São Paulo
A Coreia do Setentrião afirmou que não teve qualquer envolvimento no rapinagem de US$ 6,3 bilhões da Binance, ocorrido na última quinta-feira (29), e classificou a delação do FBI uma vez que uma “delação comum” e uma “retórica absurda”.
A polícia norte-americana atribuiu o roubo a um grupo de hackers chamado TraderTraitor, da Coreia do Setentrião, que já foi indiciado também de roubar US$ 1,5 bilhão da corretora Bybit em fevereiro de 2025
Kim Yo-Jong, influente mana do líder norte-coreano Kim Jong-Un, disse que as acusações dos EUA provavam que Washington continuava hostil a Pyongyang, segundo reportagem divulgada na terça-feira pela escritório estatal de notícias KCNA.
Kim Jong Un, líder da Coreia do Norte, ao lado da irmã Kim Yo Jong, que negou envolvimento de grupos norte-coreanos em roubo à Binance
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Korea Summit Press Pool – 27.abr.18/AFP
“O FBI está tentando rotular a RPDC [República Popular Democrática da Coreia] uma vez que um ‘Estado cibercriminoso’. Mas a alegado dos Estados Unidos é uma retórica absurda e não traz zero de novo”, afirmou Yo Jong, dirigente do partido governista.
“É uma grave provocação política contra a RPDC o traje de os Estados Unidos induzirem a opinião pública internacional a confiar que todos os crimes cibernéticos cometidos em diferentes partes do mundo são obra nossa”, disse a mana do líder norte-coreano.
Especialistas em segurança cibernética afirmam que hackers norte-coreanos estão entre os ladrões de criptomoedas mais ativos do mundo, e que os recursos obtidos ajudam a financiar os esforços do país para desenvolver armas nucleares e mísseis balísticos capazes de atingir os EUA.
Estimativas da empresa de estudo de blockchain Elliptic apontam que grupos ligados à Coreia do Setentrião teriam roubado US$ 7,6 bilhões em criptomoedas neste ano, maior quantia da história. O regime socialista nega as acusações que a associam a roubos de criptomoedas e outros crimes cibernéticos.
Analistas em Seul disseram que a resposta excepcionalmente rápida de Pyongyang provavelmente refletia a preocupação de que a delação pudesse levar a medidas mais rigorosas para interromper as fontes de receita que a Coreia do Setentrião é acusada de usar para financiar seus armamentos.
“Com as sanções já em vigor, o roubo de criptomoedas tornou-se um dos principais canais usados pela Coreia do Setentrião para obter recursos destinados à manutenção do regime e ao desenvolvimento de armas”, disse Lim Eul-chul, professor do Instituto de Estudos do Extremo Oriente da Universidade Kyungnam.
Medidas adicionais dos Estados Unidos contra carteiras de criptomoedas, redes de lavagem de numerário e bolsas de criptomoedas poderiam bloquear uma importante natividade de receita, afirmou Lim.
O banco medial da Coreia do Sul estimou o PIB (Resultado Interno Bruto) da Coreia do Setentrião em 47,18 trilhões de wons (US$ 35,09 bilhões) em 2025, o que significa que o roubo da Binance poderia equivaler sobre um sexto de sua produção econômica.
A empresas de estudo de criptomoedas Chainalysis estimou que 89% das perdas decorrentes de invasões envolvendo criptomoedas em 2026 estavam ligadas à Coreia do Setentrião, na presença de 15% em 2021. Segundo a empresa, a perda média relatada por ataque subiu de US$ 50,65 milhões em 2021 para US$ 185,65 milhões em 2026.
“Acho que isso poderia ser chamado de caça a grandes alvos: eles miram essas bolsas maiores, o que pode exigir mais tempo e maior dificuldade… mas a recompensa pode ser relativamente subida”, avaliou Alec Zebrick, gerente sênior de serviços globais para a Ásia-Pacífico da Chainalysis.
DEMORA PARA LAVAR O DINHEIRO
Analistas ouvidos pelo Financial Times afirmam que os hackers devem levar meses para lavar os US$ 6,3 bilhões roubados da Binance. Embora os autores do delito tenham começado imediatamente a lavar os criptoativos roubados e estejam usando ferramentas automatizadas para realizar milhares de transações, especialistas em rastreamento de criptoativos afirmam que o processo será longo.
Os tokens roubados estão visíveis para as autoridades em blockchains públicas, mas os hackers deram início a um processo longo e multíplice para movimentá-los em pequenas quantidades por meio de diversas plataformas, na tentativa de dificultar ao sumo o rastreamento do fluxo dos recursos.
“Isso vai levar semanas, meses e talvez até anos… Eles vão mantê-los parados por um longo período e tentar identificar oportunidades para convertê-los em numerário”, afirmou Phil Larratt, diretor sênior de serviços globais da Chainalysis.
Os mercados de empréstimos de finanças descentralizadas e os serviços de troca de criptoativos são fundamentais para a operação de lavagem. Usados para trocar um tipo de criptoativo por outro sem que os proprietários tenham de vender nenhum token, esses serviços estão sendo utilizados pelos hackers para transformar os tokens roubados em outros ativos.
Eles recorrem a métodos sofisticados de automação para dividir e enviar os recursos a milhares de novas carteiras, na tentativa de aligeirar a movimentação do numerário e dificultar o rastreamento.
A blockchain Tron, criada pelo magnata dos criptoativos e doador de Donald Trump Justin Sun, é amplamente considerada uma utensílio importante para lavadores de numerário. A Anti-Money Laundering Network chamou a Tron de “uma plataforma notória para esquemas sofisticados de lavagem de numerário”, preferida por criminosos por motivo de suas “transações de subida velocidade e baixas taxas”.
A Elliptic afirmou que cada dólar em tokens lavado pelos hackers por meio da Tron já havia sido movimentado nove vezes até o termo de semana, o que evidencia a graduação da operação. No auge da atividade, no sábado, uma transação era enviada a cada três segundos, segundo a empresa.

Trocas entre criptomoedas são usadas por hackers para lavar dinheiro de roubos, segundo especialistas
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Dado Ruvic/Reuters
A Binance ainda investiga uma vez que os hackers conseguiram comprometer seus sistemas e trabalha com o FBI e empresas de estudo de blockchain para tentar rastrear os recursos.
A empresa anunciou aos usuários que vai reembolsar todos os tokens roubados pelos hackers. O pagamento será feito com recursos próprios, incluindo muro de US$ 1 bilhão em bitcoin mantido em seu fundo de emergência e uma parcela de suas próprias receitas denominadas em tokens.
“A empresa está em situação financeira muito sólida”, afirmou Richard Tang, co-CEO da Binance em evento em Hong Kong nesta terça-feira, acrescentando que 95% dos tokens afetados já haviam sido repostos. “Isso é um pouco que podemos tapulhar. Temos condições de fazer isso”.
Com informações da Reuters e do Financial Times





