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Wings: livro revela recomeço de Paul McCartney pós Beatles 09/07/2026
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Wings: livro revela recomeço de Paul McCartney pós-Beatles – 09/07/2026 – Ilustrada

No primórdio de “Wings – A História de uma Margem em Fuga”, Paul McCartney retorna a um boato que o perseguiu no termo dos anos 1960: o de que ele estaria morto.

Quase seis décadas depois, ele acredita que havia uma espécie de verdade naquela fantasia coletiva. Aos 27 anos, diante do termo dos Beatles, de disputas judiciais e da rescisão de uma parceria que marcara sua vida desde a juvenilidade, ele era um varão sem saber o que fazer a seguir.

“Eu estava morto… um varão de 27 anos de idade, prestes a tornar-se ex-Beatle”, diz o planeta.

“Wings” é uma história vocal editada pelo historiador Ted Widmer, sem um texto corrido, mas com falas que vão montando o quadro universal —um formato inaugurado no pop pelo ótimo “Mate-Me por Obséquio”, de Legs McNeil e Gillian McCain.

O livro, que sai cá em edição caprichada, com cobertura dura e muitas fotos, foi construído a partir de entrevistas novas e antigas, sobretudo do material reunido pelo cineasta Morgan Neville para um documentário ainda inédito sobre a margem.

Linda McCartney, os filhos do parelha, Denny Laine, Denny Seiwell, músicos, técnicos, jornalistas e figuras da trajectória beatle ajudam a imaginar uma memória coletiva, embora rigorosamente controlada pela voz dominante do próprio Paul —que também assina um prefácio de dez páginas.

Esse formato vocal é, ao mesmo tempo, sua qualidade e sua limitação. Ele traz um movimento de uma longa conversa, enxurrada de histórias saborosas e depoimentos cruzados, mas que raramente confrontam as versões de McCartney.

Paul surge uma vez que o varão que precisou largar a posição de planeta sumo do pop para reaprender a viver, gravar e liderar uma margem. Seus erros, ressentimentos e crises aparecem, mas quase sempre já pacificados pela perspectiva de quem olha para os anos 1970 de uma intervalo confortável.

A Escócia é o núcleo emocional desse recomeço. Paul e Linda se refugiaram numa quinta remota em Kintyre, onde ele construiu uma mesa, aprendeu a fazer piso de concreto, tosquiou ovelhas, plantou vegetais e improvisou uma banheira num tanque usado para limpar máquinas de ordenha. “Nenhum trabalho parecia pequeno ou grande demais”, diz ele.

Não há grande tese psicológica sobre a recuperação de Paul: há um ex-Beatle tentando fazer uma mesa sem pregos, cortando árvores, mexendo em terreno e gravando fragmentos de canções numa máquina de quatro canais instalada em vivenda.

A música volta nesse envolvente. “McCartney”, de 1970, aparece uma vez que o disco de alguém que não queria fazer um novo “Sgt. Pepper’s”, mas voltar ao principal e tocar todos os instrumentos, aproximar microfones, ajustar pratos de bateria e registrar ideias sem a obrigação de produzir um clássico.

“Maybe I’m Amazed”, escrita para Linda, concentra a ambivalência daquela tempo: o feitiço de um casório recente e o pânico de uma vida que ainda não tinha forma.

Linda, aliás, aparece muito mais que a mulher do líder. O livro insiste em apresentá-la uma vez que parceira de fuga, de família, de trabalho e de geração. Ela participa das harmonias, fotografa capas, acompanha as crianças nas viagens e entra para a margem mesmo sem formação técnica comparável à dos outros músicos.

As críticas que recebeu são relembradas uma vez que sintoma do machismo do rock. Há, parece, um esforço de reparação histórica: Linda aparece uma vez que uma figura que sustentava Paul emocionalmente e que ajudou a fabricar a identidade visual, doméstica e sonora do Wings.

Lemos que o Wings não foi concebido uma vez que prolongamento dos Beatles, mas uma vez que seu oposto verosímil. McCartney diz que não queria formar um “Beatles 2.0”, nem montar um supergrupo para manter a estatura que tinha.

Preferiu estrear de insignificante: ensaiar na Escócia, concordar uma formação instável, tocar em universidades, levar os filhos na estrada e transformar a vida familiar em método de trabalho.

O resultado foi uma margem muitas vezes tratada uma vez que capítulo menor de sua curso, mas que lhe devolveu o prazer de funcionar dentro de um grupo.

O livro não foge dos episódios mais conhecidos. O assalto em Lagos, durante as gravações de “Band on the Run”, quando Paul e Linda perderam as fitas demo e tiveram de reconstruir canções de memória, ganha peso de traumatismo.

O boato de que ele estava morto vira uma piada amarga. A tensão com John Lennon reaparece em torno das letras das canções “Too Many People” (de McCartney) e “How Do You Sleep?” (de Lennon).

E a prisão de McCartney no Japão, em 1980, é apresentada uma vez que o fecho de um ciclo que, segundo ele, já vinha perdendo impulso antes mesmo da detenção.

“Wings” não desmonta a jerarquia que coloca Lennon e os Beatles no núcleo da história do pop. Faz um pouco mais específico: mostra Paul McCartney tentando evadir dessa centralidade, mesmo sabendo que nunca conseguiria deixá-la inteiramente para trás.

Folha

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