do teor também era baixa. A primeira pessoa que escreveu sobre São Paulo, por exemplo, pode ter dito que era uma cidade no Brasil e apertado “enter”.

Mas a enciclopédia ficou maior. Nós temos regras sobre fontes, qualidade dessas referências e coisas do tipo. Simples que sempre há problemas. Se nós, wikipedianos, não aceitarmos que sempre podemos melhorar a enciclopédia quando recebermos críticas, nós falhamos. Temos de manifestar: “Espere, veremos o que podemos fazer para melhorar”. Nós construímos uma reputação porque sempre abrimos espaços para críticas e dúvidas.

E hoje há mais estrutura do que há 20 anos?

Hoje há muito mais pesquisa acontecendo dentro e sobre a Wikipédia. Hoje, por exemplo, nós temos muitas discussões na comunidade sobre IA. A lucidez sintético é terrível e impressionante em igual medida. Por isso, estamos buscando maneiras de, por exemplo, identificar e admitir correções de erros crassos mais rapidamente.

Já há qualquer consenso sobre o uso de IA?

Ainda existe muito conflito. Talvez conflito seja poderoso, mas às vezes são discussões muito acaloradas. Posso manifestar que algumas coisas já ficaram claras. Não queremos que alguém busque um chatbot, diga “escreva um cláusula sobre isso” e copie e cole o teor. Isso será horroroso e pleno de erros, um desperdício do tempo de todos.

Ao mesmo tempo, algumas pessoas usam os chatbots para melhorar na gramática. Existem alguns usos muito bons. Eu também quero muito testar algumas tarefas. Será que a IA pode ser boa em encontrar fontes que deveriam estar mencionadas, mas não estão? Eu não quero que a IA edite a Wikipédia. Porém, se ela conseguir encontrar ideias úteis, isso poderá ser bastante vantajoso. Isso me deixa empolgado.

Uma vez que o sr. vê projetos porquê a Grokipedia, que tenta competir com a Wikipédia usando IA para gerar todos os tipos de cláusula?

É muito dissemelhante, até porque a qualidade é muito baixa e a transparência é mínima. Ninguém faz teoria de por que o texto diz aquilo em vez de outra coisa. É muito dissemelhante do protótipo da Wikipédia, onde a comunidade está ali para responder a perguntas e para atualizar as coisas. Na Wikipédia, as pessoas podem ir à página de discussão e ver os debates que aconteceram e tudo mais.

Mas, ainda assim, é interessante. É difícil prever porquê o mundo vai estar daqui a 25 anos. Se a IA continuar melhorando, acho que vamos ver cada vez mais o uso dela, mas, pelo menos por enquanto, achamos que é prematuro por uma margem muito grande.

Robôs de empresas de IA continuam sobrecarregando a Wikipédia ou os acordos recentes melhoraram a situação?

Até visível ponto, sim. Temos cada vez mais acordos com empresas de IA para que elas não minerem o site de forma predatória, porque isso pesa muito na nossa infraestrutura. Cada chegada automatizado gera um dispêndio operacional superior.

O ideal é que utilizem a nossa instrumento de informação desenvolvida especificamente para empresas. Mas também monitoramos a chegada de programas baseados em agentes que operam localmente.

As pessoas passarão a usar softwares que carregam dezenas de páginas da Wikipédia em segundo projecto sem que elas percebam, o que pode gerar um tráfico enorme. Ainda não vimos isso suceder em larga graduação, mas o volume está crescendo.

Para o sr., a sociedade avançou no chegada à informação ou a fragmentação da internet piorou as coisas?

São as duas coisas ao mesmo tempo. O chegada ao conhecimento está melhor do que nunca e as pessoas têm a capacidade de deslindar qualquer tema. Ao mesmo tempo, quem consome informação exclusivamente pelas redes sociais corre o risco de permanecer recluso em uma bolha algorítmica.

Uma vez que isso é muito discutido hoje, as pessoas estão conscientes de que as redes tradicionais não as expõem a uma multiplicidade saudável de opiniões. Muita gente está começando a preferir ir detrás da informação de formas diferentes.

Apesar disso, outros aspectos das redes são divertidos. Uma vez que qualquer pessoa, eu paladar de ver a vídeos curtos e engraçados. Não há zero de inerentemente inverídico nisso.

Uma vez que está a relação da Wikipédia com as redes sociais atualmente?

Uma secção é feita pela Instalação Wikimedia e, simples, existem membros da comunidade que também têm muitos seguidores nas redes sociais. Tem o Depths of Wikipedia (Profundezas da Wikipédia), por exemplo, que é uma conta enorme no Instagram gerenciada por um membro da comunidade que posta coisas divertidas e curiosas. Acho que o pensamento principal ali é: as redes são mais um conduto para conseguir as pessoas e lembrá-las da Wikipédia.

Qual foi o principal tirocínio que o sr. acumulou na Wikipédia em todos esses anos?

É o trajo de que a maioria das pessoas é confiável, e essa é uma mensagem muito formosa para os dias de hoje, em que a crédito está em queda. A maioria das pessoas é decente e gentil, e nós precisamos valorizar isso na sociedade.


RAIO-X | JIMMY WALES, 59

É cofundador da Wikipédia e da Instalação Wikimedia. Escolhido uma das século pessoas mais influentes do mundo pela revista Time, também foi indicado pelo Fórum Econômico Mundial porquê um dos “Jovens Líderes Globais”. É graduado em finanças pelas universidades de Auburn e do Alabama.

Folha

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